Mr. Robot: A Sociedade Hacker – 1ª temporada capítulo a capítulo

Continuando a conversar sobre a primeira temporada desta série, vamos apontar e opinar sobre cada um dos capítulos. Uma característica muito interessante de Mr. Robot são justamente os títulos dos capítulos, escritos como arquivos de computador: neste ano, todos terminam como formatos de mídia.

Quais foram os seus favoritos e seus mais detestados?

S01E01: eps1.0_hellofriend.mov – O piloto, com muita energia, ritmo e empatia consegue apresentar todos os pontos principais do seriado. Introduz bem o arco do Eliot e ainda é capaz de injetar vários mistérios que serão abordados ao longo da temporada, conquistando definitivamente as pessoas para voltar a assistir. Também já deixa clara a mensagem de todo o seriado em criticar a cultura coorporativa que reina mundialmente.

A única característica negativa, que acaba sendo também de toda a série, é um excesso de exposição, por conta da opção de narrativa em primeira pessoa; mas não tanto sobre as ações do personagem, mas na questão das críticas sociais do seriado. Quando vejo esse tipo de exposição tão explícita assim, a impressão é de ser algo que se acha muito mais inteligente do que realmente é – pelo fato de precisar explicar literalmente o que quer transmitir, ao invés de, bem… transmitir.

Mas, ao final, um dos melhores episódios de toda a série; o momento de celebração na Times Square é marcante.

Avaliação: 5 de 5.

(Excelente 5/5)


S01E02: eps1.1_ones-and-zer0es.mpeg – Comecei com um pouco de má vontade com o capítulo, após o desfecho do cliffhanger (gancho) do piloto, que me pareceu forçado para tornar o protagonista ainda muito especial; a proposta é recebia após uma única ação do personagem. Mas, superado esse incômodo inicial, há já uma mudança significativa de tom do seriado, com uma abordagem mais sombria a partir de explorar mais a vida pessoal de Elliot.

Outros tantos pontos muito importantes da temporada, agora com um destino mais já amadurecido, são apresentados e fornece boas bases para os próximos capítulos – tanto na trama “grande” quanto no arco pessoal do protagonista.

Após intervir para a prisão do Vega, fornecedor da Shayla, por mais um capítulo, o “hacktivismo” do Elliot aparece com um efeito imediato, com um tom meio episódico, como num seriado policial; o que eu estava achando que formato da série. No geral, um capítulo também com energia e lançando as bases do enredo da temporada,

Avaliação: 4 de 5.

(Muito bom 4/5)


S01E03: eps1.2_d3bug.mkv – A partir deste capítulo acabei me frustrando de certa forma com a não repetição do tom episódico dos hackings, que parecia ser o tom que o seriado tomaria. No futuro não fará falta, mas neste momento foi um choque porque o ritmo de avanço da trama caiu significativamente, com o foco passando para o desenvolvimento dos personagens com algumas peças novas pontualmente se encaixando.

A bizarrice do casal Tyrell começa a ser apresentada, seja no sadomasoquismo ou no espancamento de mendigos, e pouco contribui durante todo o seriado para os arcos destes dois personagens. Ajudando a transforma-los em caricaturas ou esteritotipos, serão necessárias temporadas inteiras para desfazer esse mau entendido inicial. E isto me voltou a dar a impressão da obra estar se achando muito inteligente, com a colocação de coisas chocantes de forma explícita.

Avaliação: 2 de 5.

(Ruim: 2/5)


S01E04: eps1.3_da3m0ns.mp4 – É o capítulo da brisa. Com uma queda brutal de ritmo, pela primeira vez parece que estamos andando em círculos; pouca coisa, para não dizer nada, caminha. Novamente falta sutileza numa série tão bem escrita, perder quase todo o capítulo com a viagem de Elliot e ainda uma passada pela brisa de Angela não é um uso inteligente de tempo, tanto de tela, quanto seu de espectador. O aspecto de tecnothriller é praticamente ausente aqui.

Não há nada naquela viagem que interfira diretamente para o enredo. Felizmente, os últimos instantes mantém a atenção presa. Um dos piores capítulos de Mr. Robot e o pior da temporada. Ainda, tanto este, quando o próximo foi os que mais me pareceram inconsistentes com a revelação final da natureza de um certo personagem, as interações dele com os demais são possíveis, mas difíceis de entender sendo quem ele é.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S01E05: eps1.4_3xpl0its.wmv – Ainda se recuperando da perda de tempo do capítulo anterior, este já é bem melhor, com uma boa tensão durante a invasão da instalação da Evil Corp; destaque para uma idéia genial de como intimidar os funcionários do local. Nestas cenas, novamente a natureza de um dos personagens fica confusa no futuro, por conta de suas interações.

Ao mesmo tempo, o núcleo Tyrell continua extremamente maluco, nos fazendo perder tempo com um arco bem dispensável e que fará pouca falta no futuro. Enquanto o enredo da Angela continua meio tedioso, mas este é fundamental para o seriado. Ao final, o capítulo termina com um ótimo gancho.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S01E06: eps1.5_br4ve-trave1er.asf – Puro suspense. Elliot corre contra o tempo o capítulo todo para tentar tirar Vega, o fornecedor de drogas que ele havia entregado para a polícia no segundo episódio, da prisão. O desfecho de uma das personagens é um grande clichê, mas neste caso a jornada valeu pelo destino. Em especial a própria trama interna dos traficantes.

E pela primeira vez vemos os hackings de Elliot se virarem contra ele, o que é um traço importante para o arco do seu personagem.

