Uma história da onda progressiva sul-americana (1998 – 2016) – Fábio Luis Barbosa dos Santos
Ano de Lançamento: 2018 – Minha Edição: 2022 – 642 páginas
Na virada da década 2000 para 2010, o Presidente Lula saiu do governo com uma aprovação pessoal de 87%, um número sem correspondente no mundo tratando-se de regimes democráticos; o Governo Hugo Chávez havia ganhado legitimamente 17 eleições seguidas; o Papa era um argentino ligado à teologia da libertação; e até mesmo Cuba havia decretado o fim do “período especial“. Era a onda rosa na América Latina, o continente inteiro guinava para a esquerda, derrotava a ALCA e o expansionismo dos Estados Unidos na região.
Na passagem de 2010 para 2020, a situação havia se revertido de modo aterrador: Golpes de estado no Brasil e na Bolívia; Lula havia sido preso, Cristina Kirchner, na Argentina, sofreu um atentado; Rafael Correa se exilou do Equador após perseguição judicial; Allan Garcia se matou em um desdobramento da Lava Jato no Peru. Explicar como passamos de um quadro a outro é o objetivo deste livro.

Escrito por Fábio Luis Barbosa do Santos, historiador e professor de Relações Internacionais da UNIFESP, o livro é, invariavelmente, a história de uma derrota. E isso, desde os primeiros instantes dá o tom do livro – a introdução é particularmente honesta nesse sentido. Não se trata exatamente de uma história deste movimento ou dos governos da onda rosa, é uma profunda investigação do porquê eles falharam. E isso é decisivo para a leitura e escrita, especialmente porque nos parâmetros que o autor vai colocar, o único resultado possível que esses governos teriam, mesmo sem sofrer revezes, seria a falha.
Antes de tudo, imagino o esforço hercúleo do autor para escrever esta obra e organizar tudo, impressionante, tudo bem delimitado e bem escrito. São 12 capítulos – vou fazer a analogia com o futebol para melhor entender – sendo um para cada país da Conmebol, menos o Uruguai, e mais Cuba e México durante a Onda Rosa; além de um específico sobre o projeto de integração sul-americana. A primeira metade; referente a Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Equador e Paraguai são os melhores, bem detalhados e reconstruídos; da segunda metade, Chile, Peru, Colômbia, Cuba e México, já acho que perdeu o fôlego – as coisas não ficam bem delimitadas sequer de qual governo ele está falando.
Todos os capítulos parecem pequenas versões da coleção Revoluções do Século XX. A estrutura de cada um corresponde a uma retrospectiva dos antecedentes dos governos progressistas – do Pacto de Punto Fijo na Venezuela; de Fujimori e do Sendero Luminoso no Peru; ou das FARC na Colômbia por exemplo – passamos para algumas coisas sobre o governo principal da onda rosa, e depois para a crise que levou a derrota eleitoral. Nos primeiros capítulos essa sequência funciona muito bem, enquanto da metade para o final, muito mal. Nos últimos capítulos, há mais espaço para as retrospectivas (contexto) que para os governos de esquerda.
Apesar do uso desnecessário de algumas palavras pra lá de sofisticadas, que me fizeram buscar o dicionário, e um uso aleatório e facilmente substituível, o texto é bastante didático; tratando-se da análise de 11 países diferentes este é um feito impressionante. O que é ajudado pela edição linda e primorosa da Elefante, muito embora o papel usado não seja o melhor para anotações à lápis.
Apesar de toda a organização, naturalmente, afinal são todos países de terceiro mundo na América Latina, os temas e situações vão se repetindo e os textos, ao menos no que se refere à experiência de leitura, entra no piloto automático. Quase sempre na mesma ordem; todos os países tiveram a crise dos partidos tradicionais que levou a esquerda ao poder; todos têm uma relação de dependência com os stores primários – mineração, agropecuária, hidrocarbonetos – depois, todos apelam para a austeridade fiscal quando acaba o boom das commodities; e todos abandonam as massas e ignoram as iniciativas populares e assim vai indo.

