História da República Romana

História da República Romana – Henrique Modanez de Sant’anna

Data de Lançamento: 2015 – Minha Edição: 2015 – 197 páginas


Roma ficou conhecida, seja pelos historiadores como pela produção cultural, como a grande civilização da Antigüidade: o Império que se tornou referência para todo os que vieram depois. Não é raro se deparar com alegorias ou analogias à Roma falando desde o Império Britânico ao Estados Unidos.

Para além das questões de eurocentrismo (de encarar que a Europa é o centro do mundo), uma importante tarefa ao lembrar de Roma é que ela foi por outros tantos séculos uma República. Este período talvez senha sido mais decisivo para consolidação da civilização e sua condição de grande potência; ao mesmo tempo que deixou legados para o que entendemos como republicano até hoje. Afinal, esse regime foi implementado justamente em oposição à monarquia romana, que governou a cidade por séculos anteriormente. Este movimento, “da Monarquia à República”, que hoje é até encarado como “natural”, teve em Roma uma de suas primeiras ocorrências.

Aliás, muitos dos momentos mais divertidos do livro consistem em encontrar a origem de várias expressões políticas atuais. Por exemplo, que o plebiscitum vem das decisões tomadas pela assembléia dos plebeus, e por isso até hoje é sinônimo de consulta popular; ou que municipia era uma cidade que aceitava o domínio romano na relação com outros povos, mas mantendo sua administração local autônoma, e por outro lado, a cidade que resistia à conquista se tornava uma colonia, correndo risco de ter as terras tomadas e população escravizada.

Tentando sempre que possível apontar traços mais diversos do passado romano, é inevitável que um resumo de séculos de história antiga trate quase que exclusivamente de uma panorâmica política e militar – mesmo porque a maioria das fontes (os registros e testemunhos da época) que sobreviveram até nós predominantemente tratam desses temas. Mas o livro está longe de ser uma historiografia “obtusa”, não se contenta em focar a narrativa em uma história dos grandes eventos ou grandes homens, ainda que trate a maior parte do tempo sobre eles.

Ao final, a obra é extremamente competente em seus objetivos e nos apresentar um vôo relâmpago por toda a história republicana de Roma. Conseguindo tanto capturar seus principais momentos, como descrever temas mais gerais de organização social, cultural, econômica e política do período.

Justamente por conta da magnitude do que está sendo tratado, por várias vezes a obra fica um pouco mais complicada de ler. Não pela linguagem, que é muito acessível, mas sim que de repente você se vê grifando quase todas as linhas de um parágrafo porque a sensação é de que cada palavra é imperdível para entendermos tudo.

Muito Bom (4,5/5)

PELO TAMANHO DA PROPOSTA E DO OBJETO, O TEXTO ACABA FICANDO MUITO CORRIDO, DIFICULTANDO UM POUCO A LEITURA – O QUE É INEVITÁVEL. Mas é Uma panorâmica muito competente e completa do tema, tratando sobre vários séculos de história. Uma das principais obras sobre Roma, nesse formato resumido, disponíveis em português no Brasil.

Criatividade: quando lembramos dos aspectos culturais de Roma, a característica que nos vem logo à cabeça seria a cópia da cultura grega – por muitas vezes a maioria das produções daquele período é chamada de “greco-romana”, da arquitetura à literatura, do esporte à religião. Claro que isso é uma caricatura, entretanto, as grandes similaridades culturais entre as duas civilizações têm uma explicação.

O conceito de criatividade para os romanos não é exatamente o mesmo que o nosso. Segundo o que o autor nos apresenta, criatividade não era sinônimo de ineditismo ou novidade, e sim aprimoramento. O desafio dos artistas consistia em refinar a arte.

Imperium: embora o Roma ainda não fosse um Império, o que daria o nome ao último regime daquela civilização era um direito já existente desde a monarquia mas em pleno vigor na República: o “imperium“, que consistia originalmente na autoridade que certos políticos e juízes de alto escalão tinha de convocar e comandar exércitos, tanto para empreender guerras como para fazer valer suas políticas ou medidas.

Havia uma determinada hierarquia entre cada um dos cargos que tinham a autoridade de imperium, sendo vários eletivos. Com o desenvolvimento da história romana, tal como o livro apresenta, esse direito passou a englobar cada vez mais poder e autoridade no geral, a ponto de significar um único imperador.


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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