Arquivo X – 4ª Temporada (episódios)

Arquivo X


S04E01: Herrenvolk – Fugindo do caçador de recompensas, Mulder, acompanhado de Jeremiah Smith vão até uma remota localidade no Canadá, onde encontram uma estranha plantação de flores – e tem alguma coisa a ver com abelhas.

O enredo é competente em dar a sensação de que os agentes subiram de nível em sua investigação, que atravessaram mais uma camada do mistério. Entretanto, esse mistério leva praticamente a só mais dúvidas, como isso irrita – especialmente aqui, quando o roteiro cria desafios enfadonhos na jornada de Mulder para prolongá-la, como acabar a gasolina, sem nos dar muito em troca.

Algumas coisas mais importantes já sabíamos, como o referente às clonagens, há algumas novidades referentes a papéis para eles, mas as abelhas ainda não tem exatamente o propósito encaminhado. O final, todavia é muito bom e fecha um belo arco de um personagem muito legal, e já introduzindo outro com o mesmo propósito ao lado de Mulder.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S04E02: Lar – O famoso (e famigerado) episódio banido da exibição na TV aberta, tendo passado apenas na estréia e depois jamais repisado: um grupo de crianças descobre o cadáver de um bebê enterrado, numa minúscula cidade do interior. O recém nascido fora morto na noite anterior por seres humanos de formas bizarras.

De fato, é um episódio muito bizarro, com o perdão do pleonasmo, e com temáticas bem grotescas girando em torno de incesto; além disso, somos apresentados a cenas violentas e personagens horrorosos – no geral, é tudo de muito mal gosto. Ainda assim, tem seus méritos. É muito assustador e o uso da violência mais gráfica tem seu valor, pois ela não é atrelada a comportamentos de ódio e sim ao grau de selvageria daqueles seres.

Entretanto, o foco nesses aspectos claramente sobrepõe o roteiro. Nada faz muito sentido, as ações dos vilões não têm uma motivação clara – a justificativa de que eles buscam reprodução não se sustenta (por que só com determinada personagem, então?). O resultado é um exemplar de Arquivo X que busca impactar mais pelas imagens que pelo argumento por trás, algo que será o tom desta temporada.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S04E03: Teliko – Misteriosamente, uma série de homens negros estão sendo assassinados e encontrados sem nenhuma pigmentação na pele. A resposta parece estar num vôo vindo de Burkina Faso. Apesar de uma inteligente ligação com a nova personagem de Marita Covarrubias e sua posição na ONU, o capítulo é fortemente estereotipado – especialmente na trilha sonora – e sem muita inspiração.

Já é uma temática que se tornou recorrente no seriado: o monstro da semana que precisa matar para sobreviver. Para conter alguma energia, uma história que parta desse argumento precisa de inovações – e poucas são trazidas aqui. Além do uso de certa habilidade para imobilizar as vítimas, os poderes do antagonista são próximos daqueles do icônico Eugene Tooms, que partia desse mesmo princípio.

Algumas características de folclore do monstro são relativamente interessantes e não vou negar que vendo nos anos 90 acharia muito legal, mas hoje já são estereótipos muito fortes das culturas africanas que causariam mal estar. Um grande problema está na performance do ator na pele do antagonista, que mal pronuncia uma fase inteira. Se isso foi problema no casting, pegando um ator que teria habilidades circenses para fazer algumas cenas, e mais fraco na interpretação; tudo bem, um erro honesto. Todavia se foi uma opção de direção e roteiro, é fortemente condenável, reforçando uma visão dos africanos como menos civilizados.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S04E04: Tumulto – Logo antes de ser sequestrada, uma jovem acaba tirando fotografias deformadas muito estranhas, e que não correspondem ao momento registrado, e Mulder suspeita que esse fenômeno tenha alguma relação com o crime. Muito datado, este episódio é um dos que se concentram em lendas urbanas dos anos 90, vários foram os programas do Ratinho dedicado a questão de mensagens e coisas escondidas em fotos.

