Adaptar obras da magnitude e fãbase como as de de Tolkien é sempre uma opção arriscada. Por um lado, é um material original muito denso e a tarefa de apresentar ao público mais amplo algo tão profundo não será fácil. É necessário mastigar muita coisa, alterar outras tantas, de modo a ficar palatável ao público contemporâneo e ao formato televisivo e, ainda, excluir sumariamente uma terceira fatia de elementos. Por sua vez, todas essas mudanças vão inflamar os fãs mais antigos.
A tarefa de Os Anéis do Poder ficou ainda mais difícil ao tentar adaptar literalmente os Contos Inacabados, apenas um esqueleto da estória que o autor pretendia contar. A boa notícia é que ela sobreviveu – com um caminhão de dinheiro da Amazon, é claro – a uma difícil primeira temporada e, agora, nos entregou uma versão totalmente aprimorada de si mesma.
Agradou: aprimorou em tudo da primeira temporada
A primeira temporada de Os Anéis do Poder dividiu o público, alguns puristas não concordavam com certas novidades introduzidas pelo novo seriado, outros malucos entenderam como uma produção woke; mas, no geral, seu principal problema ficou sempre muito claro: ritmo narrativo. Em alguns episódios parecia que nada havia acontecido, em outros, que haviam acontecido coisas demais. Mesmo com capítulos beirando 2 horas ficavam coisas mal explicadas, enquanto outras, pareciam prolongadas demais.
Felizmente, para essa segunda temporada, a série melhorou muito – inclusive algumas críticas caminharam no sentido oposto, que a narrativa ficou acelerada, em especial sobre Númenor, o que não é bem o caso (veja abaixo). Ainda houve alguns episódios aqui e ali nos quais teve muito vai-e-vem – algum personagem recusa um convite numa cena para aceitar na outra, por exemplo – mas, no geral, a estória andou pra frente na maior parte do tempo. Os dramas funcionaram e não ficaram com cara de enrolação.
Com relação ao lore, novamente, os roteiristas souberam equilibrar bem a inserção de novos elementos, tal como o desenvolvimento de Adar, o melhor dos personagens originais, e os ancestrais dos pés-peludos, que pareciam habitar uma cidade retirada diretamente de um JRPG, e utilizar o que tinham disponível, o uso de Tom Bombadil que teria uma função, finalmente, naquele mundo (sei que essa foi controversa). Outra coisa legal, nesse aspecto, são as pequenas inserções de coisas bem obscuras do universo, tal como Cídran ser o único elfo com barba ou o aparecimento de uma raça descontente com o desmatamento da região.

Digno de elogios também é a direção, em especial, dos últimos episódios. Mesmo com escalas grandiosas, a organização, coreografia e geografia das cenas sempre se mantém firmes, conseguimos entender quem está fazendo o que e onde. E, claro, os efeitos especiais continuam maravilhosos em qualidade e, também, organização e clareza; destaco a luta contra os seres fantasmagóricos.
Não-agradou: trama em Númenor
Apesar de um início promissor, com Miriel enfrentando oposição ao retornar da Terra Média, e, especialmente as implicações do uso da Palantír, o resto desse núcleo foi o mais fraco do ano. Em uma temporada, no geral, mais sombria, a produção apostou em emular naquela trama política um Game of Thrones, com intrigas palacianas e disputa de poder. Não só a natureza das duas obras, apesar de serem fantasias medievais, são muito diferentes, como foi, simplesmente, mal-feito.
A legitimidade de Miriel já estava minada desde o começo e a desastrosa incursão na Terra Média seria a pá de cal em seu governo; poderíamos simplesmente dar curso nessa linha – o que vinha vindo bem, com o perdão do pleonasmo, até o grande final do terceiro episódio. Entretanto, os produtores estavam realmente decididos a deixar as coisas mais sinuosas; o que não foi bem executado.

