Arquivo X – 2ª Temporada (Melhor, Pior, Essencial)

Arquivo X


Melhor episódio:

Uma vida – o arco do desaparecimento de Scully foi improvisado devido à gravidez da atriz; quem dera todo o improviso saísse tão bem assim. Toda a trilogia referente a isso foi muito boa, e este final, seu ponto alto. Os dois primeiros tiveram alguns problemas, como a cena inicial de Duane Barry, que além da tosquice das fantasias dos alienígenas, já tomava partido por uma das versões sobre o antagonista no início, enquanto Ascenção, um dos melhores, bem completo, só pecou pela seqüências de ação no teleférico, mas é um dos mais emocionantes da série.

Pelo mesmo motivo, Uma Vida é tão marcante, poucas vezes vimos todos os personagens em momentos tão intensos. Todos estão no limite por conta da situação de Scully, e ela mesma, lutando pela vida. Os confrontos entre Skinner, Mulder, Sr. X e o Fumante são excepcionais.

Enquanto isso, Museu Vermelho é um episódio símbolo do seriado, por bons e maus motivos. Conseguindo misturar o arco principal, fechamento de personagens da temporada anterior, teorias da conspiração tanto mais realistas como mais absurdas, é uma quase perfeição… entretanto, muito complicado de se entender, sobrando até um sub-roteiro de pedofilia, precisava de mais alguns minutos de tela para uma explicação mais didática.

Colônia é excelente tem um grande desfecho do episódio anterior, mas sozinho não funciona tão bem, assim como Anazasi, que tem grandes elementos e abre a trama do arco principal em vários caminhos, mas é muito dependente das suas continuações.

Hospedeiro, que tem um dos monstros mais famosos da série, é com certeza um dos melhores de “monstro da semana”. Ossos Novos é um pouco menor em relação aos demais, mas é bem fechadinho e contém uma cena bem assustadora que vale o episódio.

Gostaria que fossem melhores: 1) Mão que fere, um episódio muito assustador que faltou um pouco de coerência interna sobre as motivações do vilão para se tornar perfeito; 2) Calmaria, começou ambicioso mas terminou com os personagens apenas esperando o resgate; 3) Luz Suave, se os poderes do antagonista fossem menos extravagantes, seria excelente; 4) Falsa Simetria, o argumento é muito inteligente, mas um confusão no desenvolvimento jogou pra baixo.

Pior episódio:

Três – Numa temporada bem sólida e regular na qualidade dos episódios, impossível que este não se destaque negativamente – e provavelmente um dos piores de toda a série. O argumento não é ruim e inclusive seria uma temática obrigatória de Arquivo X, o enfrentamento de vampiros.

Entretanto, todo o roteiro foi modificado para a inclusão de uma atriz que era a namorada de Duchovny a época, Perrey Reeves. Isso bagunça completamente a trama, que precisa criar uma justificativa para ela ser uma mocinha a ser resgatada por Mulder – ela segue os vampiros como vítima mas também como isca para atrair possíveis presas.

Além da bagunça na estória, temos muito tempo de tela dedicado ao romance dos dois. Começando por momentos bem patéticos de flerte, com um “Mulder canalha”, fora do personagem, a cenas românticas enquanto ele se barbeia. Uma oportunidade completamente perdida de explorar um episódio sem Scully.

Além disso, dois outros dignos de muita nota pelos motivos adversos; Excelsis Dei, que embora tenha um bom argumento, já começa errado do primeiro minuto na abordagem sobre o estupro sofrido pela enfermeira e termina pior com xenofobia, em narrativa foi o mais datado da temporada; e Os Calusari, que não é muito mais que uma coleção de clichês de filmes de terror.

Os essenciais:

Em uma temporada longa e com vários capítulos do arco principal é difícil montar uma seleção mais robusta para assistir, especialmente num ano com tantos grandes episódios. Começando justamente pela trama essencial da série, é necessário assistir Duane Barry e Ascenção, para entendermos o sumiço de Scully – se apenas quiser assistir Ascenção, a retrospectiva já dá conta – assim como Uma Vida, para explicar seu retorno.

O par Colônia e Fim de Jogo são indispensáveis pela introdução de dois personagens recorrentes, assim como por serem muito bons também. Por fim, Anasazi é fundamental para uma guinada muito importante da trama principal. (Exclui Homenzinhos Verdes, que apesar tecnicamente fazer parte do arco, não é nem genial nem contribui muito). Por outro lado, Museu Vermelho faz parte dele marginalmente, e é um excelente episódio.

Insônia não está entre os melhores, mas é bom, e introduz Krycek – assim como F. Emasculata, que se tem seus defeitos, é um com um dos argumentos mais realistas do seriado. Luz Suave tem uma premissa absurda, mas seu retrato do personagem do Sr. X é importante para a série.

Além deles, os melhores: Hospedeiro, com o horripilante homem-tênia, Ossos Novos, explorando o voodu, rende bons sustos.


Resumão do guia Caravela Espacial da segunda temporada:

Homenzinhos VerdesMuito Bom
O HospedeiroExcelenteMelhores / Essencial
SangueExcelenteDaria uma chance
InsôniaMuito BomEssencial
Duane BarryMuito BomEssencial
AscençãoMuito BomMelhores / Essencial
TrêsMuito RuimPior
Uma VidaExcelenteMelhor / Essencial
Caminhante de FogoBom
Museu VermelhoExcelenteMelhores / Essencial
Excelsis DeiRuimPiores
AubeyBom
IrresistívelMuito Bom
Mão que fereMuito BomDaria uma chance
Ossos NovosExcelenteMelhores / Essencial
ColôniaMuito BomEssencial
Fim de JogoExcelenteMelhores / Essencial
Falsa SimetriaMedianoDaria uma chance
CalmariaMediano
FraudeMuito Bom
Os CalusariRuimPiores
F. EmasculataMuito BomEssencial
Luz SuaveBomEssencial
Nossa CidadeMuito BomDaria uma chance
AnasaziExcelenteMelhores / Essencial

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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