The Expanse – 3ª temporada (episódios)

The Expanse – Terceira Temporada


S03E01: Lutar ou correr – Mais uma vez parando exatamente de onde terminamos a temporada anterior, vamos acompanhar como Avasrala, Bobbie e Cotyar tentar escapar do Iate de Mao. Enquanto isso, entre os protagonistas há muita tensão já que Naomi deu a protomolécula para a OPA. Fred Johson e Dawes tentam se entender para criar um governo central dos belters. Na Terra, Errinwright incrimina Avasarala por todo o envolvimento relacionado a Mao.

Escrevi essa sinopse toda para vislumbrar o quão desfocado esse capítulo acaba sendo. Ele não é ruim, mas são vários os núcleos agindo ao mesmo tempo e muita coisa acaba sequer sendo retomada. Mais uma vez, a temporada muda de caminho no meio e com isso muita dessas tramas de seu começo acabam se tornando dispensáveis – o resto de protomolécula esquecida na nave será esquecida pelos roteiristas também.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S03E02: IFF – Felizmente as várias peças jogadas no episódio anterior já começam a se amarrar melhor aqui, com alguns núcleos se encontrando. Há um bom ritmo e energia durante todo o tempo, especialmente no drama focado na fuga de Avasarala.

Há a introdução de uma nova e importante personagem, a pastora Anna Volovodov, que entra na trama envolvendo a ONU – que acaba se tornando mais interessante com sua figura. O personagem do secretário-geral está ganhando uma importância “inesperada” pelo trato que a própria narrativa dá pra ele. E, aqui, volta a pesar a falta de didática de explicar o universo da série. Por muito tempo eu achei que sua função era apenas cerimonial, como monarcas atualmente, apenas agora dá a entender que não é por aí.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E03: Destruição Assegurada – Agora com tudo já bem encaixadinho, a temporada ganha muito em ritmo narrativo e já há uma experiência bem melhor; e aliás há uma espécie de rima entre os dois núcleos principais (a ONU e a Aghata King) com personagens tentando convencer outros de suas versões, o que funciona muito bem.

A tripulação da Rocinante acaba ficando em segundo plano por aqui, mas essa mudança de foco é justificável. Assim como a trama em Io acaba se desenvolvendo, sem prejuízo, nas brechas entre as demais. Não há nada de muito inspirado, mas funciona bem. Este é o capítulo em que o Brasil aparece! Sofrendo um ataque nuclear. Pena que ninguém abriu a porra de um mapa para confirmar que o local indicado não era em Goiás.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5)


S03E04: Recarregar – Que salto! Finalmente chegamos em um grande capítulo da temporada, quando Esteban (secretário geral da ONU) faz seu discurso e os protagonistas tentam se reabastecer em uma nave marciana. Toda a seqüência envolvendo a ação dentro da nave é excelente, pura tensão e com uma grande resolução.

Da mesma forma, o desfecho na Terra também é muito bom (embora um pouco confuso em alguns momentos), e fica mais claro que o secretário era um governante que mais delegava as coisas que fazia, e por isso explica-se um pouco melhor o porquê da força dos subsecretários, embora ainda o seriado fique devendo muito em relação a essa trama toda.

E um final surpreendente com uma pitadinha de gore foi fantástico.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S03E05: Ponto Triplo – Motim na frota terrestre! O passo dos acontecimentos se aceleram quando, através da marinha marciana, as informações de Avasarala chegam ao Almirante Souther que decide acabar com a guerra mas precisa enfrentar o outro Almirante, Nguyen. Tudo o que se passa referente a este núcleo não tem nem o que por nem o que tirar, foi excelente. O confronto, frieza e coragem da série em certos momentos fizeram a tensão sempre ficar nas alturas.