Na obra original, em Contos Inacabados, a relação entre Míriel e Pharazon é muito suscinta: o segundo usurpou o trono através de um casamento forçado. Tinha muito espaço para melhoramos isso, com certeza, mas poderíamos ter uma coisa mais linear, e não uma sequência de um episódio em que ela perde legitimidade, um que ganha e outro que perde de novo. Não só temos mais um temível “vai-e-vem”, como as coisas ficam mal contadas; o alguns críticos nos EUA apontaram que a trama ficou corrida, mas não foi esse o caso; parece acelerada, mas é só mal escrita mesmo.
Parece que as coisas aconteceram rapidamente, mas a opção era, deliberadamente, por súbitas reviravoltas e ganchos. O julgamento do mar foi uma total perda de tempo, mas a opção de encerrar o episódio com o triunfo de Míriel, por exemplo, para na próxima abordagem, já em outro capítulo, com ela mal de novo, foi muito burra. Dá a sensação de que muita água já rolou – com o perdão do trocadilho – mas, na realidade, foram só escolhas de criar reviravoltas “artificiais” e manter algo mais convulsivo.
- Com ciclo de produção de quase 3 anos até a estreia, houve alguns problemas de elenco. Houve mudança e saída de atores que obrigou mudanças no enredo; não há grande prejuízo, mas nesse ritmo, a tendência é precisar de novas mudanças e os atores mais jovens estão envelhecendo – tal como Teo.
- A revelação sobre o Estranho terminou tão óbvia que toda a jornada pareceu uma perda de tempo, sua identidade, se era para ser aquela, devera ter sido revelado muito antes – e esse negócio da escolha acidental de nomes eu acho muito bosta, é muito preguiçoso
- Celebrimbor ainda é um péssimo personagem, muito distante do que imaginávamos das obras originais, passivo, sem desprovido de iniciativa, assim, obrigando Sauron ter um papel mais “mundano” nas ações; como ir até os anões ou até mesmo dar em cima da mulherada. Algo incompatível com a presença divina que ele deveria evocar como Annatar.

Episódios
S02E01: Elven kings under the Sky – Após ser pressionada, Galadriel confessa que Halbrand, a quem ela patrocinou como Rei do Sul (e seu crush), é, na realidade Sauron. Diante dessa informação, Elrond foge com os anéis para tentar dar fim neles antes que as jóias corrompam os elfos; enquanto isso, em Mordor, uma aliança entre Adar e Halbrand (sem revelar sua identidade) se forja, em situação muito adversa, para combater o reino de Eregion.
O capítulo, na verdade, inicia-se com um flashback explicando como Sauron chegou ao estado atual, que é bem interessante e parece fazer referência ao início de As Duas Torres. Entretanto, ainda acho que esse arco, não previsto na obra original, de Sauron como esse impostor humano, não ficou muito bem acabado. É interessante ver ele, de certa forma, hesitando entre mudar de vida ou retomar seus planos de dominação, mas é algo que nunca cola. Não só pela natureza do personagem, mas pelos eventos posteriores, sempre parece que foi tudo falso ou pretexto; precisaríamos de mais para realmente acreditar que ele estava na dúvida sobre que caminho seguir.