Talvez fosse o caso de uma abordagem mais temática, tal como, por exemplo, faz o Hosbawm na coleção das Eras; observar essas tendências e depois apontar como ocorreu em cada uma das nações. Com a forma que tomou por aqui, a leitura se torna extremamente cansativa da metade para o final – além de serem os países mais periféricos no contexto da Onda Rosa – e fica com um tom formuláico. Algo que deriva, justamente, do firme objetivo do autor de contar a grande derrota que aquele processo foi. Estou me repetindo, mas acho que essa sensação foi notada pelo autor, que encerra o livro com uma espécie de manifesto sobre o futuro.
Não quero me deter nele, afinal, é algo muito marginal neste grande estudo, mas observá-lo ajuda a tentar entender as análises. Com frases como “a integração lationamericana será contra a economia“, a “confrontar o mito do desenvolvimento econômico“; ou “a superação do legado colonial está necessariamente ligada a um padrão civilizatório alternativo” (p. 629), além ser inócuo (quais seriam os parâmetros dessa civilização alternativa? e alternativa ao quê exatamente?) é possível identificar como o autor entende que todo o processo da esquerda do continente foi um erro. É quase como o cenário do Dr. Jivago, que entende a Revolução Russa como um pecado desde o começo, antes de qualquer outro desdobramento; aqui a esquerda ter chegado ao poder foi o pecado original e não há nada que possa redimi-la.
No Brasil e na Argentina a Onda Rosa deu errado porque os governos foram austeros; na Venezuela foi o contrário, é porque continuou-se gastando; no Chile é porque não houve rompimento com a institucionalidade da ditadura, mas, no Peru, o Sendero Luminoso é tratado por ele como exclusivamente como grupo terrorista. No Brasil, o PT hegemonizou a esquerda, afastou os setores populares e impediu qualquer coisa nova; mas já na Argentina, o Peronismo tinha muita penetração popular, tornou-se um movimento multifacetado e impediu uma política autônoma. Aqui deu ruim porque tudo tem a mesma cara, lá deu ruim porque tem muita cara diferente.

Não tem pra onde correr, Fábio dos Santos condena absolutamente tudo, mesmo quando faz o que ele acha que deveria ter feito. No Chile, o estado era ausente na Saúde; e quando o governo da esquerda faz alguma coisa é ruim porque “esvazia o protagonismo popular” da questão (p. 392). Então o correto da esquerda é não fornecer saúde pública e deixar a população cuidado de si mesma? No Peru, a APRA não tinha vontade nem força para mudar nada; mas quando tentou nacionalizou os bancos, isso foi feito só por motivações políticas (p. 434). Sobra pra todo mundo, até Cuba errou com não ter dado uma “educação criativa”, seja lá o que significa isso, para a população propor coisas novas após o final do bloco soviético.
Se chegar ao poder foi o pecado, o Brasil foi a velha serpente do processo; o grande vilão da Onda Progressista. Ao tomar a liderança do continente, e buscar maior posicionamento da América Latina em organismos internacionais, assim como a criação da UNASUL e fortalecimento do Mercosul, o Governo Lula, na realidade teria trabalhado contra a onda progressista. Uma vez que essas iniciativas não tinham objetivos “de esquerda”, na falta de melhor palavra, ao contrário da ALBA, por exemplo. Também não se via nos governos que o Brasil desejava negociar ou trazer aos seus projetos sua orientação política: progressistas e conservadores eram convidados da mesma forma.

Particularmente acho essa a crítica mais injusta do livro; é exatamente esse aspecto que demonstra a verdadeira intenção de integração continental; e essa seria uma postura a se esperar de todos os governos. O republicanismo do PT, de fato, é um reconhecido calcanhar de Aquiles, mas isso é conversa pra outra outra hora. A questão é que o governo Lula nunca se dispôs nem ele a ser revolucionário e, muito menos, a “espalhar a revolução” pelo continente – uma visão quase de terceiro período da parte do autor, que culpa a direção brasileira da UNASUL pelo “fracasso” da ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas, bloco liderado pela aproximação entre Venezuela e Cuba) ao oferecer uma integração mais “palatável” à burguesia.
De fato, a postura brasileira nos países vizinhos tem sua grande parcela de controvérsia – e de imperialismo. Nas disputas fronteiriças, em especial no Paraguai (esse capítulo é excelente), a postura nacional foi de defender as empresas e empresários brasileiros diante das demandas estrangeiras; colocando os interesses da burguesia nacional afrente das demandas populares latinas. É uma importante controvérsia e que se mantém atual, especialmente diante do avanço da China, que busca parcerias com os países da América da mesma forma sinuosa. É uma contradição do progressismo e do capitalismo periférico, seria o caso de abrir a discussão – e trazer as discussões sobre imperialismo para o debate, que é algo completamente negligenciado pelo autor – mas o que o livro faz é fechar no Brasil e em Lula.
Em um trecho ele diz que “Lula cultivou relações próximas com Hugo Chávez, ao mesmo tempo que condenou suas iniciativas de potencial inovador a uma relativa marginalidade” (p 360). Uma coisa particularmente insuportável que Fábio Luís faz é ter um tom extremamente evasivo no texto, como na citação; é relativo ao que? Marginalizada em relação ao quê? Qual o grau do relativo? O Governo Lula tinha que obrigatoriamente se filiar a essas propostas (ele cita a Alba e o Banco do Sul)? E foi o Lula que condenou? Todos os demais países estavam dispostos a entrar na ALBA mas foram intimidados pelo presidente brasileiro? Foram os demais líderes que reclamaram dessa postura? Nesse sentido, temos uma chuva de “sugere-se”, “indica-se” para falar de partes mais polêmicas, sempre um sujeito indeterminado.