Minhas reclamações permanecem idênticas ao capítulo anterior; muito tempo perdido com os Tyrell em mais bizarrices sem sentido (e sem efeito) e tédio nas sequências de Angela.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


S01E07: eps1.6_v1ew-s0urce.flv – Com uma abertura bem tocante, é estabelecido um traço que se tornará constante no seriado, prólogos feitos com flashbacks. Este primeiro, contanto sobre como Elliot e Shayla se conheceram. Mas além dessa inovação, é um capítulo que parece que tudo fica parado.

O resto das tramas lentas – Angela, Tyrell e Gideon – continuam caminhando a passos de tartaruga ainda que com um desfechos interessantes. Tudo o que ocorre neste capítulo e no próximo poderia ser facilmente colocado em apenas um; ritmo da série novamente fica prejudicado.

Avaliação: 2.5 de 5.

(Mediano 2,5/5)


S01E08: eps1.7_wh1ter0se.m4v – A partir daqui o enredo da primeira temporada começa a se fechar, e isso é perceptível com uma freqüente sensação que os personagens estão ficando encurralados: seja pela investigação em cima de Tyrell, quanto a de Gideon atrás de Elliot. E importantes revelações começam a tomar forma ao percebemos as conexões entre Angela e Darlene desde a primeira cena; além da introdução de uma personagem que se tornará central nas próximas temporadas.

Entretanto, o mérito de saber apresentar a trama se concluindo e as pontas se amarrando vem ao custo de outro capítulo extremamente lento e quase sem elementos do tecnothriller. O enredo deste poderia ser compactado e alguns pontos serem introduzidos tanto no anterior quanto no próximo.

Avaliação: 2.5 de 5.

(Mediano 2,5/5)


S01E09: eps1.8_m1rr0r1ng.qt – Acelerando o ritmo, este penúltimo episódio da temporada é muito competente em amarrar todas as pontas soltas desta primeira e já deixar implicações importantes para a próxima. A revelação principal da série, sobre a natureza de um personagem, é finalmente apresentada e muito impactante. Mudando completamente a forma como enxergamos a trama.

Olhando retrospectivamente, algumas interações desse personagem com outros parecem um pouco inverossímeis, mas não há prejuízo. E como toda a série é narrada em primeira pessoa, a linha entre o que é real ou não, é sempre tênue, afinal, estamos assistindo tudo através da ótica de Elliot.

Após as cartas estarem colocadas na mesa, somos apresentados ao o clímax da temporada. Os personagens começam a se movimentar em direções coerentes e importantes, encaminhando para um final de forma satisfatória.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S01E10: eps1.9_zer0-day.avi – Optando por um final anticlimático, o último episódio da temporada funciona como uma espécie de epílogo da sua história. Os primeiros momentos de Angela na E-Corp foram excelentes, difícil imaginar como poderiam retratar melhor o fato da personagem estar encarando o diabo cara-a-cara. Assim como o desmoronamento de Tyrell.

Um determinado suicídio foi inspirado em um acontecimento real: em 1987, o secretário da fazenda da Pensilvânia se viu acuado por um escândalo de corrupção e decidiu acabar com própria vida em circunstâncias similares.

Foi uma alternativa muito inteligente do roteiro em omitir a ação principal e a série ganhar um diferencial: em primeiro lugar, nos poupar de seqüências clichês de hacking – personagens digitando rápido, em telas e telas de DOS de códigos sem sentido – e em segundo, ao transformar essa tensão em mistério, sacrificando um suspense imediato. A tensão será diluída por todos os capítulos por vir. Algumas das respostas para perguntas deste episódio serão apresentadas apenas na terceira temporada.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


Melhor episódio:

hellofriend e zero-day– Poucos pilotos conseguem ser tão competentes em apontar tão bem as características do seriado de forma a te convencer a continuar assistindo, e ao mesmo tempo, serem episódios interessantes sozinhos, e é este caso. Havia ainda algumas arestas a serem aparadas e algumas características novas que a série ainda ganharia, mas foi um grande começo.

A sequência, dada por um capítulo de ritmo e forma parecidos, também ajuda na apreciação do piloto.

Da mesma forma, a coragem e habilidade necessárias para se fazer um final anticlimático, sem deixar a peteca cair, merecem ser reconhecidas. As implicações do season finale durarão toda a série; e desta vez com sequências chocantes, acredito que houve um balanço muito bom entre a bizarrice com objetivo de choque ao espectador e as críticas e mensagens do seriado.

Pior episódio:

da3m0ns – Um dos pontos fracos do piloto – que algumas vezes volta em outros episódios – é a pretensão; achar que é muito mais inteligente do que realmente é. Naquele caso, me incomodou a narração de Elliot explicar detalhadamente a crítica do seriado, ao invés da mensagem ser transmitida naturalmente pelo desenvolvimento do enredo.

Uma outra característica de pretensão para mim é a introdução de elementos bizarros com propósito maior em chocar que em contribuir com a narrativa.

Este miolo da primeira temporada é cheio disso, mas seu ápice é neste capítulo, quase que integralmente destinado a viagem psicodélica de Elliot (e ainda com alguns bônus de outra personagem se drogando); além de atrasar um momento tão importante, tudo que se passa aqui não tem o menor valor de desenvolvimento de personagem.

A impressão que fica é que os produtores da série estavam ou se divertindo com as possibilidades abertas pela premissa de ser uma brisa, ou se achando extremamente vanguardistas por isso. Os capítulos em que nada acontecem precisam ser muito cuidadosos para não serem apenas um capítulo em que nada acontece – o que acredito ser uma crítica que os autores receberam. Isto pois, na próxima temporada, há uma menção ao episódio de Seinfield que inaugurou esse recurso narrativo.


Mr. Robot – Sociedade Hacker

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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