The Orville (3ª temporada)

Realizar o sonho de ter sua própria série de Jornada nas Estrelas continua para Seth McFarlene. Após uma tumultuada produção da terceira temporada, cortada pela pandemia, perdendo um episódio e sofrendo com a morte de dois atores coadjuvantes, The Orville consegue chegar e entregar seu melhor ano até agora – ainda que com sensível irregularidade.

Agradou: Episódios-filme, variedade temática, andar geral da trama e a paixão de McFarlene pelo trabalho.

Na primeira temporada, Orville se mostrou um seriado um pouco confuso. Em alguns momentos queria ser um revival do Classic Trek, em outros uma sitcom no espaço, todavia, em ambos os casos os resultados foram de medianos para ruim, com algumas pequenas exceções. Já na segunda temporada, bastante amadurecida, tudo mais centrado, entretanto, se tornou um seriado monotemático; praticamente produziu uma dezena de episódios de comédias românticas. Finalmente aqui tivemos uma boa variedade de motivos e temas.

O que foi ajudado pela opção de “episódios-filmes”. Como veremos mais abaixo, a longa duração dos capítulo foi majoritariamente um problema para The Orville; na maioria deles, o que havia era um enredo para o formato de 40 minutos esticado a 60, 70 e mesmo 90. Mas em alguns era possível notar como tínhamos um roteiro dimensionado para uma duração de longa metragem, e, não por acaso, foram os melhores da temporada.

E estes episódios com cara de filme foram bons pois deram um importante andar a trama, com uma resolução inesperada para a guerra dos Kaylon e para as desavenças com os Moclans. Todos os passos no desenvolvimento “histórico”, pensando na história daquele universo ficcional, da trama foram bons, mesmo que em capítulos mais fraquinhos.

Novamente, ao final, até em excesso com o tedioso último capítulo, podemos perceber como McFarlene ama sua criação. Um toque muito especial que ele dá (mas não funciona bem nos episódios em questão, infelizmente) é conseguir colocar marginalmente em roteiros alguns desfechos de situações de episódios anteriores que ficaram em aberto. Isso é ele falando diretamente conosco, que sempre nos perguntamos o que será que houve com aquele planeta em que a Entreprise interferiu diferentemente em seu desenvolvimento; é sentir que o cara é realmente um fã de coração como todos nós.

Não agradou: duração dos episódios e cronologia interna

Cientistas indicam que um ano para os humanos equivale a sete anos de cachorro e dez anos de crianças no universo de Orville. Mais uma vez teremos uma criança aparecendo em idade escolar meses após seu nascimento. Poderíamos fazer vista grossa, já que essas novas personagens funcionam bem e adicionam boas tramas. Entretanto, o seriado apresenta sensíveis problemas de cronologia interna, no sentido de quanto tempo passa entre um episódio ou uma temporada e outra.

Para além dos exemplos referentes às crianças, que são gritantes por si só, o tempo transcorrido é bem confuso. No primeiro episódio desta temporada, assistimos à nave ser reparada depois da batalha contra os Kaylon, ocorrida na metade do ano anterior – mas todos tratando como se tivesse acabado de acontecer. No capítulo seguinte, um acordo permite a exploração de uma área nova no espaço Krill e a Orville parte para uma longa jornada, mas, imediatamente depois, esta viagem é esquecida após a primeira aventura frustrada.

Se por um lado não fica claro o quanto de tempo passou entre um episódio e outro, o que transcorre durante o próprio capítulo é muito marcante. A duração deles foi, em média, de 1 hora, mas alguns de quase 1 hora e meia. Infelizmente, nem todos souberam usar adequadamente a generosa exibição; vários episódios se tornam arrastados e surgem irritantes vai-e-vem no roteiro. Graves erros, já que a temporada, inicialmente prevista para 11 programas, precisou ser encurtada devido aos custos – e, de fato, houve muito desperdício de tempo e dinheiro.

