Arquivo X – 1ª temporada (Melhor, Pior e Essencial)


Melhor episódio:

Balão de Erlenmeyer – Começando de trás para frente, este final de temporada é excelente; ele é tão bem encaixadinho tanto em si mesmo quanto no enredo geral da temporada, que e se a série acabasse ali, logo em seu primeiro ano, ela ainda faria sentido e seria um final satisfatório.

As motivações de todos ficam claras ao final – sem abusar tanto das lacunas como os episódios anteriores do arco principal, que terminavam quase sempre sem respostas – da mesma forma que consegue deixar mistérios e objetivos em aberto. É Arquivo X em pela forma.

Temos nele uma conspiração e cenas de suspense, que nos remetem ao gênero policial, um pouco de ação, como também há aquela pseudo-ciência muito legal que inspira a Ficção Científica além do mais óbvio desse ramo: alienígenas!

Outro episódio que consegue concentrar tudo que Arquivo X é conhecido, é Gelo. Um dos melhores do seriado. Aperto e Tooms são excelentes capítulos de “monstro da semana”, e uma das raras vezes em que há continuação de um para outro. Ver os agentes passando por conseqüências de capítulos anteriores foi muito interessante.

Além-Mar é um episódio muito interessante de desenvolvimento de personagem da Scully, e claro, o Piloto é perfeito em sua função.

Os que eu gostaria que fossem melhores: 1) Gênero Indefinido – estava tudo perfeito: assustador, bizarro… até o final inexplicável. 2) Demônio de Jersey – gostei de toda a premissa e desenvolvimento, mas a maquiagem mal feita estragou. 3) Anoitecer – tudo excelente, da premissa, localização e solução, entretanto, faltou muita coerência interna. 4) Sombras – aquela cena do funeral merecia muito mais.

Pior episódio:

Fantasma da Máquina – uma das mais gratas surpresas ao ver a série pela primeira vez depois de adulto, há alguns anos atrás, foi o quão bem ela envelheceu. Um dos grandes méritos é justamente a relação dos protagonistas, muito longe das dinâmicas de casal da época. Mas por outro lado, a inteligência dos roteiros faz com que, mesmo em capítulos que ficam evidentes as diferenças tecnológicas, a imensa maioria das tramas permaneça instigante mesmo chegando aos 30 anos.

Isso não é verdade para alguns dos episódios, inevitavelmente, em especial Fantasma da Máquina, que conta a história de um prédio do mal, “possuído” por uma inteligência artificial. Cenas de tensão muito pouco inspiradas – batalhas contra elevadores e ventiladores – e a tentativa de abordagem high-tech já é algo que sempre está fadado a se tornar datado rapidamente: um elevador com voz falando os andares é o mais ridículo. Depois tentam dar um gás a trama já muito fraca com uma conspiração governamental.

Outro episódio muito datado é Espaço, baseado numa foto da superfície de Marte que meses depois já foi substituída por uma nova imagem de melhor resolução com uma nova sonda (mesmo assim, até pouco tempo atrás rendia lendas, filmes e games). Mas não apenas por isso. Tudo é mal explicado e falta coerência com o resto da série. Afinal, se havia uma entidade que queria impedir a exploração espacial, como explicar os contatos com extraterrestres durante todo Arquivo X?

Além disso, outro destaque negativo é a tríade dos capítulos dos mortos querendo vingança: Sombras, Renascido e Roland. O melhor desses três é, sem dúvida, Renascido; ele tem alguns momentos inteligentes e um roteiro mais centrado. Enquanto os outros dois são mais confusos. Sombras, que até é meu favorito dos três, oscila entre uma abordagem mais intimista bem feita e uma trama de política internacional fora de lugar. Talvez estivessem em temporadas diferentes, seríamos mais simpáticos, sinceramente difícil entender a decisão de colocá-los tão próximos uns dos outros.

Agora Roland é uma bobajada do começo ao fim; preservação de cérebros para ocupar outros corpos do futuro, cérebros sem o corpo mantém consciência, e cérebros congelados com poderes telepáticos. É o tão ruim que chega a ser bom por tanta bizarrice junta, por isso acaba não levando o prêmio do pior, embora merecesse.

Os essenciais:

Para você ter uma experiência mais enxuta da primeira temporada é inevitável começar pelo Piloto, para entender a dinâmica dos personagens e seu contexto. Depois Garganta Profunda não é dos episódios mais empolgantes, mas continua a apresentar bem o “worldbuilding” do seriado.

Logo em seguida temos Aperto, que é o primeiro capítulo de “Monstro da Semana”, e ainda é muito bom, te ajudando a entender as aventuras que os agentes enfrentarão além dos ETs. Da mesma forma, Tooms, sua continuação ao final da temporada se torna indispensável.

Os episódios do arco principal do seriado, relacionado à existência e possível relação com os alienígenas também são essenciais. Anjo caído é o mais fraco, mas tem sua relevância; E.B.E. é um tanto quanto confuso, com reviravoltas sobre reviravoltas, mas ajuda a entender melhor o quão profundo nossos heróis estão se enfiando. Já Balão de Erlenmeyer é excelente como capítulo individual e como parte da história.

Ainda há espaço para mais três capítulos excelentes não conectados com a estória principal: Gelo, que é um dos melhores do seriado, Eva, com uma trama interessante e conspiracionista bem razoável, e Além-mar, que se já não bastasse ser muito bom, também é um importante momento de desenvolvimento de personagem da Scully.


Resumão do guia da primeira temporada de Arquivo X

PilotoExcelente (5)Essencial / Melhores
Garganta ProfundaBom (3,5)Essencial
ApertoExcelente (5)Essencial / Melhores
EloBom (3)
Diabo de JerseyBom (3,5)Daria uma chance
SombrasRuim (1,5)Piores
Fantasma da MáquinaMuito Ruim (1)Pior
GeloExcelente (5)Essencial / Melhores
EspaçoRuim (2)Piores
Anjo CaídoBom (3,5)Essencial
EvaMuito Bom (4)Essencial
FogoMediano (2,5)
Além-marExcelente (5)Essencial / Melhores
Gênero IndefinidoBom (3)Daria uma chance
LázaroBom (3)
Comportamento JovemMediano (2,5)
E.B.E.Bom (3,5)Essencial
Homem MilagrosoMediano (2,5)
FormasMediano (2,5)
AnoitecerBom (3)Daria uma chance
ToomsExcelente (5)Essencial / Melhores
RenascidoRuim (2)Piores
RolandMuito Ruim (1)Piores
Balão de ErlenmeyerExcelente (5)Essencial / Melhor

Arquivo X

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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