Guia da Copa Falha de Cobertura

Guia da Copa Falha de Cobertura: jornalismo sem medo da verdade – Caíto Mainier, Daniel Furlan, Gustavo Vilela e Pedro Leite.

Ano de Lançamento: 2026 – Minha Edição: 2026 – 203 páginas


Há 10 anos atrás, um humorístico do YouTube pegou o Brasil de surpresa: o Choque de Cultura foi um sucesso fulminante e suas frases de efeito estavam na boca do povo. O ápice do sucesso, como os próprios relembram, foi o comentário “claramente são atores“, sobre sua estréia; no qual ficou atestado algo tão genial que estava sendo encarado como verdadeiro, e havia a desconfiança de ser encenado.

Apesar disso, a TV Quase, sua produtora, já estava na estrada há muitos anos, e seu principal sucesso – além da animação Irmão do Jorel – vinha sendo o programa esportivo Falha de Cobertura, e este aqui é o primeiro livro da marca.

A cobertura das copas pelo grupo é tradicional, realizada desde 2014 – e rendeu um dos vídeos mais emblemáticos daquele torneio, com ao desabafo dos dois sobre o 7×1 – e desta vez, para 2026, o seu trabalho recebeu uma versão física, para guardar como lembrança do torneio e a trajetória dessa equipe tão engraçada e genial. Mas, infelizmente, poderia ser a lembrança de qualquer outra Copa.

O humor distribuído nas páginas é o característico da dupla, é possível ler com as vozes deles na cabeça, e com certeza você dará muitas risadas. Mas, não foi um trabalho muito bem realizado na parte da pesquisa e escrita; as piadas e ironias, mesmo inteligentes e sagazes são, na imensa maioria, genéricas. São brincadeiras com a história do país, de algum episódio mais famoso do futebol – e, novamente, são engraçadas – com pouca relação ao elenco atual ou a caminhada daquela seleção para o campeonato mundial deste ano.

Eu imaginava ser algo mais próximo do jornalismo esportivo, no caso, colocando ele de cabeça para baixo. Acreditei que seria alguma pesquisa sobre as seleções e elenco e eles, simplesmente, colocarem do avesso esses dados – como efetivamente é o trabalho em seus programas no Youtube. Entretanto, isso quase não está presente; quando há algo mais específico da seleção que realmente vai para a copa, o livro apresenta como “minireportagem“. Como algo fora da análise do guia.

Ainda há muita acidez, tiradas certeiras e com contexto mas, por exemplo, sobre o Egito, temos apenas uma página; e com piadas não daquela seleção ou de seus jogadores, mas sobre Seattle, onde foi o primeiro jogo dos africanos neste mundial. Da mesma forma, sobre a Albânia não ter nenhuma referência ao folclórico técnico Sylvinho é decepcionante – aliás, o ex-Corinthians aparece no artigo de outro país que o enfrentou. Este exemplo é interessante, aliás; escrito a oito mãos, há essas referências desencontradas e houve artigos feitos por algum deles que não tem o menor contato com o futebol.

Há uma questão também de timming, ele foi lançado dias antes da Copa, mas escrito provavelmente na virada do ano – após o sorteio dos grupos, em dezembro24 e março26, tão próximo do torneiro pediria coisa mais atualizada. E aí chama a atenção a total falta de pesquisa: com 4 pessoas (todos roteiristas renomados da TV, Internet e Cinema), com certeza, poderíamos ter algo muito mais certeiro, atual e contextualizado com a Copa do Mundo de 2026 e menos uma coletânea de boas piadas guardadas na gaveta da TV Quase; para falar a verdade, este livro poderia ter sido escrito antes mesmo do sorteio dos grupos.

Infelizmente, para um humorístico de tal nível como é o Falha (e todas as produções da TV Quase), o resultado ficou muito aquém do que poderia; nem sempre consegue romper a barreira entre ser um velho livro de piadas e uma ironia ao jornalismo esportivo – esta última característica que conquistou seu público no YouTube.

Mediano (2,5/5)

Troféu Lucas Mugni – Ao final do livro há cédulas de votação para os piores jogadores cada posição na Copa, também conhecido como Troféu Lucas Mugni de Futebol Masculino Profissional; ofertado pelo Falha de Cobertura desde 2014 em referência ao atleta argentino – que eu achei que não existia, que fosse alguma invenção do programa, até alguns anos depois. Elas devem ser preenchidas, fotografadas e enviadas para o Instagram da TV Quase.


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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