Outros problemas pontuais:

  • Trilha Sonora: sempre tentando trazer um ritmo épico ou um tom de aventura, especialmente em episódios mais grandiosos. Normalmente encaixa bem, mas achei que o resultado ficou genérico. Parecem trilhas de diretos autorais livres que podemos pegar na internet para usar em vídeos e apresentações.
  • Tramas B: Emulando o formato narrativo de Jornada nas Estrelas: a Nova Geração, alguns capítulos nos trazem algumas tramas B. Seria muito bem vindo para uma temporada com episódios longos, mas elas não me agradaram. As ideia são boas, mas os desenvolvimentos não deram certo. Algumas, como a referente a uma escavação arqueológica, são completamente nulas, outras, por outro lado, como a negociação com a sociedade matriarcal, simplesmente não conversam em nada com a trama A – inclusive em diálogos os personagens perdem para esconder uma da outra neste exemplo.
  • A médica e o monstro: As vezes temos algum fôlego aqui ou ali no romance entre Isaac e a dra. Finn ao injetarem conceitos (pseudo)científicos no namoro, entretanto, acaba sendo um dos elos mais fracos dos personagens do seriado, resultando sempre em episódios dependentes de clichês – o que ocorreu novamente ao final da temporada.

Episódios

S03E01: Eletric Sheep – A nave está passando por reparos e aprimoramento enquanto o conflito com os Kaylon parece estar se tornando mais violento – a escalada da guerra faz a convivência da tripulação com Isaac se tornar cada vez mais complicada, em especial a relação dele com os filhos da Dra. Finn e com a recém chegada alferes Burke – única sobrevivente de uma nave destruída pelos robôs.

Orville nunca deixa de ter a sensação de que é o sonho de Seth McFarlane se tornando realidade; como pode ser visto na longa sequência do teste do novo caça terrestre. Os episódios desta temporada são bem longos, e este primeiro parece longo demais; apesar do sentimento genuinamente agradável de saber que os produtores estão curtindo demais fazer aquilo, o tempo é mal administrado (inclusive com uma outra longa cena despropositada de sonho que abre o capítulo). Os custos economizados nessas cenas que, com certeza, foram muito caras, poderiam financiar o 11º episódio.

Vencendo isso, o que temos é, na realidade, um profundo e polêmico tema abordado poucas vezes e poucas vezes de forma tão boa na ficção quanto aqui: a decisão de suicídio por um tripulante. É um tema muito delicado mas o seriado e o capítulo enfrentam sem rodeios, inclusive com longos diálogos dos personagens discutindo os dilemas de uma pessoa decidir tirar a própria vida.

O discurso feito pelo capitão no velório desse personagem é ótimo, e demonstra como McFarlane evoluiu como roteirista. Eu, pessoalmente, não gostei muito de como as coisas se resolveram, a saída mais fácil, mas não dava para imaginar que poderiam ser de outra forma – o que não tira o mérito do ousado tema levantado de forma muito sensível pelo episódio.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S03E02: Shadow Realms – Na busca por estreitar relações com os Krill, a União quer negociar um acordo que permita a exploração do espaço além do território dos recém-aliados alienígenas, atravessando a área controlada por eles. Para mediar essa negociação, a Orville recebe um almirante que parece ter uma antiga relação com a Dra. Finn.

Se o tempo de tela foi o problema do episódio anterior, aqui a coisa já é totalmente inversa: não há desperdício. O capítulo dará conta desde a negociação deste acordo, passando pela exploração do local e suas consequências. É o ritmo de um pequeno filme, temos roteiro muito bem organizado e sem pontas soltas – obra dos veteranos Branon Braga e Bormanis – mas conta com uma resolução súbita e capenga (deram uma nave auxiliar para eles ficarem aguardando? Eles esperaram o contato com a nave que estava a caminho? Foram transportados passivamente para a estação?).

Por outro lado, as coisas não são muito criativas visualmente – na realidade, tudo é extremamente óbvio. Desde os primeiros segundos de episódio, quando o almirante e doutora trocam olhares, já dá para saber tudo o que vai acontecer dai para frente. Cada cena, cada diálogo, cada enquadramento entrega os próximos movimentos – obra de outro veterano, Jon Cassar, de 24 horas – quando um personagem olha uma coisa, você já sabe o que vai acontecer em seguida, quando alguém recebe um objeto, você já sabe o que ele significará mais para frente.