É uma crítica dura, mas acredito que o autor, ainda usando-se de construções evasivas, joga sujo no texto. No capítulo sobre a Bolívia, ele trás uma citação que diz que “Há quem sugira que ‘se tem mais medo agora do que no tempo da ditadura’“, em um contexto de perseguição jurídica a um opositor; dando a entender que o Governo Morales era mais repressivo que as ditaduras bolivianas. A fonte é uma conversa com uma pessoa na Bolívia em 2015 (um diretor de um centro de estudos), autor de cartilhas políticas como esta, também citada. Não duvido da conversa, mas, porra, uma afirmação dessa, depositada unicamente em uma entrevista não transcrita, com uma construção dessa “há quem sugira“… francamente, difícil achar um adjetivo adequado para classificar o que Fábio Luis faz aqui.
Essa ânsia de demonstrar os erros da esquerda cria uma situação paradoxal na qual os governos da direita até parecem melhores. Em praticamente todos os países o autor tem construções idênticas “é inegável que houve grandes conquistas e melhorias durante [Lula, Chávez, Correa, Morales]”, como se fosse um pesar por parte do autor identificar isso, parece que ele lamenta esses eventos pois são obstáculos para sua análise. O que até cria uma situação bem bizarra no capítulo com o Chile, no qual ele precisa mostrar que alguns indicadores da ditadura de Pinochet eram bons. Eu entendo perfeitamente a análise feita, explicar porque é difícil se livrar do neoliberalismo por lá, mas no contexto é mais ou menos assim: “Ei, leitor, todos os governos de esquerda que você acha que foram bons, se olhar bem, foram uma merda; só que esse aqui que você demoniza, teve coisa boa.”
Nesse sentido, também há uma impressão de uma direita passiva; que apenas assiste aos erros da esquerda, sem interferência. Há uma curiosa convergência na narrativa do texto com os discursos de propaganda reacionária: nas análises do autor, em cada país as lideranças da esquerda estão trocando os pés pelas mãos no governo, se entregando ao à reprodução do sistema e à corrupção, enquanto os políticos da direita só testemunham os eventos e espera a hora de dar o bote. Assim como as lideranças progressistas tem nome, sobrenome e partido; enquanto as conservadoras são genéricas: “as classes dominantes“, a “burguesia“… é um tipo de construção que costumamos fazer em análises (uma vez que, sim, o objetivo é desnudar as estranhas sociais e não atacar indivíduos), mas que em muitas vezes joga apenas água no moinho anticomunista.

O papel do imperialismo, por sua vez, no cenário todo é muito marginal; me parece que é o principal ponto cego da análise do autor. Parece que não houve interferência alguma do hemisfério norte em nenhum dos processos de queda de regime no continente. No capítulo sobre o Brasil, a Lava Jato tem uma única menção e sem referência aos impactos na economia nacional. Mas, curiosamente, os capítulo nos quais mais o imperialismo mais aparece é referente à Colômbia e as pressões do Estados Unidos frente às FARC; e no do México, com a pressão das indústrias maquiladoras. Ambos os países elegeram governos progressistas após o fim da onda rosa – então temos mais registro das pressões imperialista sobre governos liberais e conservadores.
Novamente, eu entendo o propósito do autor ao explicitar os limites do progressismo; e não é coincidência que todos os governos caíram e deram lugar à extrema direita. Muito pelo contrário; com certeza precisamos nos debruçar para entender os mecanismos que operaram para esse cavalo de pau acontecer. Mas, com certeza, os eventos não se desenrolaram no vácuo, eles não ocorreram por falta de ousadia do PT ou do Peronismo. Ignorando o papel da oposição e do imperialismo, o que sobra são 11 capítulos retratando como a Onda Rosa caiu de madura; caiu porque tinha que cair, por seus próprios erros e por sua própria irresponsabilidade; não tinha como o resultado ser diferente.
O que não só é uma análise incompleta, mas extremamente perigosa. Uma vez que essa abordagem é tênue com a trágica história da tese do Social-Fascismo, a qual o autor decididamente flerta nas últimas páginas, ao afirmar que progressismo e bolsonarismo são faces opostas mas complementares.
Bom (3/5)
É um análise de grandes proporções da Onda Rosa, mas decisivamente prejudicada pelo enviesamento do autor de “expor os limites do progressismo”. Ele foca exclusivamente no que considera erros dos governos de esquerda daquele movimento, e omite outras tantas variáveis. Sobre a leitura; apesar de didático, torna-se cansativo e repetitivo da metade para o final, entrando em “piloto automático”.
Social-Fascismo – Esta tese foi a política oficial da Internacional Comunista a partir de VI Congresso do Comintern, em 1928, com relação a ascensão dos regimes fascistas na Europa. A ideia central era de que a Social Democracia, ao propor-se a administrar o capitalismo e ajudar na estabilização dos governos diante das diversas crises, no fundo, era um suporte ao fascismo. Nesse sentido, os comunistas deveriam se opor também aos social-democratas e denunciar que essa ala da esquerda trabalhava contra a emancipação da classe trabalhadora.
A tese, ainda que em teoria poderia ter sua validade, na prática da política se provou uma tragédia rapidamente. Na Alemanha, as duas alas da esquerda eram irreconciliáveis, o que era compreensível: ao final da Revolução Alemã, a Social Democracia ordenou a repressão dos comunistas (a época Social-Democratas Independentes) para estabilizar seu governo. Mesmo diante do crescimento do nazismo, não havia paz entre os partidos; e, seguindo a tese do Social-Fascismo, o partido comunista (KPD) chegou ao extremo de aliar aos nazistas (NSDAP) em 1931, para tentar derrubar o governo Social Democrata (SPD) da Prússia através de um referendo. Supondo que era mais importante superar a social democracia que combater a direita.

Depois da grande derrota na Alemanha – em 1933 o regime estava completamente fechado, com tanto o SPD quando o KPD, os dois maiores partidos de esquerda do mundo fora da União Soviética, dissolvidos – o Comintern reviu a postura, recalculou a rota como diriam os jovens, e passou a apostar nas Frentes Populares.
Sobre cada capítulo – abaixo seguem resenhas muito breves sobre cada capítulo. Uma coisa específica que acabei não colocando no corpo principal, é que Fábio Luis coloca em quase todo os capítulos que as conquistas dos governos da Onda Rosa no geral só são consideradas sucessos porque partiram de patamares baixos; isto é, a maioria dos países se encontravam em crise. Embora seja um dado real, sozinho não quer dizer muita coisa. Uma recuperação seria inevitável, entretanto cada orientação de cada governo direciona como a população recebe (ou não) o crescimento.
Venezuela
O conceito de subdesenvolvimento com abundância de divisas é o principal elemento para a avaliação do autor sobre a Venezuela. Pensado por Celso Furtado, parece cair como uma luva para o país; uma vez que demonstra como uma nação da preferia do capitalismo pode ter muita riqueza e mesmo assim não sair do lugar. Apesar dos inúmeros esforços do governo chavista, o Estado continuou dependente da distribuição das riquezas provenientes do petróleo e assim que os preços caíram, a crise atinge o país com força.

Sem a liderança de Chávez, a força do regime cai consideravelmente, e o governo Maduro faz o que for necessário para manter os pilares da popularidade: continuar com os subsídios de diversas ordens e com os programas sociais – ainda que em versões bem mais austeras. Os resultados econômicos são catastróficos: inflação corrói os salários para o que não é subsidiado, fuga de capitais, ondas de refugiados e há mais dependência do petróleo. Como resposta à instabilidade, seus líderes se encastelaram no Estado e nos militares
É o capítulo mais sóbrio; como recentemente havia lido A Revolução Venezuelana, houve um bom complemento, já que aquele versava sobre o auge do processo e este aqui sobre seu declínio. O autor acredita que o caso bolivariano é o mais emblemático da Onda Rosa; foi o mais ousado e, justamente por isso, mostra os limites do progressismo, uma vez que, mesmo assim, não foi capaz de fazer modificações profundas no regime burguês.
Brasil
Há um grosso bem interessante de como o grande problema do governo petista foi de depositar no mercado muito da sua estrutura de programas sociais. Iniciativas como o Prouni e o Minha Casa Minha Vida careceram de maior planejamento e geraram muitas contradições, como dívidas estudantis e caos urbano, respectivamente. Concordo, e acredito que a principal fraqueza do PT no poder foi exatamente essa, foi uma parte muito importante permitiu essa virada em 180º nos vários setores sociais que levaram ao golpe em 2016.
Mas, na sequência, provavelmente a análise mais delirante das manifestações de 2013 que eu já vi. Começa afirmando que naquela oportunidade o elemento antipetista foi tardio e minoritário (p. 127); não vou falar que é mentira porque a galera analisando 2013 faz cada ginástica pra legitimar aquilo que com certeza esticando, puxando, e torturando os eventos até sair o que querem, podem afirmar que não tinha uma bandeira escrita “Atenção: eu sou antipetista, por favor entre em contato para pegar meu RG e CPF para fins estatísticos“. Qualquer um que viveu aqueles dias lembra que, na segunda metade do mês, o antipetismo já era dominante.

