Sem lugar para se esconder


Sem lugar para se esconder: Edward Snowden, a NSA e a espionagem do governo americano – Gleen Greenwald

Tradução: Fernanda Abreu

Data de Lançamento: 2014 – Minha Edição: 2014 – 288 páginas


Se a onipresença da vigilância em nossas vidas foi em algum momento do passado um elemento da Ficção Científica, podemos ter “orgulho” em dizer que o futuro chegou. Sem lugar para se esconder, é uma das leituras mais interessantes e assustadoras que já me deparei.

Esta é o compilado da reportagem (e história da investigação) que rendeu o Pulitzer ao jornalista Gleen Greenwald em 2013, ao dar voz aos vazamentos feitos por Edward Snowden, um analista terceirizado da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). Ao perceber o quão invasiva a vigilância havia se tornado, ele juntou documentação interna da Agência, e material que ela havia apreendido, e decidiu vazar para a imprensa.

E o que é revelado pelo vazamento e investigação jornalística é aterrador: bilhões e bilhões de comunicações virtuais são interceptadas automaticamente pelo governo e inciativa privada dos EUA: em um único mês 97 bilhões de e-mails foram analisados. Isso numa extensa rede que envolve além do governo dos EUA e a anuência de agências de inteligências de alguns países aliados militarmente, as principais empresas de tecnologia da atualidade. Tudo facilmente foge do controle e pouco tem a ver com pretexto da segurança interna – combate ao terrorismo.

Um slide de apresentação interna da NSA mostrando como objetivo a espionagem da, então recém-eleita, presidente Dilma e seus conselheiros políticos. Quantos dos acontecimentos do passado recente do nosso país foram influenciados pela espionagem americana?

Aliás, em mais de uma vez fica claro na documentação como o Brasil (que não era um dos países aliados) era um dos principais alvos das interceptações – na casa de 2,3 bilhões de chamadas ou e-mail capturados por mês – especialmente informações referente às reservas naturais, administração pública e comunicações internas da Petrobrás.

Mas para além da “grande política”, o que a investigação de Gleen Greenwald apresenta é que atualmente todo e qualquer usuário da internet que esteja em alguma rede proveniente ou que passe em um servidor dos Estados Unidos simplesmente não possui direito a privacidade. Sua atividade será registrada pelo governo e empresas americanas, para fins militares, políticos ou comerciais.

Excelente (5/5)

uma leitura fundamental e assustadora para nos apresentar a “realidade nua e cura” da falta de privacidade e usos políticos da internet. mas, contando também da investigação pessoal do jornalista, as vezes a leitura perde um pouco o rítmo. A abundância de informações, que apesar de positiva, também deixa o texto um pouco maçante.

Espiões no Brasil: além do nosso país ter sido um dos grandes alvos de toda a operação de espionagem tecnológica, os espiões de carne-e-osso também estão por aqui. Em uma passagem muito curiosa, contando da sua investigação pessoal, Gleen lembra que após as primeiras conversas com Snowden ficou muito perturbado e ligou para seu marido, que estava na casa deles, no Rio de Janeiro.

Conversou rapidamente ele sobre o que estava passando em Hong Kong e enviou parte do que havia conseguido com Snowden para ele, justamente por medo de ser interceptado em algum momento por lá. No dia seguinte sua casa foi invadida e a única coisa que desapareceu foi o computador que seu esposo havia usado para abrir o e-mail.

Power Point: uma coisa particularmente bizarra e tosca ao mesmo tempo é que a uma parte enorme do material vazado por Snowden é composto de slides de Power Point apresentados em reuniões internas da NSA. Além de parecer algo bem cafona, revela a banalidade com a qual os técnicos e analistas envolvidos tratavam toda a espionagem em massa, trabalhando num datashow como fazemos em um trabalho de faculdade.

Últimos posts

O Tempo em Marte

Na futura colonização de Marte, um importante líder sindical se alia a um mecânico na busca por desvendar a forma de usar um poder extraordinário que crianças autistas podem possuir.

1930: O Silêncio dos Vencidos

Um dos livros mais importantes sobre a história nacional, ele resgata o ano de 1928, quando os debates sobre Revolução eram intensos no país, mas foram completamente obscurecidos pelo triunfo da Revolução de 1930.

Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: