Protocolo Rebelde – Martha Wells
Tradução: Laura Pohl – Editora: Aleph
Ano de Lançamento: 2018 – Minha Edição: 2025 – 223 páginas
O nosso robôssassino, apesar de encontrar as respostas sobre seu passado no livro anterior, não consegue descansar. Enquanto viajava de transporte em transporte – fazendo bicos de segurança (e se passando como humano) – ele descobre sobre uma operação estranha da GrayCris, a empresa que tentou matar ele seus amigos na primeira aventura. Ela estava empreendendo uma cara tentativa de terraformação em um remoto planeta, mas que, sem maiores explicações foi abandonado.
Agora, o planeta, e as estações de terraformação, despertaram o interesse de compra por uma outra entidade, que montou uma equipe para avaliar o local, e nosso herói viu uma janela para investigar melhor. Uma corporação maligna e ambiciosa como a GrayCris não abriria mão de um projeto como esse de graça – quem sabe, com essa oportunidade, ele descobre mais algum podre da companhia.
Sabendo como continuar injetando coisas interessantes e novas para manter a série sempre com fôlego; a bola da vez é o protagonista descobrindo que existem robôs amigos – ou de estimação, com seu humor ácido – dos seres humanos. Os avaliadores são acompanhados pelo ciborgue Miki, que nutre um amor profundo sobre seus “donos”; e o robôassassino passa boa parte do livro negociando com ele sobre o androide contar ou não para os demais humanos sua presença – uma vez que ele é capaz de perceber sua real natureza.
A relação entre Muderbot e Miki é o foco desta vez; ao perceber uma nova forma de convivência entre as vidas naturais e artificiais, na falta de melhor expressão, o protagonista fica mais introspectivo. A cada novo passo tomado pelo amigo robótico ou pelos humanos que acompanham o simpático companheiro, há novas formas dele olhar a sua relação para com a equipe original que o adotou lá no primeiro volume. Em vários momentos, com a Dra. Mensah, que ocupa a posição análoga em sua vida.
Mais uma vez, temos um livro curto e intenso. Com muita ação e tensão vamos acompanhando nosso herói investigando o porquê do abandono da estação, que guarda sua parcela se ameaças mortais, e da intenções dos demais personagens – há uma dupla de seguranças contratadas para acompanhar a missão que não tornará fácil o trabalho da velha SegUnit. Da mesma forma, em termos de ameaça física, provavelmente temos aqui os adversários mais perigosos já enfrentados.
Ainda assim, a estrutura é praticamente idêntica ao livro anterior. Nosso “herói” se envolve em uma missão e acaba lidando com outros robôs e inteligências artificiais enquanto explora um ambiente hostil. Se exploramos uma nova camada das relações entre seres humanos e robôs, ainda é uma inovação pequena – achei menos rico em todos demais aspectos que o antecessor, personagens menos interessantes, assim como cenários e mistérios também menos inspirados.
Temos um novo episódio desta série que é capaz de se sempre divertida e intensa, mas cada vez mais perde um pouco de gás.
Bom (3/5)
É um texto mais movimentado que o antecessor; com uma verdadeira aventura interplanetária, parece menos “inchado” e fica mais divertido. Entretanto, é um livro muito descolado dos demais de sua série, pobre em personagens e dilemas que, infelizmente, trás um final insatisfatório.
Terraformação: o nome é originalmente da Ficção Científica, teria sido proposto em 1942 no conto Órbita de Colisão, do escritor e professor de literatura estadunidense Jack Williamson. No seu texto, dois asteróides estão em rota de colisão ameaçando um ao outro. Este segundo, chamado de Obânia, sustenta formas de vida graças a um processo de estabelecimento de “paragravidade” em seu interior; o que foi capaz de criar uma atmosfera e, então, “terraformar” a rocha espacial.
A obra (que gerou até uma série e coletâneas) não foi considerada nem muito boa, nem muito relevante em sua época. Mas o autor, definitivamente, era alguém muito criativo, que inclusive teria também criado o termo ficcional “psiônica” e popularizado o uso da expressão “engenharia genética“.
O conceito já existia e foi bastante explorado nos últimos anos, e se tornaria cada vez mais interessante diante da eminente crise climática; teoricamente é factível (pensando em Marte como principal candidato), mas seria um longo projeto de quase mil anos de trabalho – com a nossa tecnologia atual – para finalmente chegarmos a um local que teria as mesmas condições de vida que a Terra. Envolvendo a criação de um efeito estufa induzido, assim como a “importação” de água de cometas para tentar criar um ecossitema. No caso de Protocolo Rebelde, o processo é feito através de estações espaciais de terraformação que estão manipulando a atmosfera planetária para estes mesmos fins – e uma dessas estações é o cenário da estória.
Últimas postagens
Star Trek: Strange New Worlds (4ª temporada) – O Classic Trek que desistiu de si mesmo
Decidida a passar o bastão para o próximo Star Trek, que sequer vai mais acontecer, SNW jogou tudo para o alto nesta temporada.
Tecno-Feudalismo
O economista grego decidiu fazer uma audaciosa afirmação, o capitalismo acabou e á estamos em outro modo de produção. Mas o livro não consegue sustentar bem essa conclusão tão drástica.
Origens da Fundação
Hari Seldon agora tem patrocínio e aprovação governamental para criar a Psico-História, mas ao prever, justamente a queda do Império, sua tarefa fica ainda mais difícil.