Enquanto isso, entre os elfos, o seriado faz um grande esforço para tentar desfazer a impressão que ficou na temporada anterior, de pura ingenuidade ao aceitar os anéis. Há sucessos, como a frase de Gil-Galad, quando explica que as ações de Galadriel que os deixaram sem alternativa; mas também certas bolas-foras, como Cídran em mais uma versão de um o elfo bondoso e ingênuo que passa a desejar os anéis por acidente – mas muito legal o toque de lembrar que ele era o único de sua raça com barba.
Há, ainda, alguns vai-e-vem. Novamente, os personagens são presos para serem soltos na sequência (Halbrand), fogem ou se separam para serem encontrados ou se encontrarem (Nori e Poppy), ficam com as coisas para perdê-las (Elrond)… não chega a prejudicar, mas fica um recurso apelativo para criar um leve suspense onde não precisava; um problema crônico da narrativa do seriado. Mas, no geral é um bom início da temporada, que promete ser muito mais sombria que a anterior, indicando como todos os personagens estão sendo arrastados para uma catástrofe sem muita escolha, conscientes ou não dos eventos.
Muito Bom (4/5)
S02E02: Where the stars are strange – Enquanto nas planícies áridas de Rhûn, as duas amigas e o Estranho passam a serem perseguidos; as tramas andam a pleno vapor entre elfos e anões. Após aceitarem usar os anéis, os imortais precisam ver como andam as coisas com Celebrimbor, que cada vez se abre mais ao retorno de Halbrand; e os anões entram em uma grave crise quando as montanhas sentem o impacto geológico da erupção de Mordor.
Os enredos vão se abrindo mais ao recebermos os anões de volta ao foco e acompanharmos, de fato, a jornada em direção ao Leste feito pelo trio de amigos. Como na primeira temporada, essa injeção de novas tramas é feita de forma tranquila e adequada, sendo tranquilo para todo mundo digerir as novas informações apresentadas. Isto, por sua vez tem o efeito colateral de reduzir o ritmo da narrativa.
É preciso ceder espaço para os outros núcleos caminharem, e nem todos o fazem bem. Se, por um lado, é interessante ver como, realmente, buscam aprofundar as decisões dos elfos de Lindon, ao aceitarem os anéis – aqui, inserindo os diálogos os quais eles sempre tentam racionalizar suas ações, mesmo sabendo que estão erradas – por outro, em seu núcleo pouco avança; com um outro vai-e-vem, diga-se de passagem: Elrond nega o convite para aceitá-lo depois.

A aventura no deserto é onde temos a maior tensão, e ainda elementos novos são introduzidos, com uma civilização inédita a ser anunciada; apesar de ser a linha narrativa mais leve, começa também a se mostrar sombria. O que rima com a crise em Khazad-dûm, que mergulha a cidade em um escuro, embora por lá não tenhamos muito mais que um posicionamento dos personagens para a nova temporada.
O grande momento é o final do episódio, no qual Sauron se apresenta na forma com a qual ele conseguirá seus principais feitos. Toda a sequência é bem interessante, especialmente nos visuais, lembrando a estética dos filmes. Entretanto, esta versão de Celembrinbor ainda é muito fraca; novamente, ao invés do orgulhoso ouvires que cai diante de sua própria crença da perfeição; temos um tolo manipulável que aceita qualquer besteira que falem para ele – Halbrand muda de versão várias vezes durante sua conversa, reparem bem, e mesmo assim ele apenas aumenta sua confiança.
Bom (3,5/5)
S02E03: The Eagle and the Sceptre – Começamos o episódio com a comovente jornada de Berek, o cavalo de Isildur, em busca de seu mestre – e o salvando; para, posteriormente, buscarem reencontrar com os númenorianos e os refugiados de Mordor. Ao mesmo tempo, em sua terra natal, o retorno da rainha regente após a derrota, ao mesmo tempo da morte de seu pai, desperta uma profunda crise política na ilha.
Gostei muito da sequência inicial, repleta de ação e de efeitos especiais muito bem feitos. O reaparecimento de Isildur, que é o grande herói da Segunda Era, dá uma injeção de energia muito bem vida ao seriado e toda sua jornada aqui é bem interessante. Acho que a única coisa que puxa para baixo esse núcleo é a relação entre Theo e Arondir com todo o papo batido de “você não é meu pai” – o que provavelmente é efeito colateral da morte inexplicável da mãe, que só pode ser resultado de problemas da produção com a atriz.

