Mr. Robot: A Sociedade Hacker – 2ª temporada capítulo a capítulo

Desta vez, em uma temporada mais longa, com 12 capítulos, cada um recebe um sufixo de encriptações. Como vimos no post anterior, o começo e o final foram mais parados, especialmente o começo, mas com um miolo fantástico!

Quais foram seus episódios favoritos e quais os que foram menos interessantes para você nesta segunda temporada?


S02E01: eps2.0_unm4sk-pt1.tc – A temporada começa com um balde de água fria. Tirando um flashback, que confirma que Tyrell participara do hacking final, nada dos ganchos deixados no ano anterior foi explicado. Continuando a usar do recurso anticlimático, somos apresentados a um Elliot afastado do seu hacktivismo, tentando se livrar de Mr. Robot.

Ainda assim, a série mantém uma energia deslocando a tensão para dois núcleos; a investigação do FBI (no encalço de Gideon) e Darlene, que segue liderando a FSociety, numa seqüência muito legal da invasão de uma casa smart – que é quase um filme de terror para quem já tem medo dessas tecnologias. Um dos momentos em que a série brilha, aparecendo bem o tecnothriller.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E02: eps2.0_unm4sk-pt2.tc – Começam a aparecer os sinais de abuso do anticlímax. Enquanto Angela vai se transformando em uma pessoa extremamente desinteressante ao mesmo tempo Elliot luta para se manter longe dos computadores e de Mr. Robot. Nada parece caminhar e nem as respostas esperadas para os mistérios do season finale recebem qualquer pista. Tem início uma trama paralela envolvendo o casal Tyrell que mais uma vez será um elo fraco da temporada, contribuindo muito pouco para tudo.

Apostando em algumas cenas isoladas mais chocantes para conferir relevância ao capítulo, ele foi bem dispensável. Mais um episódio que poderia ser cortado e fundido com o próximo. Há um destaque, todavia, da morte cd um personagem que é extremamente comovente, não pela forma, mas pelo carinho que a série fez termos por ele.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S02E03: eps2.1_k3rnel-pan1c.ksd – Somos apresentados mais uma vez às alucinações de Elliot; é a fita de Demons, da temporada anterior, tocando novamente. Com cenas de vômitos, masturbações e coisas do tipo, é mais um episódio com pouca relevância apostando em cenas chocantes sem contribuição nenhuma para te manter interessado.

Além disso, há um monólogo de Elliot acerca de religiões que é mais um caso da série se achando muito mais inteligente do que realmente está sendo. Este capítulo é a junção de todos os pontos que considero fracos do seriado, um suco de pretensão. Um dos piores de toda a série.

Algumas peças começam a se mover, mas tão lentamente que tem um efeito contrário: o espectador não acredita que possa desembocar em coisas interessantes – felizmente ocorrerá totalmente o oposto.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S02E04: eps2.2_init_1.asec – O ritmo de movimentação das peças continua muito lento, e a sensação de progressão da trama está muito prejudicada. Isso ocorre por sucessivas frustrações que personagens sofrem em suas decisões: Darlene não consegue a ajuda de Elliot, Joanna Tyrell não consegue desvendar mais nada de seu marido, Angela não consegue impressionar o CEO da Evil Corp…

Subverter expectativas e criar frustração no espectador é um recurso narrativo que está na moda e costuma ter bons resultados, mas o momento não poderia ser pior após tantos episódios lentos. Parece que você assistiu tudo a toa. Toda série, seja de TV ou de livros, tem um capítulo que costuma ser um divisor de águas para separar quem pára ou quem continua a acompanhar. Acredito que para Mr. Robot tenha sido este.

Apesar de um clichê super cafona de partidas de xadrez consigo mesmo para atestar a inteligência do protagonista (embora aqui seja mais justificado pela presença de Mr Robot), é justamente a decisão final de Elliot em voltar aos computadores que salva a temporada e a série.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/3)


S02E05: eps2.3_logic-b0mb.hc – Finalmente o jogo começa a andar, este é o primeiro capítulo da temporada em que há progressão da trama, todos os personagens estão caminhando, mesmo nos núcleos mais lentos, como o de Angela que começa a se aproximar da FSociety. Na viagem à China descobrimos a identidade secreta da Whiterose e as implicações disso são tremendas. E lá temos um grande balanço entre tensão e ação que configuram uma energia alta que há muito Mr. Robot não apresentava.

