The Orville – 2ª Temporada

Após uma primeira temporada difícil, de altos e baixos, procurando agradar um nicho muito específico dos fãs; Orvile deu uma profunda reformulada e ficou mais concentrada em temas e estilos de humor mais constantes. O resultado claramente foi uma melhor qualidade geral nos episódios e roteiros (inclusive com menos roteiros escritos pelo próprio Seth McFarlene), mas que, por outro lado, provavelmente agradou menos aos fãs.

Foram poucos os capítulos que lembraram as aventuras mais clássicas de Jornada nas Estrelas, ou mesmo a menção de eventos ou conceitos (pseudo) científicos foi bastante reduzida. Com a pandemia, o seriado que estava renovado para uma terceira temporada, entrou em espera e voltou a ser produzida apenas nos últimos meses contando com apenas 11 episódios.

Diante de todo esse cenário, com um “afastamento gradual das bases” com as temáticas do seu segundo ano, a terceira temporada será muito decisiva para o futuro de Orville. Mas, então, como foi até aqui?

Agradou: humor mais focado

Um dos principais problemas da primeira temporada era o quanto o seriado estava perdido com relação ao seu humor. Enquanto alguns episódios eram claramente construídos em torno de uma piada final ou inicial, outros acabam sendo monstros de Frankenstein de piadas de sitcom, não raramente enfiadas sem muito critério e costuradas em alguns roteiros não tão bons. Os resultados foram bastante inconstantes.

Já neste seu segundo ano, parece que The Orville aprendeu a andar sozinha independentemente das piadas. No sentido em que os roteiros e argumentos aparentemente são construídos com uma premissa ou argumento prévio, e depois das bases prontas, o humor é encaixado. E de acordo com o tom ou temas do capítulo – como uma trama envolvendo cigarros – ou, em alguns momentos, uma sitcom no melhor sentido da palavra, tirando com a situação que está de desenrolando (como notar a falta de cadeiras em um ambiente).

Não agradou: se tornou uma série de Comédia Romântica

Toda essa coerência alcançada pela série neste ano se deveu a uma infelicidade, imagino eu, para a maioria dos fãs: The Orville se concentrou em praticamente uma única temática para seus capítulos, a comédia romântica. Metade da temporada é composta de histórias envolvendo dor de cotovelo, problemas conjugais, decepções amorosas, relacionamentos… e mesmo em outros que não são centrados nesses temas, suas narrativas são conseqüências daqueles que o são.

Felizmente, por outro lado, com raras exceções, os romances são centrados em elementos sempre interessantes da Ficção Científica. E isso dá gás o suficiente para que não se tornem exibições ruins; embora nem sempre consigam livrar alguns de terem longos momentos tediosos ou então, mais constante, gerar tédio a partir de uma amarga sensação de repetição dos temas.


Episódios

S02E01: Ja’loja – O comandante Bortus tem a frente uma das cerimônias mais importantes para um moclan e deseja que seus colegas mais próximos e entes queridos o testemunhem. Isso faz com que cada um na nave procure um interesse amoroso para levar à festa; e isso inevitavelmente leva a algumas desilusões românticas.

Apesar da ironia toda contida no cerimonial, que é uma amostra de humor inteligente e autoral; o capítulo é pouco inspirado. Ficamos tão somente assistindo a dor de cotovelo alheia, o que não é exatamente o que o público do seriado esperava, especialmente de uma estréia.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S02E02 (S01E12): Primal Urges – Neste episódio extremamente ousado, enquanto a Orville encontra um fenômeno astronômico de cair o queixo – um planeta está sendo sugado por uma gigante vermelha – Bortus enfrenta uma grave crise em seu casamento. Isto que acaba se tornando uma temática um pouco repetitiva já que o anterior (em exibição, não em produção, pois este aqui originalmente fazia parte da primeira temporada) também é centrado em relacionamentos.

A ousadia se dá no motivo dos problemas matrimoniais do comandante: o vício em pornografia. É uma temática polêmica, que toca em muitos pontos sociais, desde a exploração das atrizes às patologias que ela gera, e que provavelmente toca na veia de boa parte do público, que consome esse conteúdo. Ao mesmo tempo que forte, esta trama é tratada de uma forma engraçada e leve; uma comédia refinada.