Mas, para além disso, o principal é que partido de 2013, o enviesamento do texto atrapalha a análise. O capítulo afirma categoricamente que as Jornadas de Junho eram manifestações por “democratização das cidades, políticas públicas universais e reação ao cretinismo parlamentar“. Já que ele está usando de vocabulário marxista; o que o autor faz aqui é um conjunto de fraseologias; essas três expressões não significam absolutamente nada. O que seriam “políticas públicas universais” para os manifestantes?
O texto dá a entender que as pessoas queriam lá coisas muito bem delimitadas; e tudo em um sentido popular e esquerdista. Após o MPL deixar a liderança do movimento, as jornadas ficaram totalmente descabeçadas e não havia pauta alguma fechada. Isto é, Saúde e Educação universais naquele meio poderia ter desde pessoas querendo estatais e gratuitas, como privadas e financiadas, ou até mesmo Ancaps. Ao longo do texto, e não só referente a 2013, somos levados a crer que toda a oposição descrita dos governos da onda era uma contestação à esquerda – mas a análise no Brasil faz com que duvidemos de todas as demais.
O final do capítulo é com velha história que escutamos desde 2016; que não houve mudança substancial entre os governos Dilma e Temer; e o autor ainda diz que o Teto de Gastos, embora implementado após o golpe, era pra formalizar algo que o PT sempre havia feito. Uma desonestidade profunda -e e um bom momento para lembrar, a instituição que ele leciona (a mesma que estudei, embora em outro campus) sequer existiria se não fosse o governo petista.
Infelizmente temos uma análise horrível sobre o caso brasileiro; na realidade, sequer talvez seja uma análise nestas páginas. É um manifesto político que o autor faz – inclusive há um sincericídio na conclusão sobre a necessidade de acertar contas com o PT e superá-lo. O capítulo, ainda, é um o único que conta com um PS, falando sobre a eleição de Bolsonaro, mas não acho que agrega muito.
Argentina
Depois de uma recapitulação do final da ditadura dos governos dos anos 90 (sendo o mais famoso o Menem), além de uma introdução ao peronismo, o autor aponta que a Argentina estava em uma “conjuntura revolucionária” no início dos anos 2000 e o governo Kirchner veio com o objetivo de pacificar a situação e re-institucionalizar a política. Essa questão da “conjuntura revolucionária” aparece em outros momentos, mas é extremamente mal delimitada. É o conceito do Maio do Proletariado de Lênin? O que exatamente significa? Acho algo problemático e, no limite, enganador; para o leitor, dependendo de suas referências, pode ser entendido como o país poderia ter feito uma revolução ali e a única coisa que impediu foi a eleição de Nestor Kirchner.

Algumas propostas dos Kirchner poderiam ser mais classificadas como mais ousadas que as de Lula/Dilma, com confrontos abertos com a mídia ou a reestatização da YPF; em outras menos, como a constante negociação com fundos abutres pra atrair dólares à economia. Entretanto, no processo batizado de “capitalismo en sério“, a aposta foi, como no Brasil, em um fortalecimento da burguesia nacional. Lá, assim como cá, essa aposta não pagou; e a administração econômica do país foi sempre tortuosa e corroeu a popularidade do peronismo. E aí que temos um dos grande problemas: parece tudo uma questão de incompetência dos governos, como se fosse natural da esquerda social democrata não saber governar – ao mesmo tempo que ele sempre classifica como bons gestores de crises.
Bolívia
Talvez o capítulo mais surpreendente; o autor é extremamente crítico ao governo Morales. De novo, começamos com a tal da Conjuntura Revolucionária, e que o governo de Evo seria uma forma de impedir a revolução (sempre a mesma história) com o chamado Processo de Cambio. Fábio Luís apresenta algumas características do governo – e que vai cair, novamente, na dependência da exploração dos recursos naturais. Apesar de alguns programas sociais, a economia boliviana continuou voltada para comércio exterior, buscando ampliar o poder do agronegócio e da extração de hidrocarbonetos.

Entretanto, me pareceu que o principal desta parte é uma denúncia de que Morales, apesar das bandeiras multiculturais, responde a interesses bem delimitados. Em primeiro lugar, aos cocaleiros, categoria da qual ele era sindicalista; e que tem seu punhado de controvérsias; além da atividade econômica nebulosa, envolvida com tráfico de drogas, a sua expansão conflita com outros grupos. Nesse sentido, Morales representaria especificamente o grupo Aimará, uma etnia tradicionalmente ligada à burguesia nativa – ao lado dos Quéchas – o que, por sua vez, deixa para escanteio outras dezenas de grupos indígenas menos numerosos menos ligado às atividades econômicas.
É realmente um aspecto muito interessante; uma vez que somos bastante ignorantes em relação às divisões étnicas do país, esta é uma diferenciação importante.
Equador
Na contextualização equatoriana, somos apresentado à terrível década de 1990 no país, que foi a nação com o empobrecimento mais acelerado da América Latina. Uma exploração petrolífera muito desastrada – que rendeu o caso do “Chernobyl Amazônico“, com os derramamentos de óleo causados pela Texaco – perdeu valor aceleradamente na década, causando uma espiral de crise que culminou na dolarização: literal, com a abolição da moeda local.

