A primeira geração dos FW na F1


Frank Williams e a primeira geração dos FW na Fórmula 1 – Américo Teixeira Júnior

Data de Lançamento: 2018 – Minha edição: 2018 – 152 páginas


Exceto em alguns anos pontuais, a Fórmula 1 foi dominada por equipes ligadas às montadoras ou a grandes empresas e investidores. O único ponto fora da curva foi a Williams, que dominou a categoria nos anos 90 e se manteve na ponta quase que ininterruptamente entre 1979 e 1998, sempre como equipe independente controlada por Frank Williams e Patrick Head. Em outubro deste ano, essa história chegou ao fim e a Williams Grand Prix Engineering foi vendida a um grupo americano após 43 anos.

Entretanto, essa não foi a primeira Williams. Entre 1967 e 1977 competia na F1 a Frank Williams’ Racing Cars. Esta década nas pistas, tempos difíceis correndo com orçamento limitado, pilotos pouco inspirados, chassis de outras construtoras e até mortes de membros é um período que raramente é relembrado da trajetória desse herói do automobilismo. Ele está resgatado nesse livro.

Disponível na Amazon.com

O adjetivo não é exagerado. Quando um jovem de classe média de uma cidade pequena do Reino Unido, sem ensino superior, junto de amigos pilotos, consegue criar do zero uma equipe que chegou ao topo do mundo diversas vezes sob o seu comando, ele foi um herói. Justamente por isso fica difícil apontar os tropeços e erros, em especial nesses anos iniciais, parece injustiça mostrar seus erros naqueles momentos sabendo do sucesso futuro, entretanto, mesmo assim, esperava um pouco mais de crítica, no sentido de análise. Há apenas descrições de fatos e resultados.

Isso é muito sentido já nos capítulos finais, quando a equipe original vai mal e fica difícil entender porque. O ano em que funciona como Wolf-Williams, justamente o período que o mais importante para entendermos o colapso do time, é resumido em apenas 4 páginas sem explicações.

Por fim, uma coisa muito incômoda é a quantidade de notas de rodapé apenas para embasar resultados que estão disponíveis facilmente em vários sites. Além de desnecessárias, elas acabam se misturando com notas realmente interessantes de se ler com informações a mais, entretanto com o volume de referências, acabamos as pulando.

Bom (3,5/5)

Um nobre resgate de uma história frequentemente esquecida, bem redigido, mas focado em relatar, não apresenta críticas ou análises. Ao final ficamos sem entender melhor a principal questão, por que foi necessário fundar uma nova equipe?

Participação Brasileira: também houve um piloto tupiniquim nesta primeira equipe; antes de vencer o GP do Brasil de 1975 pela Brabham, José Carlos Pace disputou a temporada de 1972 pela Frank Williams Racing Cars. Apesar das dificuldades, com 4 abandonos e 2 não-classificações, Moco fez um grande trabalho pontuando em duas corridas, com um 6º lugar no GP da Espanha e um 5º lugar no GP da Bélgica.

Não-construtora: as estatísticas desta primeira Williams são difíceis de encontrar nos sites especializados, isto porque os sites organizam as equipes por construtoras. Entretanto, apenas em 1972 a Williams construiu seus próprios chassis. Originalmente correu com Brabhams e Marchs compradas das equipes principais, além de uma parceria com a montadora italiana de esportivos De Tomaso.

A construção do próprios carros também não foi simples, foram duas parcerias bastante tumultuadas. Em 1972, uma tentativa com o dinheiro da fábrica italiana de brinquedos Politoys. No ano seguinte, com uma nova empreitada junto à montadora italiana Iso e dinheiro do tabaco nasceram os chassis ISO-Malboro. Só em 1975 a construção foi totalmente interna, nascendo os FW.

Antes disso, as corridas da Williams foram registradas com estes outros três nomes de construtoras.

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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