Ainda assim, graças uma boa direção, que consegue criar medo em quase todas as cenas, e à performance do ator convidado para ser o antagonista, sempre certeiro ao interpretar pessoas disfuncionais, o capítulo tem alguns méritos. O roteiro parece que tem um bom argumento, mas alguma coisa se perde no meio, em um momento estamos discutindo possibilidades e poucas cenas depois já Scully apresenta conclusões ao próprio vilão, mas todas de forma lacunar, sem explicar exatamente o que ela estava querendo dizer.

A impressão é que ela estava blefando, mas ao final, em um monólogo ela diz que entendeu tudo… faltou explicar pra gente. No fundo, provavelmente o roteiro tentou se ambicioso ao apelar para temas muito pesados, e de mau gosto – pedofilia – mas faltou coragem para realmente chegar lá.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S04E05: O campo onde morri – Vidas passadas, cultos religiosos, almas gêmeas, múltiplas personalidades…. de tudo um pouco você vai encontrar aqui, neste capítulo in media res, com a história já começada. Os agentes são chamados ajudar num caso do FBI em um complexo pertencente a um culto, que é acusado de guardar armas ilegais. A polícia não encontra as armas, então é necessário olhar por caminhos não muito convencionais para essa busca; a especialidade de Mulder e Scully.

A coisa vai começando de uma forma sólida, mas quando você se dá conta, temos ali meia dúzia de argumentos diferentes tentando fazer sentido; e eles até conseguem, mas sem necessidade para tanto.

A atriz convidada tem um peso enorme nas costas já que metade dessas dezenas de premissas está descarregada nos ombros dela; e ela não vai mal, mas, novamente, não precisava – uma das encarnações dela é extremamente caricata. Por outro lado, um momento muito fraco, ainda que comovente, pois apresenta uma bonita informação sobre a relação de Mulder e Scully, é exatamente a sessão de hipnose a qual ele se submete. Nela, para forçar o drama, ele está consciente e hipnotizado ao mesmo tempo, explicando para nós o que ele está vendo e as analogias possíveis, o que elimina completamente coerência interna.

Depois disso, descambamos para um melodrama raro em Arquivo X, que rende monólogos tediosos e, em especial, uma espécie de ressureição temporária de uma personagem em uma cena sem o menor sentido.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S04E06: Sanguinário – Bastante gore nesta temporada de Arquivo X; aqui vamos acompanhar o estranho caso de médicos que, em momentos letárgicos, assassinam seus pacientes sem a menor explicação, e a coisa começa em uma ala relativamente tranquila, uma dedicada à cirurgia plástica.

Sei lá como isso acaba parando em uma trama de bruxaria com algumas curiosas referências “históricas”. Apesar de mau recebido na época pelo excesso de violência, e alguns momentos de incoerência no roteiro, o resultado eu particularmente achei interessante, gostei do capítulo, especialmente pelo seu ritmo e visuais.

Há um bom plot twist em sua metade, quando percebemos que o foco dos agentes está na “objetivo” errado – mas saber disso enfraquece muito a experiência se você já sabe do que se trata (para variar, a sinopse normalmente já contém essa revelação). E o final é frustrante, mas em bom sentido, com um desfecho amargo.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S04E07: Reflexões de um fumante – Os pistoleiros solitários conseguem acesso a uma das histórias misteriosas de todo o Arquivo X e da Ficção Científica: o passado do Smoking Man ou Canceroso. Este episódio é inteiramente dedicado ao personagem e suas “memórias”, os agentes apenas aparecem como vozes.