Enquanto isso, na Rocinante em Io as coisas ficaram mais paradas, focando nos diálogos dos personagens. Bons, mas nada genial. Particularmente me incomodou o tom lacunar das falas Katoa em contato com a protomolécula, disse, disse e não falou nada. Foi todo um arco em vão. Mas o final mais uma vez com um bom gancho, foi ótimo.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S03E06: Imolação – Um torpedo carregado de protomolécula se choca com a Agatha King para ajudar a situação de completo caos na nave. Parte dos protagonistas vai para lá tentar impedir mais propagação, e outra parte continua em Io para resgatar a filha de Prax. O confronto entre Bobbie e o Híbrido é um ponto alto da série, muito bem conduzido. Assim como todo o desfecho na lua.

Equanto isso, na nau terrestre a ação e drama se desenrolam também muito bem, o esforço final de Cotyar é inesperado e bem interessante, assim como as ações de Naomi e Alex. Entretanto, há um grave erro de continuidade do comportamento dos infectados com a protomolécula, que agora se comportam como espécie de zumbis, o que nunca foi estabelecido desta forma.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S03E07: Delta V – Com um corte drástico, resultando da mudança de um livro para o outro na obra original, praticamente somos levados a uma nova temporada dentro da temporada. Se passam vários meses e agora um período de trégua se inicia com a OPA reconhecida como governo do Cinturão e Avasarala como nova Secretária-Geral.

O episódio sofre em ter que explicar todas as mudanças no universo ficcional e na introdução de novos personagens, perdendo assim um pouco em ação, focando na exposição. Mas ainda é bem competente, especialmente com a adição da trama efêmera da nave querendo bater os recordes de velocidade.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


S03E08: Atingir – O que rouba este episódio é o retorno de um personagem muito querido, embora não seja exatamente a mesma pessoa. Entretanto, a maior parte do tempo é dedicado à incriminação de Holden e da tripulação da Rocinante com um atentado à frota terrestre.

Esse evento abre rusgas nas administrações da OPA e da Behemoth, assim como obriga nossos protagonistas buscarem refúgio dentro do anel. Apesar da coragem da série em dar destinos trágicos aos personagens, sabemos mais ou menos que o desfecho dessa incriminação não será nada demais por força de protagonismo, então toda a tensão do capítulo não me foi muito interessante. Tudo acaba sendo apenas preparação para eventos futuros.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E09: Intransigência – Gradualmente todos os principais núcleos vão entrando no espaço do anel neste capítulo, motivados pela fuga da Rocinante para lá. Ainda é um capítulo majoritariamente dedicado a colocar as peças no lugar para movimentações nos próximos capítulos, tendo um ritmo um pouco menos interessante.

Há alguns momentos muito legais, como o destino da equipe de TV, ou os discursos a bordo da Behemoth; e outros menos, como o flashback revelando a identidade de certa personagem nova. Isto, que se é uma revelação intrigante, e nos permite rever uma personagem querida, ainda é repleta de clichês.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E10: Céu de dente-de-leão – Finalmente! Após vários episódios posicionando os personagens para o confronto final da temporada, as coisas começam a acontecer. Holden sendo guiado pelo investigador entra dentro da esfera, sendo perseguido por uma equipe marciana liderada por Bobbie.

Toda a seqüência relacionada a esse encontro é fantástica, é a ficção científica em plena forma. São grandes momentos. Entretanto, a trama sobre a identidade da personagem Melba acaba empalidecendo o episódio ainda que não seja de todo mal.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S03E11: Mundo Caído – Devido a uma nova intervenção da esfera, o espaço de dentro do anel passa por mais mudanças de leis físicas causando uma catástrofe por todas as naves envolvidas. Em um completo caos, a OPA emerge como uma possível solução.

As cenas envolvendo as tragédias nas naves, em especial a de dentro da Thomas Prince, são ótimas. O ponto alto da temporada ao lado do motim na Agatha King. A evolução da relação entre Drummer e Ashford, que começou com um pouco de clichê agora se torna muito interessante para todo o futuro do seriado. Ainda, todos os desfechos, na Behemoth e na Rocinante, são satisfatórios.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S03E12: Congregação – Funcionando como um momento de respiro entre o episódio anterior e o final da temporada, aqui assistimos mais a conversas e interações dos protagonistas que finalmente estão fisicamente no mesmo espaço, dentro da Behemoth.