A atenção dessa trama é dividida, justamente com Númenor. A elite local está indignada com a campanha na Terra Média e a oposição à rainha cresce; as coisas caminham rapidamente nessa trama, o que é muito bom para a série, que tinha grandes problemas de ritmo, entretanto, parece que não foi bem aceito por público e crítica, que acharam tudo muito corrido. Entendo, mas acho que o erro aqui não foi de encaminhamento, mas no próprio roteiro, que acabou por deixar espaço apenas para a insatisfação ser manifestada pelos que perderam familiares na derrota em Mordor.
Com esse foco, fica realmente estranho que, em dias, aconteça tudo que aconteceu. Mas, como já sabíamos da temporada anterior – faltou evidenciar melhor neste episódio em específico – a oposição a ela já era antiga por uma série de razões atrelada ao isolacionismo de Númenor, e a crise atual foi apenas a tempestade perfeita para a oposição. O que rende um final – na ilha e também em Eregion com a chegada dos anões – muito bom e muito instigante que nos deixa com muita vontade de ver o próximo episódio (coisa que estava faltando nos anteriores).
Muito Bom (4,5/5)
S02E04: Eldest – Deixando as tramas políticas de lado, voltamos a acompanhar os Elfos, liderados por Galadriel e Elrond, que tentam chegar até Eregion mas enfrentam muitas dificuldades. Ao mesmo tempo, no sul, os refugiados saem em busca para salvar Theo e podem estar enfrentado um perigo ainda desconhecido; já, no leste, o trio foi separado: as pés-peludas encontram uma outra civilização, e o Estranho encontra um dos personagens mais importantes de todo Tolkienverso.
Apesar de não voltar para resolver os ganchos deixados no capítulo anterior, este aqui consegue manter ainda uma grande energia e tensão através de uma porção de desventuras em viagens e a introdução de novos personagens e raças. A batalha dos elfos com o fantasmas é de uma beleza excepcional, que efeitos visuais lindos; já no sul não é tão marcante assim, mas rever aquela determinada espécie de novo é bem legal. No geral, esse conceito de toda a Terra Média sentindo o despertar de Sauron é muito interessante – e é a principal contribuição do episódio.

Já, para os lados de Rhûn ,temos muita polêmica. Se, por um lado, a apresentação de uma raça parente dos pés-peludos foi muito legal – a apresentação daquela vila parecia sair de um JRPG – mas, por outro, aparição de Tom Bombadil, dividiu totalmente os fãs por simplesmente estar lá. Sinceramente eu acho que foi feito o melhor possível com esse personagem, que não têm função alguma; se essa é a sua graça, também é maior entrave para sua adaptação – deliberadamente deixada de lado até agora.
Acredito que tudo está se conectando muito bem nesta temporada, e este episódio é uma grande amostra disso; ao introduzir novos personagens mas ainda de forma sóbria, ao mesmo tempo que nos presenteia com grandes aventuras.
Muito Bom (4/5)
S02E05: Halls of Stone – Com a ajuda do seu novo anel do poder, o Rei Durin III consegue contornar a crise em Khazad-dum, reestabelecendo os dutos de luz e encontrando novos veios de minérios a serem explorados. Apesar da prosperidade, algumas decisões do rei passam a ser contestáveis; e a crise política se espalha na Terra Média: em Númenor, o novo rei decide iniciar uma perseguição política aos legalistas e, em Eregion, Celebrimbor está cada vez mais errático sobre fazer ou não os anéis para os homens.
São três linhas de estórias diferentes e as três conseguem caminhar bem; a série melhorou muito sua capacidade narrativa – vi até críticos reclamando que está indo rápido demais para uma obra do Tolkien, ah, façam-me o favor – e todas com momentos muito tensos e, especialmente, todas rimando umas com as outras (todos os governantes estão em crise de legitimidade). Isso dá liga e torna tudo fácil e prazeroso de assistir.

O que eu acho que está ficando quadrada é a trama envolvendo a confecção em si dos anéis. Celebrimbor, é, disparadamente, o pior personagem do seriado e está puxando todo o núcleo pra baixo. Indeciso, inseguro, mas são comportamentos despertados por ser muito mal escrito (e mal interpretado); estava mentindo pra todo mundo para continuar fazendo os anéis, mas, agora decidiu parar.
Acabamos caindo, novamente, em vai-e-vem para consertar essa mudança de rumo e fazer a trama andar. Os roteiros estão começando a abusar de Sauron que está precisando se comportar de forma mundana (tá até dando em cima da encarregada da forja). O final do episódio se mantém em alto nível a ser muito instigante, mas a conversa entre Elrond e Gil-Galad é incompreensível, abusando de falas lacunares.
Muito Bom (4/5)
S02E06: Where is He? – Enquanto Adar e Galadriel têm profundas discussões sobre os problemas e o futuro da Terra-Média, as crises políticas se agravam em todo o continente. Em Númenor, continuam as perseguições políticas aos opositores, agora com um julgamento ancestral; o príncipe Durin desesperadamente tenta impedir a mineração de Mithril; e, em Eregion, perdido em seus pensamentos, Celebrimbor deixa a cidade ser administrada por Sauron.
Em Eregion, finalmente, vemos Sauron usando seus poderes de dissuasão em uma das melhores cenas da série – mas, de novo, Celembrimbor é um personagem horrível. Ainda mantendo um grande ritmo, o episódio continua muito interessante, mas temos algumas patinadas. As conversas entre os elfos corrompidos, em diferentes graus, por Sauron são excelentes – o personagem de Adar é o melhor dentre os originais do seriado – mas, no final, não serviram de muita coisa; o plano já era aquele lá mesmo desde sempre.

Patinamos também em Númeror: uma trama que, na hora, minha esposa comentou que estava com cara de Game of Thrones, e, de fato, foi a opinião da crítica internacional. Acho que é um elemento legal para dar uma apimentada no universo de Tolkien – e é condizente com a estória daquela cidade – mas tá com cara de vai-e-vem de novo. Como a série tem dificuldades de sair desse problema narrativo! Parecia que Pharazon tinha já tudo sobre o controle, mas, de repente, a rainha já está legitimada de novo. Por que isso tudo então?
Algo que está me irritando um pouco são os diálogos lacunares, que já estavam aparecendo no capítulo anterior e retornam aqui: se o relatório entre Gil-Galad e Elrond não fala exatamente o que quer dizer; Galadriel e Adar também fecham o episódio também da mesma maneira. Sem contar que Tom Bombadil é o mestre dos diálogos vazios (embora neste episódio, em específico, ele, tem algumas falas mais diretas). Já há muita tensão e crise no ar pelos eventos que estão discorrendo; parece apelativo usar esse recurso para aumentar a incerteza.
Bom (3,5/5)
S02E07: Doomed do Die – A grande batalha por Eregion iniciou; e ambos os lados, no fundo, querem sua destruição. Enquanto Sauron apenas deseja ganhar tempo até a finalização dos anéis – o que fica cada vez mais difícil, pois Celebrimbor começa a perceber algumas coisas estranhas – Adar usa de várias estratégias para atacar a cidade. Enquanto isso, os elfos tentam negociar uma aliança com os anões para essa luta, muito embora os “pequeninos” tenham seus próprios problemas.
Apesar de algumas cenas em Khazad-dum, todo o episódio se passa em torno da cidade élfica, e o seriado consegue estar em seu auge, tanto em narrativa – ao ficar focado – e, especialmente, em visuais. As cenas das batalhas são todas magníficas. E, muito importante, compreensíveis. A diretora, a sueca Charlotte Brandstrom, não é tão experiente com trabalhos dessa magnitude, mas parece que nasceu para isso. É tudo bem encaixado e organizado, as cenas nunca ficam confusas – um risco grande em episódios desta natureza.

