Astrofísica para Apressados

Astrofísica para apressados – Neil deGrasse Tyson

Tradução: Alexandre Martins – Editora Planeta

Data de Lançamento: 2017 – Minha edição: 2019 – 190 páginas


Pessoalmente, creio que uma das funções mais nobres dentro do universo do ensino e da pesquisa é a do divulgador, aquele que se dedica a traduzir minimamente os debates científicos e acadêmicos para quem está de fora.

Uma ressalva que não compactuo com a versão que a pesquisa acadêmica, o meu mestrado ou seu doutorado, deve ser acessível para qualquer um – as funções e públicos desses textos são diferentes. O que eu acredito é na necessidade de, em outros textos ou mesmo em outras mídias, divulgar parcialmente essas conclusões para a sociedade no geral e tentar sair o máximo possível daquela panelinha do seus pares.

É o que Neil deGrasse tenta fazer não só aqui como em toda sua carreira mais recente.

Mas leiam novamente o título, o livro é um ensaio sobre a história da Astrofísica. Não é a história do espaço, da Terra, do sistema solar, ou da sua exploração. É a história de como descobrimos o que sabemos sobre esse tema, é a história desse campo científico.

Dada a complexidade dessa área de pesquisa há muitos momentos que mesmo com a infinita paciência e didática do autor, é difícil de entender, especialmente quando há fórmulas matemáticas (meu ponto fraco). No mesmo sentido, há alguns exemplos e analogias que ele utiliza que acabam dificultando ainda mais o entendimento. Isto porque são muito ligadas ao cotidiano do seu público original, os estadunidenses. Precisaríamos de analogias brasileiras das analogias americanas para entender.

Apesar dessa perda na tradução, que fazem esse recursos dispensáveis em certo sentido, são essas brincadeiras e piadas que dão um tom muito pessoal ao livro. É como se pudéssemos ouvir a voz do autor falando conosco (e em português!).

Excelente (5/5)

Uma grande e agradável viagem pela história desse campo da ciência, nos explicando, da forma mais didática possível, como ele se desenvolveu e como chegaram às principais descobertas e compreensões do espaço.

Raios IV e UV: o livro é repletos de anedotas das experiências clássicas que resultaram em grandes descobertas científicas. Uma das mais interessantes pela simplicidade de procedimento mas complexidade da conclusão foram a descobertas destes espectros de luz. Continuando do ponto conhecido, que era possível fracionar a luz do sol em um prisma, William Herschel, em 1800, decidiu medir a temperatura de cada faixa de luz refletida, chegando a conclusão que havia “cores” invisíveis mais quentes após o vermelho: os raios infravermelhos.

No ano seguinte, Wilhelm Ritter fez um experimento similar colocando o mesmo elemento químico (cloreto de prata) reagindo as várias faixas; percebendo que também o que estava além do violeta reagia de forma diferente; ele descobriu o Ultravioleta. O que isso tem a ver com astrofísica? As aplicações futuras do estudo desses espectros são bases do funcionamento dos telescópios espaciais.

Série Cosmos: talvez a obra mais famosa de Neil Tysson seja esta série documental; se trata de uma segunda edição da original concebida por Carl Sagan. Muitas descobertas narradas aqui, como a dos espectros de luz, também foram apresentadas lá.


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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