Nesse contexto caótico, uma crise institucional derrubou dois presidente – um deposto por um golpe militar/indígena, e seu líder, eleito algum tempo depois, renunciou após ondas de protestos – o movimento Alianza País foi fundado como coalização das esquerdas para levar a cabo a Revolução Cidadã, liderada por Rafael Correa. Apesar as vitórias eleitorais expressivas e sucessivas, o governo nunca foi estável. Em 2010, quando o presidente foi tentar negociar uma greve policial, em pessoa, foi espancado e levado para um hospital onde ficou preso até ser resgatado por forças armadas leais, no que foi classificada como uma tentativa de golpe.
(O que o autor desmerece, chama de “levante policial”, e que não tinha nada demais. Ele usa o histórico de golpes no Equador para mostrar que esse não teria a mesma força que os outros, então não teria nada a temer; achei um exercício, no mínimo, delicado. Entretanto, outra amostra de como o livro trata toda a oposição aos governos da Onda Rosa como algo popular e legítimo; e ao mesmo tempo a direita como passiva, que apenas assiste aos eventos.)
Achei esse capítulo um pouco mais fraco; ficou mais lacunar (e todas as lacunas são preenchidas por críticas negativas a Correa). Por exemplo, cita-se que houve entre 900 e 700 “conflitos” entre 2010 e 2012, enquanto no auge da crise noventista, foram 750. Mas o que foram esses “conflitos“, repressão a manifestações, embates jurídicos, reintegração de posse? Essa lacuna é preenchida com uma comparação de que o governo Correa era mais instável, repressivo e impopular que todos os antecessores. Outra opção muito questionável do autor.
Aqui o texto já estava na sensação de piloto automático que citei no corpo da resenha; pouca coisa é apresentada efetivamente sobre o governo Correa. A Revolução Cidadã, para todos os efeitos, o que pretendia-se e o que entregou, pro bem e pro mal, é extremamente mal explicada – eu me lembro o burburinho que a auditoria da dívida fez por aqui na época, o governo Dilma estava sobre similar pressão, e no texto esse episódio é só uma frase. No final, apenas temos as mesmas premissas e conclusões de todos os demais.
Paraguai
Gostei muito deste aqui; bem mais delimitado, o artigo explica como o Paraguai foi sucessivamente se acoplando a economia brasileira – uma analogia minha: como se fosse uma rêmora, aqueles peixes que nadam ao entorno das bocas de tubarões por toda a segunda metade do século XX. Incialmente, durante a longeva ditadura de Alfredo Stroessner, com apoio incondicional ao governo brasileiro, houve uma ação predatória de latifundiários de fronteira que causou uma anomalia de concentração de terras no leste do país.
Essa é conhecida como a “questão brasiguaia“, o poder que esses latifundiários possuem na fronteira entre os países, junto ao Estado paraguaio, é enorme; ao mesmo tempo que eles contribuem muito pouco com a economia local. Com o agronegócio (além de atividades ilícitas) voltado totalmente para o Brasil, sua produção não se encaixa com as cadeias nacionais, e o dinheiro não fica lá e sim aqui.
Durante a Onda Rosa, houve a presidência de Fernando Lugo, eleito em 2008. Ele foi a única alternância de poder no país desde 1948 até hoje (2026), dominado pelo partido colorado. Diante de, talvez, o cenário interno mais desfavorável do movimento latinoamericano, ele tentou reorganizar a política nacional, mantendo o cenário econômico mais ou menos estável e focou na implantação de programas sociais e democratização política.