Os elfos não são burros, mas o que rouba a cena são os vilões ainda mais inteligentes. Sauron agora, sem qualquer máscara ou limitador, de fato é o ser extremamente poderoso, maligno, dissimulado e ameaçador, tal como nas cenas de tortura. Mas descobrimos, desta forma, como ele precisa sempre esconder sua força para efetivar seus disfarces (o que engrandece o personagem), e Adar, que consegue levar a batalha a seu favor num misto de força bruta e estratégia.
O ponto mais controverso do capítulo é justamente na reunião entre o Uruk e os líderes élficos. O beijo entre dois personagens é realmente estranho e muito óbvio como distração, o que contribui negativamente pra compor a cena; que deveria ser um ponto alto: Adar acredita ter os meios para derrotar Sauron mas os elfos, arrogantes, são irredutíveis. Não precisavam aceitar os termos, mas poderia ter saído algum compromisso entre eles por lá – o que, com o final, parece que fará com que todos paguem o preço.
Excelente (5/5)
S02E08: Shadow and Flame – Com a cidade tomada, resta aos elfos tentar evacuar o máximo de habitantes o possível. Entretanto, ao termos todos os protagonistas no mesmo lugar, algumas conclusões e grandes desfechos começam a acontecer. Ao mesmo tempo, também temos fechamentos e desdobramentos nas tramas em Khazad-dum, Númenor e no Leste.
Não teria como fugir disso, após todo o foco nas batalha de Eregion, o seriado precisaria retomar outras coisas que estavam paralisadas para encerrar a temporada. E poucas são bem feitas. A começar pelo que ficou ótima: a luta entre Durin e o Balrog foi belíssima e o desfecho dos anões no geral satisfatório. Já em Rhûn, as coisas conseguiram ficar corridas e óbvias ao mesmo tempo e a trama pareceu relativamente desnecessária – já que a “revelação” era tão óbvia que deveria ter sido feita antes (eu tinha certeza absoluta que não seria aquela pessoa, de tão óbvio).
Mas em Númenor, temos o grande fracasso: caímos em mais um vai-e-vem. Miriel tinha reconquistado apoio, agora não o tem mais, e seus apoiadores precisam fugir. Por sua vez, a retomada da colonização da Terra Média pelos altos-homens é legal, uma importante reviravolta para o povo de Pelargir, mas incoerente, uma vez que a rainha teria sido derrubada por sua incursão por lá; seria o caso de algo melhor desenvolvido. A oposição a Miriel seria não contra sua belicosidade, mas por não ter sido uma campanha “imperialista” para dominação dos baixos-homens. Muito inteligente, mas não bem desenvolvido.

Felizmente, as coisas terminam de forma muito interessante no núcleo élfico, tudo bem intrincado e com cenas marcantes: a tortura de Celebrimbor e a redenção de Adar me deram arrepios. Além de uma luta muito bem coreografada entre Galadriel e Sauron – novamente, a direção foi primorosa, tudo muito organizado. O que me pegou foram alguns personagens que deveriam estar mortos, apareceram vivos (Arondir e o mensageiro de Elrond).
Mas, apesar de ficar triste com o destino de vários personagens, foi um grande encerramento de temporada – com exceção do núcleo de Númenor.
Muito Bom (4,5/5)
Melhor Episódio
Doomed to Die – Um episódio inteiro dedicado à Batalha de Eregion, com resultado digno dos filmes originais. Todos os envolvidos são inteligentes, fazendo com que toda a luta sempre seja tensa e imprevisível mesmo com o resultado sendo conhecido). Os efeitos especiais são ótimos, intercalando maquiagem, efeitos práticos e CGI; além do bom uso de figurantes e extras. Coroado por uma direção excelente que consegue deixar sempre claro o que está acontecendo, mesmo diante de uma grandeza como aquela.

O final através de Shadow and Flame é um ótimo encerramento, com cenas marcantes, mas que patina no que envolve Númenor.
Pior episódio
Where the stars are strange – A maior parte dos problemas narrativos que vimos na primeira temporada foram retrabalhados aqui e tivemos uma edição com uma qualidade bem acima. Mas quase todos reapareceram neste capítulo, que me desmotivou a continuar assistindo e fiz uma breve pausa para retomar. Assim que a trama se abre, temos novos vai-e-vem, com Elrond recusando um convite para aceitar depois, ou uma personagem que se separou do grupo o encontrando aleatoriamente depois. Ainda assim não é um episódio ruim, especialmente com o belo começo recapitulando o “renascimento” de Sauron.

Problemas narrativos também pontuaram Where is he?, com o núcleo de Númenor apresentando sérios problemas para avançar, ficando perdido ao tentar emular Game of Thrones, cria uma trama de intriga política que anda mas não sai do lugar.
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