Enquanto isso, a trama de Elliot ao cuidar do site de Ray recebe a injeção de suspense que precisava: voltamos a ficar na ponta do sofá conforme a coisas vão se desenrolado.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E06: eps2.4_m4ster-s1ave.aes – O começo do capítulo me fez temer pela série mais uma vez, injustamente, mas culpa do próprio seriado que nos fez passar por uma sequência interminável de episódios sem sentido. Desta vez, com sentido, Elliot alucina que está dentro de uma sitcom do início dos anos 90. Logo há uma explicação do porquê, relacionado a dinâmica entre ele e Mr. Robot, que é muito interessante.

Após este início, temos um novo flashback explicando mais do passado do protagonista, e a trama continua acelerando com relação tanto à investigação do FBI contra a FSociety e seu contra-ataque quanto às implicações do tiroteio na China. Após tantos episódios sem avanço nem ação, este deu um grande fôlego com um bom equilíbrio entre roteiro e “bizarrice”.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S02E07: eps2.5_h4ndshake.sme – Elliot está em plena forma neste episódio. Finalmente ele decide voltar ao hacktivismo e quer entregar Ray e seu site para as autoridades, fazendo as pazes com Mr. Robot. Enquanto isso nas outras tramas, pouco acontece, há mais bases sendo lançadas para eventos futuros – o fraco volta a ser o arco de Ângela, certas coisas aqui não farão a menor diferença no futuro.

De toda forma, o que rouba este capítulo e a temporada é a grande reviravolta do porquê Elliot se afastou dos computadores. Foi um momento único, sem dúvidas meu plot twist preferido de toda a série e marcará época. Diferentemente do anterior, sobre a natureza de Mr. Robot, este me pareceu mais cuidadosamente planejado e sem muito esforço é possível encaixá-lo perfeitamente em tudo que vimos até agora.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E08: eps2.6_succ3ss0r.p12 – Focado mais em tensão e mistérios futuros, este capítulo, por um lado, tira o pé após as reviravoltas do anterior, quando a dona da casa hackeada volta ao seu lar e a investigação policial parece apertar mais o cerco. Por outro, ele também tem uma função de frustrar as expectativas num sentido mais bem posicionado; o otimismo que temos ao terminar o último episódio aqui fica trêmulo.

Apesar de seus hacks terem dado certo até agora, e para Elliot a coisa estar caminhando, a partir do momento que Susan volta para casa, os heróis começam a ter suas habilidades colocadas em xeque. Eles não conseguem lidar com as situações que se apresentam e tudo o que parecia sob controle já não é mais bem assim, dando gás ao drama.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02R09: eps2.7_init_5.fve – Começando com um flashback que finalmente explica como Elliot foi parar onde ele estava, o capítulo continua criando a tensão de final de temporada com a perda de controle dos heróis sobre tudo o que está acontecendo. Descobrimos que em paralelo ao que a FSociety estava fazendo, um outro grupo hacker continua com seus planos e agindo por conta própria.

Não é de todo um episódio tedioso, mas volta uma sensação de que ele não era necessário. As informações que temos aqui poderiam ser diluídas em outros sem prejuízo.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E10: eps2.8_h1dden-pr0cess.axx – Como na temporada passada, o roteiro começa a se transformar nesta reta final para dar uma sensação de que todos estão encurralados, e, de novo, tudo é feito de forma muito competente. Elliot, Darlene, Angela, a FSociety, os próprios agentes do FBI, e até mesma a E-Corp estão ficando sem saída. Neste capítulo que finalmente a vilania do seriado começa a se transferir para outros personagens.

Todo o capítulo caminha para um sensação claustrofóbica, mas as cenas finais envolvendo a perseguição ao Cisco – sem ele saber – enquanto ele está no hospital são muito boas, intercaladas com a perseguição ao Tyrell, são a preparação para um desfecho fantástico; de cair o queixo.