Sua estória começa com alguns lugares comuns e clichês, ainda que encaixando muito bem com a pegada tanto da série quanto do personagem. Entretanto, chegando ao final do capítulo, sem revelar mais que o necessário, entendemos muito bem o porquê dessas coisas absurdas devido à natureza daquelas memórias. Um dos capítulos mais únicos e mais legais de todo o seriado.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S04E08: Tunguksa – Um dos mais famosos e odiados antagonistas de Arquivo X retorna para este capítulo duplo do arco principal: Krycek – e se você tiver afiado na memória, vai lembrar que ele carrega outra coisa consigo. Usando da nova abordagem global da série, Mulder e Scully estão tentando encontrar explicação para um pedaço de meteorito que foi levado aos EUA por um anônimo com papéis diplomáticos.

Como sempre, partido de um evento misterioso real, a suposta queda de um meteoro da localidade de Tungunksa, na Sibéria – suposta porque não se sabe exatamente o que houve, mas resultou em uma explosão que atingiu mais de 2 mil km² – as coisas vão levando algumas cenas bem legais, como a viagem a um Gulag, e tensas, como a experiência de um cientista.

Especialmente já tendo em vista o resultado na sua continuação, as coisas acabam andando meio de lado, mistérios são descobertos dentro de mistérios. Aqui o enredo tenta se passar por um “filme de espiões” com a escala internacional, o que é divertido, mas algumas opções, como toda a trama envolvendo a “CPI” na audiência e a investigação sobre a morte no apartamento de Skinner, dão uma sensação de que enrolaram a trama mais que o necessário para esticá-la por duas partes.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S04E09: Terma – Mulder se tornou prisioneiro em um Gulag na Rússia e precisa achar um jeito de escapar, enquanto isso, Scully e o diretor Skinner tentam fazer o possível para desvendar o mistério do que vem ocorrendo ao mesmo tempo que precisam enrolar os parlamentares envolvidos na investigação – algumas explicações sobre o que é o “câncer negro” precisam ser dadas.

O capítulo criou muita expectativa sobre o quase-companheiro de cela de Mulder mas no final, serviu para coisa muito pontual e sem segredo. Toda essa trama para possibilitar sua fuga do campo de prisioneiros achei sem sal, feita por necessidade do roteiro para encaminhar os eventos – tanto é que o retorno do agente para os Estados Unidos é simplesmente ausente do episódio, numa cena ele já aparece no lugar certo e na hora certa. Mas o grande problema acaba por ser, como é costumeiro de Arquivo X, as explicações tortas; esse óleo negro são os alienígenas de antes? É uma tentativa de reprodução por parte dos humanos? É uma arma química? Krycek não estava “contaminado”? O enredo poderia ser menos convulsionado se os elementos envolvendo a médica e os idosos fossem mais bem distribuídos entre este e o capítulo anterior.

O episódio compensa, há outras coisas muito legais: a trama envolvendo a médica e os asilos, que acabei de citar, o assassino da KGB, um ponto fraco de um dos integrantes do sindicato, e, claro, os camponeses russos que acharam uma forma de se precaverem de serem submetidos aos testes é uma das coisas mais legais do seriado.

Avaliação: 4 de 5.

S04E10: Corações de Papel – Mulder está tendo recorrentes sonhos bizarros que parecem apontar para uma localização específica; um dia ele decide seguir essas pistas e acaba encontrando um cadáver. Observando as evidências, descobre que essa é uma vítima até então desconhecia de um serial killer que ele ajudou a prender há alguns anos.

Este episódio se torna marcante pois acaba envolvendo-se com o mistério do desaparecimento da irmã de Mulder, e o enredo ganha tons bastante pessoais entre o protagonista e o antagonista. O problema é que nós sabemos que tudo aquilo ali é falso porque é se trata da história principal do seriado e não seria resolvido desse jeito. Infelizmente perdemos muito tempo sobre saber se aquela versão é não ou verdadeira, sendo algo tão óbvio.

A jornada do capítulo, por outro lado, é sempre tensa e te deixa na ponta do sofá por toda sua extensão – parece até mais longo que realmente é, em um bom sentido. Mulder descobrindo as peças do quebra-cabeças e sua desilusão por ser algo tão “normal” como resposta é muito intenso, assim como a busca final pela garota. Uma pena que poderíamos saber sobre os poderes do vilão com maior antecedência e sua capacidade ser mais explorada, ao invés da tentativa de nos convencer sobre ser ele ou não o responsável pelo desaparecimento de Samantha.