De plano de fundo, muito de fundo, temos o drama do planeta em estado apocalíptico e seus desdobramentos. Gostaria que tivesse mais tempo de tela, pois o fenômeno é muito interessante; mas foi tudo muito rápido assim como o consenso em que se chega na decisão final foi bastante súbito e resumido ficando até inverossímil, uma pena.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E03: Home – Dois dos médicos de Jornada nas Estrelas se encontram aqui, quando Alara descobre uma grave condição de saúde e precisa retornar ao seu planeta natal – que possui uma gravidade muitas vezes superior a da Terra, vale lembrar. Todo esse retrato da força gravitacional de Xelaya é fenomenal, muito legal e um dos grandes conceitos (pseudo)científicos do seriado.

Entretanto, com relação ao lore do planeta, apesar de curtir o fato dos acadêmicos serem a camada mais alta da sociedade, ao mesmo tempo, é um pouco piegas (e até contrário à própria mensagem do seriado e das visões de McFarlene) ver todos tentando valorizar os militares.

Independente disso, o episódio brilha com o desenvolvimento de personagens e com o drama de Alara; é um dos roteiros mais tocantes do seriado. O mistério e a tensão gerada, por outro lado, conseguem te manter interessados por toda a história.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S02E04: Nothing left on Earth excepting fishes – O Capitão Mercer redescobre o amor, e está em lua de mel com uma cartógrafa da nave. O namorico vai tão bem que eles decidem tirar umas férias e viajar a um paradisíaco planeta e, de repente, se vêem atacados por uma nave Krill.

É um capítulo recheado de reviravoltas, apresentação de novos elementos da série, desenvolvimento de personagem, desenvolvimento de lore; e tudo isso com uma dose razoável de tensão e ação, trabalhando bem vários conceitos do seriado. E, melhor ainda, sem perder a mão no humor ocasional e orgânico, permitindo que mesmo com elementos cômicos a estória consiga te cativar e emocionar. Mas atenção, a história é completamente dependente de plot twists, evitem spoilers!

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E05: All the world is birthday Cake – Finalmente a série retorna à uma pegada mais “clássica” de seriados de ficção científica nesta segunda temporada: a Orville realiza o primeiro contato com uma civilização amigável mas que tem uma relação um pouco complicada com a data de nascimento de determinadas pessoas.

Desde os primeiros instantes, a história é interessante e a paixão de McFarlene pelo SciFi fica clara com o ânimo dos personagens com toda a situação. O argumento posterior se desenvolve de uma maneira bastante interessante e com um bom pé em alegorias reais. Da mesma forma, personagens principais se vêem em apuros e somos apresentadas a importantes conseqüências das visões daquela sociedade – diferentemente de apenas falar, elas são mostradas, especialmente referentes ao destino de um bebê.

Como a maioria dos roteiros neste estilo em Orville, é obra do próprio McFarlene, e mais uma vez acho que é superficial em alguns pontos; novamente porque o autor joga na certeza que nós concordamos com ele e vamos enxergar o quão tudo é absurdo. Por várias vezes, os habitantes rebatem que os protagonistas “são das estrelas” e por isso entenderiam perfeitamente a forma como eles pensam, mas ninguém da tripulação responde a altura. Isto é, no sentido de tentar conversar dentro da lógica daquela sociedade. Pelo contrário, o único esforço é de mostrar como estão errados – o que acredito (ele também) que todos nós concordaríamos.

Ainda que muito melhor que as alegorias sociais da temporada anterior; em mais uma oportunidade, McFarlene coloca vários pontos interessantes (esse toque de “serem das estrelas” é genial) mas não tem o melhor tratamento em conectá-las, com a certeza que estamos do lado dele.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S02E06: A happy refrain – Um romance nas estrelas; aqui vemos nascer o amor entre a médica e o monstro… ou melhor, o robô: a Dra. Finn tenta engatar namoro com Isaac. E o capítulo é realmente apenas isso; há algumas especulações aqui e ali dando contornos verdadeiros de Ficção Científica a tudo que está acontecendo, mas se trata apenas devuma comédia romântica no espaço.