Lugo tentou confrontar a questão agrária, iniciou uma revisão das cessões de terras durante a ditadura e concluiu que 20% da área do total do país foi adquirida ilegalmente através das políticas do governo Stroessner. Entretanto, além de oposição interna, tocou na questão brasiguaia, na qual o governo brasileiro interferiu para garantir o respeito às propriedades de seus cidadãos no país. Antes do imbróglio seguir adiante, o presidente Lugo foi vítima de um golpe de estado, em 2012, após ser responsabilizado pela morte de 17 pessoas em uma manifestação de sem terras e sofrer um impeachment. Em eventos articulados por figuras ligadas a disputa de territórios com o PCC – em uma conexão inesperada com este outro livro aqui.
Integração
Já abordei bastante no corpo principal da resenha, mas aqui, neste capítulo especial, o autor denuncia como a integração regional, encabeçada pelo Brasil, não buscava uma verdadeira união entre os povos latinoamericanos; e sim apenas uma integração econômica – que, por sua vez, apenas ajudou a burguesia desenvolver melhor seus negócios. Acho que esta análise em si é correta; entretanto as premissas são erradas. De imediato, sem ressalvas, é importante apontar que, como no caso dos brasiguaios, o governo petista sempre buscou interceder com os vizinhos de forma a proteger os negócios brasileiros nos demais países; é uma questão bem latente e uma importante contradição da esquerda nacional.
Entretanto, o deposita muita importância em um projeto chamado IIRSA (Iniciativa para Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana), apresentado originalmente em 2000 em um encontro em Brasília, prevendo uma série de obras de transporte conectando os países do continente. Quando contraposto com as propostas e obras da UNASUL, há uma intensa correspondência entre ambos. Acho que é uma descoberta muito importante de desmistifica muita coisa.

Entretanto, vamos cair numa premissa que Fábio Luís joga – sobre o Brasil, especialmente – que é injusta. De fato, muito da integração continental é centrada na ideia de fortalecer nosso desenvolvimento econômico regional, como forma de impedir os avanços imperialistas e superar o subdesenvolvimento. Noção que o autor é fortemente contra – e é honesto nesse sentido, sempre está claro. Entretanto, o problema é que a análise pressupõe que a UNASUL, ou outras iniciativas continentais, tinham algum objetivo quase que como o de espalhar a revolução pelos vizinhos – em certo momento há uma denúncia que o Brasil sabotou a ALBA, esta sim com um propósito mais “elevado”.
Ele cita como é problemática a relação do governo petista mesmo com outros governos de direita e centro direita, mantendo diversas relações diplomáticas e comerciais com eles durante o período da Onda Rosa. Mas, sinceramente, é exatamente isso que deveríamos esperar de uma iniciativa de integração; uma ótica republicana (de democracia burguesa, claro) de administração do continente. O errado foram justamente os governos posteriores que abandonaram a UNASUL rapidamente; não criticar o PT por estender a mão aos adversários. Por favor.
Chile
Daqui pra frente eu que o livro já perdeu todo o fôlego; vai abordar países que não foram destaques da Onda Rosa, então ficou muito difícil do autor delimitar exatamente o que ele estava analisando. No caso deste capítulo, que tem aproximadamente 40 páginas de texto, mais de metade são retrospectivas do governo Allende, da ditadura de Pinochet e da redemocratização. Claro que tudo é muito importante, porque o Chile talvez tenha sido o país que menos mudou após o fim das ditaduras da guerra fria.
Como é sabido, após a recentes tentativas de mudança, a Constituição local ainda é a mesma outorgada por Pinochet em 1980 – uma anomalia completa. Apesar de garantir direitos políticos, os direitos econômicos e sociais permaneceram engessados, com serviços públicos quase que totalmente privatizados – em especial as aposentadorias. E a “Concertación“, coligação de partidos de centro e de esquerda, que governou o país desde 1990 até 2010, fez pouco esforço para mudar as raízes neoliberais nas quais o Chile está assentado. É a principal tese do autor.

Entretanto, justamente no afã de mostrar que todo mundo é farinha do mesmo saco; as coisas ficaram muito mal delimitadas. É um grande quadro geral do Chile desde a ditadura até a escrita do livro, indo e voltando de assuntos de coisas de 1985, 1995 ou 2011. Tudo era Onda Rosa, nada era Onda Rosa? O principal nome foi Michelle Bachelet, mas mal é citada. Parece até texto de medievalista: nunca nada mudou, tudo já existia antes e continuou existindo depois. Tem uma coisa interessante, todavia, que a timidez chilena na onda progressista possa explicada por uma noção de “excepcionalidade chilena“, que teria conseguido sempre achar uma versão melhor dos sistemas econômicos que o resto dos latinos. Desde a via chilena ao socialismo (Allende) agora há espécie de via chilena pra um neoliberalismo humanizado.
E um grande problema, como comentamos no corpo principal, é que para melhor contextualização – de como a população “aceitou” ficar com a estrutura econômica da ditadura – há uma série de elogios ao Pinochet e ao neoliberalismo no geral.
Peru
Acho que é o pior capítulo do livro; sequer o governo da Onda Rosa tem uma seção dedicada a ele – no caso, foram o segundo mandato de Alan García (2006-2011) e de Ollanta Humala (2011-2016), informações que precisei buscar na Wikipédia. O trecho no qual o período analisado tem algum destaque é chamado de “legado fujimorista” e quem apenas 7 páginas, das 42 totais. É só um grande contexto dos últimos 50 anos. E é tudo confuso, uma série de “ismos”, Aprismo, Alanismo, Fujimorismo que, da forma que o Fábio Santos próprio coloca, não significam muita coisa, ao mesmo tempo que contribuem pra pouca clareza do capítulo.