Avaliação: 4 de 5.

S04E11: El mundo gira – No meio de uma comunidade pobre de imigrantes latinos, um estranho fenômeno leva à bizarra morte de uma jovem com seu rosto deformado – mesmo destino de uma cabra. As autoridades locais, acostumadas com a imigração ilegal não querem levar nenhuma investigação adiante, entretanto, nossos heróis decidem entender melhor o que houve… uma coisa leva a outra e Mulder parece se deparar com a lenda do chupacabras.

Continuando com uma temporada com efeitos visuais bastante impactantes – gore dentro dos limites dos horários originais de exibição, domingo as 21:00 – nesta história temos cenas muito boas e audaciosas, como dos rostos desfigurados e do crescimento rápido de fungos. Há uma “crítica social foda” feita que é pertinente, e provavelmente não era muito comum na época.

Entretanto, como mistério é totalmente sem pé ne cabeça. A conexão com o chupacabras fica só no nome, a mutilação de animais, que seria a base desse folclore latino, é presente só no teaser, este que, por sua vez, coloca elementos de chuva ácida e clarões totalmente aleatórios. Conforme as coisas vão “se explicando”, com muitas aspas, elas vão fazendo menos sentido e ficando mais distante do mito original – fungo, pé de atleta, herança genética, seres imortais, imigração ilegal, irmãos disputando uma mesma mulher… até para os padrões da série é confuso.

Avaliação: 1.5 de 5.

S04E12: Leonard Betts – O melhor paramédico da cidade, capaz de fazer procedimentos e diagnósticos inexplicáveis, morre após um grave acidente de trânsito, no qual acaba sendo degolado. Todavia, poucas horas depois, seu cadáver some do necrotério do hospital; nossos heróis decidem entender essa situação.

Uma temática recorrente (e que raras vezes falha) está presente aqui; o monstro que precisa se alimentar de coisas horrendas e precisa fazer o mal aos outro sem querer – tentando não revelar muito do enredo – e mais uma vez é um acerto mesmo sendo a segunda vez em poucos episódios. Uma virtude da temporada e deixar as situações que nos deparamos cada vez mais bizarras, inclusive graficamente, e sem fazer muito rodeio. Descobrir o seu alimento é maravilhoso – e serve para fazer um importante revelação do seriado.

Há alguns graves tropeços no roteiro – como Leonard decidir “”””””esconder”””””” sua nova identidade trabalhando no mesmo lugar, na mesma função de antes e com as mesmas pessoas – e algumas cenas sem muito sentido, como a idiota “fotografia de aura”. Mas é um episódio divertido e que acerta a mão na bizarrice. Curiosamente, é o capítulo mais assistido da história de Arquivo X por ter sido exibido imediatamente depois do Super Bowl de 1997 – ainda bem que foi esse aqui.

Avaliação: 3.5 de 5.

S04E13: Nunca mais – Mulder precisa tirar suas férias urgentemente, do contrário será prejudicado financeiramente e estará preso num mar de burocracia; antes de viajar, ele passa para Scully as orientações para continuar a investigação do caso que ele está trabalhando. Entretanto, Dana não está em plena saúde mental e, contrariada, decide embarcar nessa aventura solo que não será exatamente convencional.

Achei muito curioso que a ordem entre episódio e o anterior foi trocada na exibição – devido à questão do Super Bowl – pois ele se encaixa perfeitamente na fase da personagem de Scully após receber a notícia de sua doença. Seu comportamento desolado e rebelde consigo mesma é excelente e dá mais peso ao seu arco.