Avaliação: 4 de 5.

Muito bom (4/5)


S02E11: eps2.9_pyth0n-pt1.p7z – Enquanto ainda nos recuperamos do atentado ao final do episódio anterior, neste aqui as coisas caminham mais lentamente. Os únicos avanços se dão no arco de Ângela, que realmente vinha sendo o menos interessante dessa reta final, seu encontro com a grande vilã foi inesperado e configurou uma importância para a personagem que não esperávamos.

Mas ao final, mesmo com um reencontro de um personagem que estava desaparecido, a sensação é que neste episódio tudo ficou na inércia, na “banguela”. Me pareceu uma quebra de ritmo muito acentuada. Particularmente havia até esquecido deste capítulo, para mim os eventos deles eram parte dos outros dois, anterior e posterior (e deveria ter sido o caso).

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E12: eps2.9_pyth0n-pt2.p7z – Finalmente descobrimos quais os próximos passos do hackcing – que desta vez está, mas também não está, alheio aos protagonistas. Uma saída muito inteligente. Enquanto isso, finalmente temos a conclusão de uma trama bem tediosa e que parecia ter sido esquecida; referente ao assassinato cometido por Tyrell na temporada anterior. Achei uma resolução um pouco forçada, mas esperta, e, justifica o tempo gasto com esse arco secundário.

Optando mais uma vez por um final anticlimático, o encerramento da segunda temporada contém muitas informações e ganchos para a próxima, sendo muito competente, mas por outro lado, em acontecimentos é um pouco oco.

Enquanto o anticlímax anterior ocultou o grande final e criou em mistério para o futuro do seriado, este aqui adiou seu grande final da temporada para a seguinte. Ao final, um gosto amargo de que foram 12 episódios de “transição” entre os 10 anteriores e os próximos 10, sem um fechamento específico para ela.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


Melhor episódio

h4ndshake – Sem dúvida sua reviravolta marcará época, é um perfeito episódio de Mr. Robot com todos seus elementos principais brilhando: tecnothriller e drama psicológico. Vemos Elliot atuando nos computadores, finalmente, e em uma situação muito tensa. Nós já sabemos o que os vilões podem fazer e, ao mesmo tempo, sabemos a necessidade do protagonista em salvar o dia; seja pela gravidade do que ele está combatendo quanto sua necessidade de fazer as pazes consigo mesmo.

A tensão não termina no hacking, ela persiste até os momentos finais em um crescendo que somos surpreendidos pela ação inesperada de um personagem e, por fim, a grande revelação.

Destaque para m4ster-s1ave, que, na minha experiência, foi o capítulo que salvou a série para mim. Estava prestes a desistir de assistir quando ele me chamou a atenção. Além da conclusão de h1dden-pr0cess, com uma cena final de cair o queixo numa lanchonete.

Pior episódio

eps2.1_k3rnel-pan1c – A temporada já começou com uma opção ousada dos produtores em não responder as principais dúvidas deixadas em aberto, o que frustrou a maioria da audiência. Os dois primeiros capítulos sempre pintam em listas dos piores da série. Injustamente, porque eles têm uma energia, mas este terceiro, especificamente, é uma bomba.

Assistimos a personagens se masturbarem, vomitarem, comerem seu vômito tudo isso sem o menor sentido ou direção.

Um amigo me fez uma bela crítica à resenha da temporada anterior: a bizarrice do Casal Tyrell era justificável para termos um retrato, sim, exagerado dessa “superelite”. Concordei com ele. Já nesta temporada, quando o mesmo disco começa a rodar, são os personagens mais fragilizados da trama, que ficam em uma posição ainda mais delicada.

Por fim, um monólogo de Elliot sobre as religiões é um grito de desespero do seriado: “me achem inteligente, por favor!!!“.

Este episódio tão ruim após uma seqüência sem grandes revelações ou informações deixa nossa tolerância muito baixa para os próximos capítulos, init_1 e logic-b0mb, que mesmo melhorando um pouquinho podem não ter sido suficientes para segurar boa parte da audiência.


Mr. Robot – A Sociedade Hacker

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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