E assim por diante. Uma pena, pois era um capítulo com muito potencial partindo da própria natureza da exploração de um local desconhecido e cheio de mistério.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E03: Mortality Padadox – Após seguir uma pista de presença Kylon, a Orville chega a Narran 1. De acordo com qualquer base de dados disponível, o planeta deveria ser um deserto completo sem formas de vida, entretanto, desta vez a nave está captando bilhões de habitantes e grandes cidades e a tripulação decide investigar o local para encontrar, mais uma vez, o planeta com ainda uma outra configuração; uma imensa floresta.

Temos mais uma sensação de assistir um pequeno filme, tudo é bem distribuído pelo tempo de tela e temos um crescendo de ação e tensão muito bem administrado – e sabendo usar muito bem do absurdo de cada situação. E tudo isso caminhando dentro de uma das premissas mais interessantes que me lembro da Ficção Científica recente, remetendo não somente ao Classic Trek, e sim algo ainda mais refinado. E o roteiro vai te dando pistas para entender o que exatamente está se buscando em cada aventura.

Bom, mais ou menos. Já se encaminhando para seu ápice, e quando você já entendeu relativamente o que está acontecendo, o episódio apela para um recurso muito preguiçoso que desperdiça boa parte do que foi feito: um personagem que aparece e explica tudo. Uma pena. E coroando esse final broxante, uma conexão com um episódio anterior é feita de forma completamente artificial (o mesmo personagem explica a ligação, mais uma vez) e nitidamente injetada de última hora.

E que pelo jeito acabou passando por cima de alguma coisa, já que a questão de algumas situações remeterem a filmes dos anos 80 não é abordada. Eu sei que é um traço autoral de McFarlene, mas precisava de coesão interna, já que os demais enfrentam coisas contemporâneas. Inclusive porque na escolha dos eventos (o porquê daqueles em específico) temos o ponto mais frágil da estória, já que uma das situações é imaginada por uma personagem com uma natureza diferente dos demais.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S03E04: Gently Falling Rain – Finalmente o acordo de paz definitivo entre a União e os Krill será assinado, e a aliança contra os Kaylon dará mais um importante passo. Uma delegação acompanhará o presidente da União até o planeta alienígena a bordo da Orville – entretanto, apesar da otimismo, o contexto político é frágil, já que se avizinham as eleições gerais do planeta e oposição não é fã desta aliança.

Provavelmente o capítulo mais ambicioso e mais recheado comentários e alegorias sócio-políticas; vamos desde um debate sobre fakenews até discussão referente a aborto. É um episódio que não dá descanso, sendo denso do começo ao fim. Chamar de “alegorias” não é exatamente preciso, os assuntos são dispostos e falados explicitamente em tela – eu até gostaria de mais sutileza e refino, mas não chega a prejudicar. Infelizmente, por outro lado, os temas acabam sendo abordados de forma muito pontual – há um diálogo sobre as notícias falsas e não retornamos mais ao tema; depois uma sequência sobre aborto e novamente o assunto não é mais tocado. Particularmente, preferia dois episódios separados para cada tema, pois ambos são complexos.

Temos várias reviravoltas e momentos de tensão interessantes por todo o episódio, o que mantém você sempre interessado, entretanto, justamente derivado dessa questões, neste episódio fica claro o principal problema da temporada: a cronologia interna. É sempre muito confuso o quanto de tempo passou entre cada ato – por exemplo, o acordo ser assinado no dia da apuração dos votos não estava claro; os deslocamentos das naves; e o grande elefante no meio da sala, quantos anos tivemos entre uma temporada e outra para certa personagem ter aquela idade.

Apesar do final apressado e os problemas cronológicos, eles se tornam espécie de “licenças poéticas” para fazer o episódio, que é bom, funcionar – claro que faltou dilapidar melhor o roteiro para essas coisas serem mais “orgânicas”. Ainda assim, insere muita coisa nova, trabalha com boas alegorias, e adiciona muito tempero para os problemas dos protagonistas.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S03E05: A Tale of two Topas – O filho de Bortus está interessado em ingressar na Frota da União, e pede para acompanhar a Comandante Grayson em suas atividades na nave. Uma vez que eles estão próximos, a primeira-oficial percebe que a criança está com graves problemas pessoais e psicológicos decorrentes de sua mudança de sexo realizada contra sua vontade e sem seu conhecimento.