Como mistério e investigação, não temos tanta coisa interessante. Não há tanta extravagância e as coisas ficam relativamente bem explicadas dentro do que esperamos de Arquivo X – um tempero a mais poderia ser adicionado se Scully também tivesse algum tipo de efeito fraco da tinta alucinógena. Ainda, os diálogos ácidos entre ela e Mulder, sobre a mesa e o desenho animado, são bem divertidos. No geral, tudo funciona muito bem – ainda que não seria o caso se a ordem de exibição tivesse permanecido a mesma e o episódio perdesse a força da revelação anterior da protagonista.

Avaliação: 3.5 de 5.

S04E14: Lembranças da Morte – Após confirmar seu diagnóstico de câncer, Scully decide buscar respostas, ou ao menos conforto, com o grupo MUFON, encontrado pelos agentes no ano anterior, que reunia mulheres que teriam sido abduzidas; as quais também receberam diagnósticos fatais de câncer, sendo que apenas uma delas continua viva.

Um melancólico episódio no qual nossa protagonista decide encarar a morte de frente. Felizmente, não só ela não morre, claro, como a estória também cobre uma investigação sobre sua abdução: interesses por trás daqueles eventos e, especialmente, motivos e efeitos. É feita uma boa conexão entre eles e o arco principal do seriado, que fornece mais uma importante peça do quebra-cabeças sobre a clonagem e reprodução.

A abordagem sentimental têm seus altos e baixos, nos comovemos com Scully e sua mãe, e, especialmente, na relação com a última sobrevivente do grupo. Por outro lado, as narrações das cartas dela são bastante monótonas, deixando ainda mais lento a parte naturalmente mais devagar do enredo – que contrapõe-se a uma agitada sequência de invasão e investigação. Desconfiava desse arco do câncer de Dana, mas se mostrou uma importante etapa do arco principal.

Avaliação: 4 de 5.

S04E15: Kaddish – Um comerciante judeu é morto de forma torpe e cruel por um grupo de jovens anti semitas em Nova Iorque, entretanto, logo em seguida os assassinos começam a ser perseguidos e mortos um a um – a única evidência são as impressões digitais, exatamente as mesmas da vítima original, que descansa em seu túmulo. Um caso perfeito para o Arquivo X.

Se você já tem um pouco de contato com esse tipo de mitologia, infelizmente as coisas já se revelam quase que no próprio teaser. Entretanto, o capítulo se esforça para criar um mistério sendo revelado aos poucos, e é relativamente competente com as peças sendo distribuídas de forma gradativa com o caminhar da investigação.

Mas ainda assim, não temos nada demais. Se já souber do que se trata o monstro da semana, não sobra muita coisa – e, novamente, há sinopses que já entregam sua natureza. O capítulo precisa apelar a alguns clichês de um livro que entra em combustão instantânea à perseguições em ambiente escuros, e retratar os judeus como se estivessem praticamente vivendo no século XIX, para fortalecer seus laços “primitivos” e com a mitologia.

Avaliação: 3 de 5.

S04E16: Não Correspondido – Alguns generais do exército americano estão sendo mortos de forma inexplicável: a vítima estando sozinha, um homem subitamente aparece, atira e depois some. O diretor Skinner recebe a missão de desvendar este crime e garantir a segurança de possíveis próximos alvos.

O capítulo tem um grave problema logo de cara, seu uso catastrófico do recurso de in media res. Já somos colocados durante o teaser no meio de uma perseguição atrás do vilão, e inclusive já somos apresentados ao poder dele – e até mesmo sua fraqueza se você estiver atento. E o pior de tudo é que essas mesmas cenas são recicladas na seqüência final; nem para termos um diferente ponto de vista daquela perseguição, são exatamente as mesmas imagens.

Eu particularmente gostei tanto do poder do antagonista, bastante curioso, como do plano de fundo. Prisioneiros de guerra no Vietnã escondidos pelo governo, generais corruptos, o Arquivo X sendo utilizado por seus pontos fracos e tumultuar a operação e até mesmo o passado de Skinner discretamente é parte importante. Uma pena que o episódio começa com o pé esquerdo.

Avaliação: 3 de 5.

