Operação Massacre


Operação Massacre – Rodolfo Welsh

Tradução: Hugo Mader – Companhia das Letras

Data de Lançamento: 1957 – Minha Edição: 2010 (1972) – 282 páginas


Na noite de 9 de junho de 1956, um grupo de homens que estavam reunidos para escutar pelo rádio uma grande luta de boxe, em uma casa humilde na periferia de um município da Grande Buenos Aires, foram presos. Após passarem a madrugada na cadeia, ao amanhecer, foram levados a um terreno baldio numa região ainda mais periférica. Lá, foram executados.

Este acontecimento não se tornou conhecido. Naquela noite uma outra coisa dominou a opinião pública: em alguns locais da capital e La Plata houve uma séries de quarteladas. Levantes militares contra o governo argentino. Pouco mais de um ano antes, uma pretensa “Revolução Libertadora” depôs Juan Perón do poder, fechou o congresso e prendeu opositores, seguindo toda a cartilha para instalar uma ditadura.

Um grupo de militares leais ao peronismo realizou este levante, que foi rapidamente sufocado. Mas foi tudo tão rápido que houve poucos prisioneiros, e as lideranças não foram encontradas. Desta forma, precisava-se achar conspiradores para justificar tudo o que havia acontecido. Foi assim que a história da Argentina tropeçou na história dos doze homens reunidos ao redor de um rádio.

A casa de onde os 12 homens foram sequestrados e executados.

Após alguns dias, o General Juan Valle, líder do levante se entregou e foi executado. As autoridades então resolveram gerar a documentação oficializando os ocorrido: 31 pessoas foram mortas, supostamente tudo nos conformes, a Lei Marcial havia sido declarada por volta da meia noite daquele dia, legalizando execuções sumárias.

Rodolfo Walsh era um jornalista e escritor modesto que morava em La Plata e, por um acaso, estava na rua durante o levante e ao chegar em sua casa, próxima a um dos quartéis, ela havia sido utilizada por militares do governo como uma pequena base. Isso o fez se interessar por aquele movimento – ainda que simpático ao campo oposto. Alguns meses depois, jogando xadrez num bar, foi abordado por um militante peronista que sabia de seu interesse. Ele relatou que um dos executados, na realidade, estava vivo, residindo no interior anonimamente.

A partir daí o escritor se dedicou a uma intensa investigação. Descobrindo que mesmo dentro dos parâmetros da Lei Marcial, as execuções foram ilegais, e muito mais grave, sem a menor justificativa – nenhum dos presos estava envolvido com a rebelião militar.

Não fosse a investigação de Rodolfo Welsh nesta obra, todos os acontecimentos daquela noite não teriam mais registros que essas notas e matérias tragi-cômicas.

Ele publicou suas descobertas originalmente em artigos de um pequeno jornal interiorano e posteriormente compilados e adaptados neste livro, que foi considerado o primeiro romance de não-ficção conhecido. Está dividido em três partes: a primeira com um perfil muito íntimo e comovente de cada um dos doze presos; a segunda contando desde a prisão ao desenrolar dos eventos que levaria à execução; e a terceira com provas do ocorrido obtidas durante o processo oficial de investigação.

Mesmo com os limites de um pequeno jornal, os artigos de Welsh abalaram o governo. Ele conseguiu até mesmo que a ditadura admitisse a instalação de um inquérito e processo criminal contra os policiais e militares responsáveis pelo massacre. Juridicamente não houve condenação, mas o escândalo teve grande parte na perda de legitimidade do regime, que caiu menos de um ano depois.

Excelente (5/5)

Uma das obras mais fundamentais da história da américa latina; percursora de todo um gÊnero no mundo. um texto que fica entre o jornalismo e o romance numa leitura muito intrigante fruto de uma investigação sem igual.

A Revolução Fuziladora: não é exclusividade da Argentina a repetitiva ironia de ditaduras instaladas em nome da liberdade. Mas o regime que governou o país entre 1955 e 1958 provavelmente levou essa figura de linguagem ao limite quando se proclamou como a Revolução Libertadora. Após a repercussão da obra de Walsh, ainda durante seu vigor, ela passou a ser chamada de a “Revolução Fuziladora“.

Um dos antecedentes da “Revolução Libertadora” foi o Bombardeio da Praça de Maio, em junho de 1955, na tentativa de assassinar Perón e seu gabinete. 308 civis, entre transeuntes e funcionários públicos da Casa Rosada, foram mortos e outros 800 feridos.

Carta aberta de um escritor à Junta Militar: o autor originalmente era correligionário dos anti-peronistas e foi simpático à “Revolução Libertadora”, mas após sua investigação dos fuzilamentos, ele foi gradualmente se distanciando do campo direitista e fez parte de organizações radicais do país.

Em 1977, com 50 anos, decidiu distribuir em ônibus e no metrô um panfleto, escrito por ele, denunciando a ditadura militar que havia dado o golpe no ano anterior. Walsh alertava que, além da repressão ainda nascente, os militares tratavam com indiferença os trabalhadores e pobres da Argentina e que seu regime se demonstrou subserviente aos interesses internacionais.

No mesmo dia ele foi emboscado, baleado e seqüestrado, se tornando um dos 30 mil desaparecidos políticos da última ditadura argentina. A carta está impressa, na íntegra, no apêndice desta edição.


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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