Há uma importantíssima conclusão, ainda assim. O Sendero Luminoso atingiu o auge de seu poder e presença em 1990, com uma série de ações violentas nas principais cidades do Peru, durante o primeiro mandato de Allan Garcia, a quem foi atribuída uma postura mais “leniente” com a guerrilha – especialmente se comparado às várias denúncias de massacres no governo do antecessor (Governo Belaúnde). A partir da administração de Fujimori, as forças nacionais foram melhores aparelhadas, coordenadas e, gradativamente durante a ditadura, os guerrilheiros foram vencidos.
Nesse caso, operou-se no Peru uma triste associação entre paz e estabilidade com o neoliberalismo. Entretanto, é só isso mesmo que podemos tirar do capítulo já que a onda progressista é marginalmente abordada.
Colômbia
Não só o país não foi parte da onda, como apenas elegeu seu primeiro presidente de esquerda na história em 2022. Neste caso, é mais um capítulo de apenas contextualização. Uma história do surgimento das guerrilhas – sobre as guerras civis no país e a era de La Violencia – e de suas políticas na segunda metade do século passado e início deste. Imagino que a forma como a tendência latinoamericana à esquerda, pelo que autor indica, se manifestou na Colômbia foi nas tentativas de estabelecer a paz entre o governo central e as FARC.

Esses eventos causaram um racha dentro da direita colombiana; as alas ligadas a Álvaro Uribe (ex-presidente, artífice do Plano Colômbia, no qual os EUA financiavam o combate às FARC) sabotaram declaradamente as ações de Juan Manuel Santos, o então presidente. E isso poderia ter levado Petro ao poder, mas o livro foi escrito bem antes disso.
Cuba
A inflexão da Onda Rosa em Cuba, teria sido que ela (a partir da tão criticada integração continental, diga-se de passagem), por meio de revitalização de comércio e investimentos na ilha, possibilitou o fim do “período especial“ – como ficou chamado os anos após a queda da União Soviética, situação que acabou com quase a totalidade dos parceiros internacionais. Embora esse cenário tenha sido apresentado, a motivação do autor em trazer o país caribenho ao livro é tentar mostrar que há outros caminhos para a esquerda além do progressismo e da Social Democracia.

E nesse sentido, falhou totalmente. Não porque Cuba falhou, muito pelo contrário, a resistência do país ao imperialismo é o ato mais heroico do pós-guerra-fria; mas sim a análise do autor não funciona uma vez que são cenários totalmente diferentes; a América Latina estava em Neo Liberalismo e queria tentar domá-lo, enquanto Cuba quer evitar o neoliberalismo. No fundo, é uma análise da abertura econômica do regime. Abertura a qual ele nutre muitas esperanças – afinal romperia com o horizonte da industrialização tão abominado por Fábio Santos – com o estímulo ao empreendedorismo e ação individual; que, supostamente, dariam protagonismo popular à economia.
Há muitas críticas à educação em Cuba, que, segundo ele não estimulou a criatividade da população para sair dessa crise. Parece que estamos assistindo ao Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Eu me lembrei, na verdade, de um capítulo do magistral O Fim do Homem Soviético, no qual há vários depoimentos de como os russos estavam profundamente decepcionados com a educação socialista nos anos 90 pois ela não “ensinava a ganhar dinheiro” – é de apertar o coração, como todo o livro.
México
Um caso bem curioso; o país elegeu seu governante de esquerda já em 2018, na contramão do continente, com López Obrador – e posteriormente emplacaria uma sucessora com Cláudia Sheinbaum. Então não há como discutir do que seria o governo; e o autor discorre sobre os dilemas da política mexicana, que a partir de 1994, se enforcou com o NAFTA e perdeu muita autonomia, com uma burguesia totalmente comprometida com a relação subordinada aos Estados Unidos.

Aqui me parece que o autor já não tinha muito mais o que falar (e o livro já está muito cansativo para o leitor). começando com uma conversa muito bizarra, de como a eleição de López Obrador é filha do mesmo fenômeno da eleição de Bolsonaro por aqui – o tal desgaste da política tradicional, todo capítulo tem essa. Depois o cara simplesmente joga tudo pro alto – já devia esta por aqui com a trabalheira que deu – e me fala que Bolsonarismo e Progressismo (no capítulo sobre o México) são duas faces da mesma moeda, “opostas mas complementares da autocracia burguesa na América Latina, avessa ao protagonismo popular e impermeável à mudança” (p 597).
Nada melhor que terminar o livro com uma maravilhosa teoria da ferradura de esquerda; também conhecida como a tese do social-fascismo.
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