S04E17: O Tempo Voa – Somos jogados direto em uma tensa sequência dentro de um vôo comercial, um jovem está sendo perseguido por um mau-encarado armado; mas tudo é interrompido por luzes estranhas no céu. Algumas horas depois esse avião cai e o Arquivo X decide também ajudar na investigação dessa queda após serem procurados por uma parente das vítimas.

A sequência inicial é muito boa, já te deixa na ponta do sofá – especialmente se você reconhecer o personagem que está viajando amedrontado. O que chama a atenção logo de cara é a produção deste episódio, são todas cenas ótimas, cenários maravilhosos – tudo envolvendo o local do acidente é muito bem feito em cenas grandiosas; a busca do relógio dos cadáveres é muito boa.

A tensão nunca pára desde os primeiros instantes, há algumas pausas para explicações e seguir com os eventos adiante, mas é muita tensão do início ao fim. Mesmo cenas exageradas como a perseguição na pista de pouso, são divertidas; entretanto, assim como a segunda parte, é uma história muito mais dedicada à ação do que a muitas explicações – o que não necessariamente é algo negativo.

Uma das coisas tida como o ponto fraco do capítulo, eu tenho como algo interessante: essa é uma das poucas vezes que a conspiração para acobertar algo tem esse “algo” a mostra. É algo que tira a ambiguidade dos personagens e dos próprios arquivos X, mas um importante passo adiante e uma forma de diversificar o seriado; tanto nessa pegada mais de ação como de não terminarmos com mais perguntas que no começo dele.

Avaliação: 4.5 de 5.

S04E18: Max – Após encontrar o inesperado em seu mergulho, Mulder é preso, ao mesmo tempo que Scully é alvo de um atentado contra a vida do controlador de vôo e uma triste vítima acaba sendo atingida mesmo não tendo relação com o caso. Depois dessa sequência de problemas, nossos heróis percebem que diante de tantas polêmicas, mortes e conspirações, uma “versão oficial” já foi divulgada pelas Forças Armadas.

No capítulo anterior, havia uma descoberta em disputa, os agentes precisavam resguardar as evidências, materiais e humanas, de modo a conseguir revelar a trama real. Aqui há uma interessante mudança de abordagem, eles precisam correr atrás para desmentir uma nova versão baseada, justamente, na deturpação das evidências que eles mesmo haviam descoberto. É um ritmo muito legal para essa dobradinha de episódios, funciona muito bem.

Uma questão interessante é como a trama se abre de forma a termos uma impressão de diferentes facções envolvidas na conspiração geral do seriado – não temos o Homem-que-fuma nessa treta toda, assim como não parecia que seria o caso de terem atacado os “visitantes”, e os eventos foram fruto de um erro dos envolvidos. Há algumas forçadas e pontos cegos aqui e ali, como a irmã que não é irmã, ou a correspondência que ninguém pensou em verificar, e, no fundo, o que ele carregava especificamente nunca é revelado e poderia ser qualquer coisa, mas o capítulo nunca perde energia – e o personagem de Max continuou muito carismático e marcante.

Avaliação: 4 de 5.

S04E19: Sincronia – Dois acadêmicos discutem calorosamente no meio da madrugada até serem abordados por um enigmático senhor idoso que desesperadamente tenta evitar que um dos dois seja morto em um bizarro acidente de trânsito – e ele parece ter informações sempre um passo adiante dos demais personagens.

Há uma única idéia interessante – um cientista arrependido de sua grande criação – e uma igualmente única cena boa – com a combustão “espontânea” de um corpo, mas, de resto, é um dos episódios mais sem pé nem cabeça do seriado; mesmo para os padrões de Arquivo X é uma viagem sem tamanho.

Entrando em detalhes maiores do enredo, avisando para revelações decisivas, todas as ações do “vilão” são idiotas; ele queria evitar a primeira morte, depois passa a querer que os demais morram – quase que inclusive a si mesmo – para que ninguém consiga desenvolver o trabalho, sendo que os dois que morreram teriam o mesmo papel, descobrir a farsa que levou ao financiamento, mas um deveria morrer e outro viver. Por quê? Um iria ajudar a finalizar o trabalho e o outro não, por quê?