Mais um capítulo muito ambicioso que trabalha temas todos complexos, como paternidade, sexualidade e até mesmo suicídio. E tudo realizado de forma muito sensível, delicada e com respeito aos temas e aos personagens. Entretanto, é um dos mais arrastados da temporada, com seguidos vais-e-vens (contar ou não contar, discussão e reação dos personagens, depois merecer saber ou não saber, e a reação sobre a discussão, aí saber quem foi que contou, ou saber quem foi que deu uma senha e ver outra reações…) e você acaba torcendo para tudo se resolver o mais rápido possível para sairmos desse ciclo de dilemas.

Imagino que, prevendo isso, o episódio até ensaia uma trama B referente a uma escavação arqueológica mas que é praticamente esquecida por todo o capítulo; além de pouco tempo de tela, ela não possui nenhum movimento (tensão, descoberta, reviravolta), servindo apenas como justificativa para a nave estar parada.

O final é inchado por uma desnecessária sequência de luta – que deveria ter uma carga dramática, mas ocorre durante uma esquete de comédia – e o episódio, totalmente baseado em diálogos e dilemas, acaba tendo longos 75 minutos de exibição. Apesar de muito nobre e profundo, é uma experiência monótona.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E06: Twice in a Lifetime – A equipe da Orville consegue aperfeiçoar o equipamento capaz de criar bolhas temporais (apresentado lá no primeiro episódio da série) de forma que ele possibilite toda a nave viajar para o passado ou o futuro. Sem ninguém entender como, os Kaylon descobrem sobre essa conquista científica e durante uma feroz batalha espacial contra os robôs, o tenente Gordon é enviado por acidente para o século XXI e precisa ser resgatado.

Apesar de forçar muito determinadas passagens de tempo, esta temporada da série é muito boa em retomar pontos anteriores de Orville. Provavelmente algo que McFarlene, como um grande fã de Jornada nas Estrelas, sempre sentiu falta é ver os desdobramentos de aventuras importantes vividas pelas Enterprises. E ele compensou bem, neste episódio em especial, dando desfecho a duas coisas levantadas nas duas temporadas anteriores.

Confesso que olhei torto ao saber que a personagem de Laura voltaria, o conceito por trás do episódio original sobre ela era fabuloso, mas bem chatinho. Felizmente, apesar da retomada, a abordagem foi totalmente nova – e inclusive, há méritos porque não se entregar totalmente a comédia, o caminho mais cheio de clichês para viagem no tempo (ainda que ocorra com núcleo de Charly e Isaac).

Entretanto, por outro lado, o roteiro, ao evitar enfrentar o principal dilema ético e moral evolvido, acaba se mostrando muito previsível e preguiçoso. Originalmente achei que o episódio seria centrado na decisão de avisar a Orville ou a União que ela estava caminhando para uma armadilha. Um bom problema ético, mas sem tanta carga dramática, o que faz com todo o início do episódio e a batalha não guarde mais nenhuma relação com os desdobramentos do episódio. Mas ainda assim, uma opção válida que geraria, agora assim, um questionamento moral muito complexo mas jamais abordado.

Além de interferir na Linha do Tempo, o grande problema do viajante é que ele detinha todas as informações pessoais e da vida de Laura, usou de auxílio tecnológico do futuro para flertar com ela virtualmente, e foi isso que possibilitou seu envolvimento real com ela. Ao não partir para esse caminho, as decisões difíceis eram todas óbvias (inclusive já estavam escritas no obituário de Gordon no início da exibição), o que foi agravado por determinadas opções fáceis e passivas dos personagens ao serem defrontados com os problemas, tal a reação de Laura ao ser revelado a ela a origem do tenente, e a do próprio oficial ao final do capítulo.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S03E07: From unknown graves – Uma pena que o melhor humor da temporada acaba parando em um episódio muito frágil. Em duas tramas completamente separadas, acompanhamos a negociação de uma eventual aliança com uma espécie organizada em torno de uma sociedade matriarcal; e a possibilidade dos Kaylon serem mais que apenas máquinas malignas.