Destaque para a comédia; de longe o melhor do capítulo são os momentos de humor, muito bem inseridos e engraçados (eu achei realmente que o bigode ficou perfeito). Entretanto, o ideal seria toda essa estória funcionar como uma trama B de um capítulo centrado em algum outro drama da nave, e não o único argumento, especialmente em um programa tão longo: 48 minutos apenas com esse drama romântico deixou a experiência bem cansativa.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E07: Deflectors – Finalmente alguém concordou que tá difícil defender os Moclan. Desta vez mergulhando um pouco mais no lore desta civilização somos apresentados ao ex-namorado de Bortus, quando ele vem à Orville participar da melhoria dos sistemas de defletores da nave. Isso dá lugar a um drama resultante de mais uma das contradições de sexo e gênero daquela espécie.

Acho demais ter uma espécie aliada tão cheia de controvérsias como ela, isso é muito bom e muito maduro por parte do seriado. Na temporada anterior, acredito que tiraram o pé da crítica com medo de vilanizar personagens aliados; mas, aqui, felizmente isso acontece menos e somos permitidos a ficarmos incomodados com seu comportamento.

A trama em si também é interessante apesar de temas românticos estarem se tornando repetitivos – há um subplot também de outro namoro dentro da nave – pois cria-se um fôlego com o drama social, e até mesmo um surpreendente mistério criminal. Só fico com um pé atrás em como tudo pode ser recebido de uma forma oposta ao que McFarlene deseja passar; não é difícil imaginar que muitos leiam este episódio como uma amostra de “heterofobia”.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S02E08: Identity (parte 1) – Após um desligamento total que Isaac sofre de forma completamente aleatória, a tripulação da Orville não tem escolha senão ir até seu planeta natal para buscar ajuda; eles serão os primeiros humanos a conhecer Kylon. O roteiro todo é baseado no mistério acerca das motivações e interesses da espécie robótica, então, se você ainda não assistiu, pare de ler agora todo este texto e não tenha contato com mais nada do seriado!

E o capítulo é muito competente em manter esse mistério sempre intrigante; desde as primeiras cenas você sabe que tem alguma coisa errada com os androides e é difícil se conter até descobrirmos tudo. E, mais uma vez, o humor é cirúrgico: as piadas são no momento exato e todas excelentes.

O que me incomoda deste arco todo é que não me foi convincente, ou melhor, não me pareceu realmente bem construído o evento que gerou o desligamento e disparou toda a trama. Apostando na aleatoriedade e surpresa – que deu muito certo, de qualquer forma – não houve preparação para o ocorrido, qual teria sido o evento que teria dado a missão de Isaac por encerrada? O romance entre ele a doutora?

Mas não foi exatamente em um momento amoroso em que houve o colapso, e ainda, da mesma forma, olhando de trás para frente, seria uma experiência positiva, que vai de encontro com a decisão tomada pelos Kylon. O ideal para os planos do seriado (que pretendia colocar essa trama como final da primeira temporada) seria que o namoro não tivesse sido engatado.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S02E09: Identity (parte 2) – Após a reviravolta com os Kylon, a tripulação da Orville é feita de refém para possibilitar um ataque à Terra, e uma solução pra lá de ousada é proposta para aumentar a força da resistência à invasão da civilização robótica. A despeito da grandiosa batalha espacial, uma que há muito esperávamos para ver na Ficção Científica televisiva, acho que faltou um pouquinho de refino de roteiro.

As motivações dos Kylon são simples mas razoáveis, conseguem dar sentido a tudo o que ocorre, todavia acredito que merecia um desenvolvimento um pouco maior de todo seu arco como antagonistas, já que eles passam a se encaminhar como os principais inimigos do seriado. Ao mesmo tempo, ainda sobre os robôs, fiquei com um incômodo com relação a como eles se comunicam entre si como se fossem humanos; precisando conversar, e conversar pessoalmente. Bem diferente dos Borgs, por exemplo.