As mecânicas temporais sempre são bizarras e pouco inteligíveis em qualquer peça de ficção, mas aqui é um degrau acima – ou abaixo. A relação da viagem no tempo com o fluído congelante, a noção de que não há como alterar o fluxo do tempo, ou mesmo a ideia de que a viagem no tempo iria se tornar algo super comum em poucas décadas e dominante no futuro, isso ao mesmo tempo nenhum outro viajante aparece para impedir o antagonista são algumas das contradições.

Avaliação: 1 de 5.

S04E20: Insignificância – Em uma cidade no interior da Virginia acabou de nascer o quinto bebê seguido com uma rara mutação genética; eles têm um pequeno rabinho. Uma coisa tão bizarra assim não poderia passar desapercebida por nossos agentes especiais que seguem até lá para entender essa estranha coincidência.

Um dos episódios mais engraçados de todo o Arquivo X, especialmente porque David Duchovny tem um ótimo desempenho para a comédia: ele realmente nos leva a acreditar que há outra pessoa incorporando Mulder. Os diálogos são bem escritos e há uma porções de situações cômicas e piadas que funcionam; mas isso ao custo de parecer que nada está sendo levado a sério.

Inclusive no que diz respeito ao grande problema do episódio; em que a situação inicial parte de um dilema moral que sequer é mencionado; o antagonista estuprou diversas mulheres usando seus poderes. Parece um episódio de meta-história, sendo contado por uma personagem que está inventando as coisas, no caso Van Blundht, que decide ignorar e relativizar vários dos problemas que ele teria causado (inclusive mostrando como no fundo ele tinha um bom coração), e é um dos únicos casos do seriado inteiro que a “paranormalidade” da coisa é aceita até mesmo nos meios oficiais, com uma prisão especial para ele, o que causa mais estranheza. Ainda assim, é bem divertido.

Avaliação: 4 de 5.

S04E21: Soma Zero – Em um centro de distribuição dos correios, uma funcionária sai para fumar e acaba morta. Vítima de um enxame de abelhas assassinas, sua morte entra diretamente no radar do Arquivo X, entretanto, há um agente obscuro que deseja impedir que essa morte seja investigada e quer apagar todos os rastros; ninguém menos que o Diretor Skinner.

Um dos capítulos mais singulares de todo o seriado; estamos acompanhando Skinner como protagonista e Mulder como coadjuvante – Gillian Anderson precisou de uma pausa para participar da produção de um filme – e, especialmente, vendo a rotina das pessoas que são mobilizadas para atrapalhar a vida dos nossos heróis. Gostei demais dessa combinação.

Criando um personagem extremamente tridimensional com o diretor, talvez o mais complexo entre os protagonistas, o roteiro é muito bom ao demonstrar as diferentes linhas de ação entre os envolvidos nesse mistério; Skinner quer investigar de um jeito, Mulder de outro, e os antagonistas impedindo ambos. Achei, por um lado, o episódio solto demais mesmo tendo conexões com várias tramas, as abelhas eram lá do começo da temporada, e não continuação imediata – a “conclusão” se dá no primeiro longa-metragem do universo de Arquivo X, ainda que, por outro, fortaleça mais ainda esses eventos como uma história única.

Avaliação: 5 de 5.

S04E22: Elégia – Instantes antes de ser brutalmente assassinada, uma jovem – ou seu fantasma – aparece para o dono de uma pista de boliche. A polícia investiga e conecta o homicídio com várias outras mortes, descobrindo um serial killer, entretanto, a aparição sobrenatural não é levada a sério até a chegada do Arquivo X.

Um dos episódios mais assustadores do seriado, mas de forma muito elegante, sem precisar apostar em jump scares e mesmo assim ser capaz de nos dar alguns sustos. Infelizmente o resto não acompanha muito bem, temos duas, ou três, tramas separadas que acabam carregando demais e nada fica bem concluído.