Os dois argumentos são muito interessantes, poderiam originar estórias muito boas – e temos pontos altos em ambos os arcos – mas os problemas já começam com o fato dos dois não estarem nem remotamente associados ainda que ocorram ao mesmo tempo. Inclusive o problema é notado pelo roteiro que precisa criar um diálogo em que pede para um núcleo não ver o outro. A negociação com as Janisi rende algumas boas risadas mas, lá no fundo, você já sabe tudo o que vai acontecer pois é uma história em que está escrito na testa de todos os envolvidos que dará errado, e com muitas “aventuras e confusões”. E sua resolução, apesar de ser sagaz ao relacionar uma coisa a outra, não fez o menor sentido.

Enquanto isso, a trama das máquinas começa de forma extremamente promissora – sendo competente em guardar segredos referente às sequências que são pontualmente reveladas – e adiciona muito ao lore da série. Todavia, da metade para o final, o episódio acaba por carregar uma moral problemática sobre relacionamentos. Na qual reforça a necessidade de mudar completamente sua identidade pelo outro para um bom namoro, e vira um dramalhão que certos pontos até dá vontade de ir adiantando a fita.

Apesar de ter bons argumentos, eles não se conversam de maneira alguma e, mesmo em seus arcos individuais, há vários momentos questionáveis.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E08: Midnight Blue – A colônia de Moclans mulheres é alvo de uma inspeção periódica para garantir que o acordo firmado entre a União e o planeta seja respeitado. Desta vez, a Orville foi escalada para a tarefa e Topa viu a oportunidade de conhecer outras mulheres de sua espécie pela primeira vez. Entretanto, a presença de outra fêmea nova por lá desperta a desconfiança dos enviados de Moclus.

É uma trama muito importante para o desenvolvimento da série e da temporada, e fico feliz de ver que as contradições com a civilização alienígena aliada estão sendo levadas até o limite. Sabendo fazer um bom uso do tempo de tela, o episódio cobre todo o arco, desde a chegada de Topa na colônia até a resolução definitiva dos problemas gerados por ela. Tudo feito de forma bastante comovente e emocionante.

Apesar de ser uma aventura bem redondinha, o roteiro tomas alguns atalhos preguiçosos – não explicar como os antagonistas sabiam da missão de Topa, por exemplo – e havia muito tempo para trabalhar. Gasto com, por exemplo, a piada com a cantora Dolly Parton – que só faz sentido para americanos, para mim já foi exaurida. E não deixa de ser mais um atalho, já que muda radicalmente o posicionamento de uma personagem imediatamente a partir de diálogos inócuos.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E09: Domino – A União cria a arma definitiva contra os Kaylon, capaz de destruir todos os robôs e todas as suas naves instantaneamente através de uma espécie de onda de energia. Após uma demonstração muito eficaz, nossos heróis entram em um dilema ético entre usar ou não esse recurso capaz de exterminar toda uma civilização – mas, enquanto isso, há outras partes desse conflito que não estão nem pouco divididas com relação a atacar ou não os inimigos desta forma.

Este é um pequeno grande filme de Orville. Um episódio muito grandioso e ambicioso.

Apesar de a estória da superarma iniciar como um raio em céu azul, a partir daí tudo fica bem encaixadinho e concatenado. Há algumas conveniências aqui e ali, como a presença de uma determinada personagem importante no local da arma, mas também funciona olhando como um todo, mas sempre uma coisa levando a outra e se tornado uma questão cada vez mais interessante e complexa. Complexo apesar de algumas reflexões muito superficiais, como as comparações com a II Guerra, por exemplo; o pacto de não-agressão entre Alemanha e URSS foi firmado após os acordos de Munique no qual Reino Unido e França dão a Tchecoslováquia para Alemanha em troca de uma promessa de paz.