É bastante inverossímil uma civilização como a deles precisar de contato pessoal… exceto se houvesse uma contradição pra lá de interessante com os Klyon ainda emulando seus criadores e se organizando como indivíduos e não uma coletividade. Acredito que era mais ou menos esse caminho que foi concebido, e estão lá esses elementos, entretanto, mais uma vez o roteiro não foi capaz de costurar essa narrativa. Entretanto, no final da temporada, há um grave furo… os Kylon acabam sendo apresentados como todos conectados em uma grande rede. Parece nitpicking (achar pelo em ovo), mas não é, pois neste episódio aqui, todas as ações dos heróis que levam à resolução final dependem justamente dos vilões dependerem de conversas individuais.

Da mesma forma, acredito que a aliança inusitada foi súbita e careceu também de melhor trabalho. Embora, mesmo com todos esses defeitos, o capítulo é demais, é um dos melhores do gênero na TV em um bom tempo, com destaque à trilha sonora, e tem uma pegada também bem “clássica”, como Orville se propõe a fazer (inclusive no humor, amei as referências a Top Gun).

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E10: Blood of Patriots – A reviravolta causada pelos Klyon parece que dará lugar a repercussões e transformações profundas na galáxia: a União e os Krill iniciam negociações de paz, que serão levadas a cabo pelo Capitão Mercer. Ele se reúne com os embaixadores “inimigos” mas um contratempo com um velho amigo de Gordon pode impedir o armistício.

A série continua se aprofundando no desenvolvimento interno, e cria um interessante drama entre os tripulantes (que também faz um discreto mas belo desenvolvimento do personagem de Mercer); através de uma trama que também contém uma dose de mistério e tensão. O destaque vai para um conceito bem a cara de scifi sobre uma determinada arma.

Infelizmente, um pouco do drama acaba sendo em vão pois o roteiro acaba optando pela solução mais fácil de todo o problema – e até inverossímil que tenha sido satisfatória para ambas as partes.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


S02E11: Lasting Impressions – Tuvok aqui é um pesquisador que encontrou uma capsula do tempo enterrada na Terra há 400 anos atrás. Por alguma razão que não convence, os objetos precisam ser transportados para outro planeta pela Orville. Ao explorar um celular deixado junto com os demais objetos, mergulhamos na vida da sua antiga dona; uma garota comum do século XXI.

Apesar da empolgação causada por termos o ator de Voyager aparecendo, dá para contar nos dedos de uma mão suas falas; e o episódio fica centrado na personagem que deixou o celular para o futuro em mais uma comédia romântica no espaço. Novamente, o humor aqui é certeiro, especialmente a trama paralela envolvendo cigarros; entretanto esse “subgênero” de ficção comédia romântica científica utilizado por Orville vem se tornando repetitivo.

O roteiro merece o rótulo de SciFi, todavia: há alguns bons conceitos por trás, tanto tecnológicos (como a possibilidade toda daquela simulação) quanto dramáticos (um determinado delete), e isso consegue destacar o episódio mesmo não sendo exatamente o que esperávamos

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E12: Sanctuary – Após dar carona a dois cientistas Moclan suspeitos, a Orville acaba criando uma profunda crise interplanetária dentro da União quando descobre para onde eles foram e o motivo da viagem; estavam carregando uma bebê fêmea. Que belo salto tivemos com o desenvolvimento desta espécie (embora eu ainda ache que falte explicar melhor como funciona, então, a sua reprodução).

Finalmente decidiu-se por encarar suas contradições de frente e temos de fato um confronto social e cultural entre os humanos e os Moclan. O episódio é muito sensível sob vários aspectos, em especial de como a informação é vazada; e se constrói um belo crescendo de tensão desde os primeiros momentos. Tornando-se um raro capítulo desta temporada que te prende verdadeiramente até o final para acompanharmos seu desfecho. Gostei tanto do argumento como do desenvolvimento e dilemas enfrentados através do episódio – que inclusive contem pitadas bem pontuais e bem sucedidas de humor.