Há a investigação do serial killer, que é resolvida apenas por dedução já que, na realidade, pouco é revelado, informado ou descoberto envolvendo os assassinatos. O foco acaba sendo no personagem de Spuller, um autista, funcionário do boliche que nós sabemos não ser o assassino, mas vemos os policiais perdendo um tempo enorme com isso, apenas para nos irritar e para gerar furos de roteiro – ele conhecia toda as vitimas do boliche? ele estava sendo envenenado mesmo? onde levaria a trama dele decorar os jogos?

Além disso, há uma terceira linha narrativa, a que se usa muita energia, ao conectar a doença fatal de Scully com tudo isso. Em conceito, é tudo interessante e se você tiver muita boa vontade, as coisas parecem que se conectam, mas no episódio nada é desenvolvido ou concluído direito e parece que só existiu para novamente martelar a possibilidade de Scully morrer.

Avaliação: 2 de 5.

S04E23: Demônios – Mulder acorda sozinho em um quarto de um hotel fuleiro, suas roupas estão cheias de sangue e sua arma com dois tiros disparados. Ele não lembra de mais nada e a última vez que falou com Scully foi dois dias antes; cabe aos agentes tentarem entender o que se passou nas últimas 48 horas – e tem alguma a ver com espécie de sonhos lúcidos que ele tem dentro de suas memórias.

Começando um clichê muito surrado da ficção científica, o protagonista que acaba de cometer um crime mas não tem lembranças, o capítulo parece que vai revelar peças importantes do quebra-cabeças sobre o desaparecimento de Samantha Mulder, mas infelizmente não é o caso. Assim como no episódio anterior, a trama de fundo – o tratamento hipnótico e os suicídios – não consegue dividir bem o tempo e o foco com a jornada pessoal do protagonista.

Em conceito tudo deveria funcionar bem, assim como Scully ver os fantasmas na semana anterior, mas parece que nenhum dos dois enredos são devidamente desenvolvidos. Não entendemos se o médico tinha objetivos obscuros, o que era a tal lobotomia, como ocorreu o suicídio duplo, e não há grandes contribuições para o mistério da abdução da irmã de Mulder. Com exceção de bonitas seqüências de “sonho”, não chegamos “lá” em nenhuma das tramas.

Avaliação: 1.5 de 5.

S04E24: Gethsemane – Scully chega no apartamento de Mulder que está repleto de policiais, seu papel ali é identificar se o corpo do homem morto no meio da sala é o de seu parceiro. Somos transportados em seguida há alguns dias antes, quando um cientista contata Fox com a possibilidade de uma equipe de pesquisa ter encontrado um corpo de uma alienígena dentro de uma geleira no Canadá.

Este é o terceiro dos últimos 7 episódios a começar com um “flashfoward“, e o segundo em sequência – um recurso que se tornou repetitivo. O consecutivo também em que temos um mistério que sabemos que não será real com o mesmo personagem – Mulder não matou ninguém antes e nem foi morto agora, sabemos logo de cara que tudo será esclarecido em algum momento.

Da mesma forma, falta sutileza em muitos pontos; por exemplo, quando Scully entra no laboratório e encontra lá um tipo estranho, sabemos exatamente o que está acontecendo; o cientista que revela instantes de uma tragédia estar armado; diálogos todos sempre muito óbvios. O mérito do capítulo é realmente fazer você desconfiar de tudo por todos os lados, a cena da autópsia no cadáver é boa demais pra ser verdade, por exemplo.

Há algumas coisas inteligentes, como Scully melancólica sobre gastar seus últimos dias de vida atrás de mais um moinho de vento, mas já é algo que vem sido abordado também repetitivamente nos últimos episódios. Uma pena que uma temporada tão boa termine de forma tão fraca.

Avaliação: 2.5 de 5.

Arquivo X


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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