Alguns dramas se destacam; Clarissa conhecendo Holden (de pé de ouvido), o laço entre Amos e Anna, e especialmente o sofrimento de Drummer. Mas justamente por se esse momento de intervalo, acaba se transformando em um capítulo completamente apagado pelos adjacentes.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E13: Portão de Abbadon – A esfera ameaça destruir o Sistema Solar, por tanto, Ashford decide por sacrificar todos os que estão presos dentro do anel; mas Holden recebe uma mensagem do investigador com uma possível forma de resolver pacificamente a situação. O que rendem várias cenas de muita tensão e drama. Somos brindados tanto em belos diálogos (e monólogos) como em coreografias de ação.

Aqui, The Expanse consegue atingir um padrão de qualidade que raramente se vê em produções que não sejam de dramas mais cotidianos: entender e achar válida todos os lados em conflito. Por mais que força do protagonismo da tripulação da Rocinante faça com que nós entedamos que eles têm a razão, em nenhum momento, deixamos de achar razoável as atitudes das forças da OPA liderada por Ashford.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


Melhor episódio:

Portão de Abbadon – a temporada é “prejudicada” por ter dois season finales, e felizmente os dois em qualidade equivalente – diferentemente do ano anterior que possuía estrutura parecida.

O grave erro de Imolação foi a inexplicável característica “zumbífica” que a protomolécula ganhou de uma hora para outra em pessoas infectadas – e aliás, em apenas algumas delas. Fiquei curioso de saber se isso foi assim nos livros também. Não era necessário, os conflitos poderiam acontecer ao apenas reforçar os vários lados envolvidos na conspiração interna da ONU.

E falando em conflito, o que o último episódio da temporada alcança nesse sentido é brilhante. Na ficção e fantasia isso é bem difícil de alcançar pela natureza do gênero. Nem vamos falar dos babacas que “torcem para o Império”. Mas mesmo nesse exemplo de Guerra nas Estrelas, quando muito, o que se consegue estabelecer é algum personagem que veja mérito em alguma característica dos vilões, tais como ordem ou riqueza.

Já aqui, vemos nobreza e justificativa razoável mesmo nos antagonistas, representados por Ashford, ainda com ele usando de (muita) violência. Aliás, um personagem que a partir Mundo Caído, outro episódio excelente, se desenvolve muito bem – e as cenas da catástrofe em gravidade zero daquele episódio são excelentes e marcantes. Seu antagonismo é sensivelmente diferente do Almirante Nyguen de Ponto Triplo, que não consegue ser muito mais que um canalha, em outro grande capítulo quando a frota da ONU se amotina.

Pior Episódio:

Lutar ou correr: em uma temporada praticamente 2 em 1 muito consistente, é difícil encontrar um episódio que se destaque negativamente, mas foi justamente o primeiro. Ele já começa em desvantagem porque é um capítulo intermediário de um dos livros que a série se baseia – metade do livro ficou na segunda temporada e a outra metade na terceira.

E desta forma, como é um momento bem no miolo da história, todos os personagens estão todos intrincados e em movimento, fazendo que, como capítulo, ele fique extremamente fora de foco. São tantas tramas paralelas que vão e voltam, com pouca ação, fazendo com que você fique desorientado e entediado. E pior que, ao mesmo tempo, também há certas introduções de tramas “novas” que também não são bem apresentadas, tal como a súbita importância que o secretrário-geral ganha – para nós um personagem que nem lembramos se já teve alguma fala.

Já seria um episódio menos interessante em qualquer momento, mas poderia ser um respiro caso estivesse em seu lugar ideal, no meio da temporada. Estando no começo, acaba tendo seus pontos negativos se destacando.

Além dele, outros dois episódios que teriam o mesmo perfil, movimentação dos personagens e preparação para eventos futuros, Atingir e Congregação, se tornam esquecíveis por conta das opções narrativas e forte serialização de The Expanse.


The Expanse – Terceira Temporada

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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