Claramente realizando o sonho de criar uma batalha especial a altura dos filmes e seriados nos quais ele se inspirou, McFarlane vai colocando cada vez mais coisinhas aqui e ali para deixar mais do jeito que ele quer. Algumas coisas ficam um pouco “over”, como as cenas dos caças tentando atingir certos pontos da instalação, que estão lá porque pura e simplesmente porque quis; mas não há prejuízo (no fundo dá é inveja). O resultado é talvez o melhor episódio da série.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S03E10: Future Unknow – Após ver a versão moclana da renovação dos votos matrimoniais, Isaac decide que é a hora de dar o passo adiante no namoro e pede a Dra. Finn em casamento. Enquanto isso, uma habitante do polêmico planeta onde as pessoas decidiam tudo por enquetes online, lá da primeira temporada, pede formalmente asilo na Orville após chegar num limite em sua sociedade natal.

Esta última trama, que seria até interessante, foi feita de forma bem apressada. Não se explica o porquê ela quis sair de seu lar, apenas que as coisas se deterioraram, e também o desfecho, apesar de lidar com temas interessantes, como a necessidade do equivalente à Primeira Diretriz, e a “Culpa do Sobrevivente”, acaba sendo bastante previsível chegando até mesmo a apelar para um Scare Jump.

Já o arco envolvendo o casamento, apesar de arrancar um sorrisinho aqui e ali, é muito, mas muito, chato. Terrível. Longo demais, correndo atrás do próprio rabo, acaba sendo um amontoado de esquetes e clichês que a produção guardou por anos para usar em um episódio de casamento (de despedida de solteiro desastrada a um brinde constrangedor). A única coisinha um pouco mais divertida é relacionada aos convidados de Isaac, mas que também é uma carta usada para uma única cena que nem era a mais criativa.

Com intermináveis 84 minutos de duração, é um episódio extremamente arrastado em sua trama A ao mesmo tempo que parece inacabado na sua trama B. Feito, fiquei com a impressão, para funcionar como confraternização de despedida de produção e atores caso a série não seja renovada.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


Melhor Episódio:

Domino – Se há vários episódios demorados nesta temporada, também há uma parcela que soube usar bem demais o grande tempo de tela. Nesta aventura assistimos a uma espécie de Guerra nas Estrelas compacto; toda uma jornada e uma trama tem seu começo, meio, clímax, fim, epilogo… com realmente uma cara e uma pegada de filme blockbuster que te deixa preso do começo ao fim – há alguns exageros e conveniências aqui e ali, mas vou deixar passar.

Tudo contribui para uma bela reviravolta e a saída mais elegante e mais inteligente para o arco dos Kaylon – e para os do Moclan e para o dos Kill, é uma belíssima amarração. Ao mesmo tempo em que lança sementes para outros inúmeros outros problemas que poderão surgir caso a série seja renovada.

O capítulo anterior deste arco, Gently Falling Rain, apesar de seus claros defeitos – passagem de tempo e a pressa em abordar suas polêmicas – é ambicioso e tenso. Gostei muito também da discussão sobre suicídio levantada na abertura, Eletric Sheep, mas é longo demais.

Pior Episódio:

Future Unknow – Uma das coisas que eu sempre elogio e gosto em Orville, e genuinamente me faz sentir bem ao assistir, é o tom autoral do seriado e compartilhar com a paixão que Seth McFarlene tem pelo que faz e pelo que se inspirou. Entretanto, uma coisa completamente diferente é ver quando uma obra de arte, um livro ou um filme ou uma série, é feita apenas para satisfazer seus realizadores.

Este episódio é longo. Praticamente temos uma hora e meia com pouco ou nenhum movimento, recheado de clichês com piadas de casamento e que provavelmente existiu apenas para criar uma despedida feliz aos atores e personagens.

Enquanto isso, Twice in a Lifetime, tinha ali bons elementos para criar uma história diferente com personagens antigos, e até o fez, mas usando todos os caminhos mais preguiçosos o possível. E, em Tale of Two Topas, apesar do respeito e sensibilidade do roteiro, o episódio tem uns 20 minutos a mais que o necessário.


The Orville


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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