Todavia, tenho uma ressalva bem específica que acaba enfraquecendo o roteiro: determinadas personagens estavam muito preparadas para qualquer abordagem no começo do episódio, valentes e armadas até os dentes. Entretanto, quando realmente estão em risco, sua coragem desaparece e se tornam inertes até a chegada dos protagonistas ao resgate.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S02E13: Tomorrow, and Tomorrow and Tomorrow – E lá vamos nós mais uma vez para um drama amoroso no espaço: após um acidente com uma experiência, Isaac e Lamar acabam por trazer uma Kelly Grayson do passado, direto de sete anos atrás.

Pela sinopse, já é possível identificarmos que o capítulo está baseado em uma série de clichês: o acidente numa experiência científica; a questão de confronto entre suas expectativas de jovem com você mais adulto; ou o drama do amor que pode ser reconquistado ou tentado de novo.

Duas coisas salvam de ser um capítulo esquecíve, todavia: a interpretação masgistral da atriz Adrianne Palicki, que, aliada com com um grande trabalho de caracterização, é capaz de te fazer acreditar que realmente estamos diante da mesma personagem numa versão mais jovem; e o final repleto de implicações.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E14: The Road Not Taken – O mundo ficou de cabeça para baixo; a decisão de Grayson no final do capítulo anterior mudou completamente a história da galáxia. Sem revelar muito do enredo, nossos heróis estão desencontrados nesses novos caminhos do destino e eles vão se reunindo para tentar desfazer a bagunça na linha do tempo.

Trabalhando bem com o cenário adverso com o qual os personagens estão confrontados, o episódio explora bem essa linha do tempo alternativa, ousando em algumas coisas mas menos em outras: por exemplo, era uma ótima oportunidade de matar um protagonista ou colocar um deles em uma função completamente diferente. Os personagens estão agindo mais ou menos como sempre foram – exceto justamente pela aparição surpresa – isso tira um pouco de força de toda essa trama alternativa. Mas no geral o balanço é bem positivo – especialmente pela trilha sonora épica, nível cinematográfico.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


Melhor Episódio

Nothing Left on Earth excepting fishes – Tendo em vista a proposta da temporada de ser praticamente monotemática, trabalhando quase que exclusivamente com relacionamentos, este foi o capítulo mais bem sucedido nesse aspecto. Até por conta do tom água com açúcar que as coisas vinham ocorrendo, as reviravoltas que nos deparamos aqui são todas bastante supreendentes e causam muito impacto – o que significa, por outro lado, que também sua apreciação desse capítulo depende muito de você não saber o que vai acontecer.

Para além dos capítulos de Comédia Romântica, a estória dos Kylon também foi surpreendente (ainda que o episódio em si tenha sido relativamente previsível no sentido de sabíamos que havia algo errado) e gerou Identity 1 e 2, que trouxeram um novo arco que mudou a direção da série ao introduzir novos vilões. Muito embora, achei alguns pequenos defeitos na construção da própria reviravolta e do lore da espécie que me impediram de achar os capítulos melhores; mas as grandiosas batalhas espaciais valem cada segundo.

Pior Episódio

Ja’loja – Ainda não imagina que o tom da temporada seria de uma comédia romântica e me decepcionei profundamente com essa estréia. Apesar da boa ironia contida na situação da cerimônia, o capítulo tem um desenvolvimento pouco inspirado e tudo fica girando em torno da dor de cotovelo (justo um dos piores elementos do gênero) dos personagens anterior ao evento do “grande alívio”.

Acredito que todos os episódios que ficaram depositados quase que integralmente nas convenções da Comédia Romântica estão um degrau abaixo, especialmente em uma temporada com episódios de 50 minutos. A Happy Refrain, Lasting Impressions e Tomorrow, Tomorrow, Tomorrow todos não têm muito mais elementos para além do drama amoroso, muito embora todos são bons pois conseguem construir seu roteiro em cima de conceitos genuinamente da Ficção Científica.


The Orville – 1ª Temporada

De fãs para fãs, Orville foi uma tentativa de reviver o classic trek com um toque de comédia. Divertiu, com certeza, mas com um humor desorientado e roteiros fracos, deixou a desejar.


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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