ST: Enterprise – 2ª Temporada (episódios)

Jornada nas Estrelas: Enterprise


S02E01: Onda de Choque (parte 2) – Temos um grande argumento: a relação da Enterprise NX01, do Archer, com a fundação da Federação, e com a Guerra Fria Temporal é excelente. Da mesma forma, fica subentendido que o conflito saiu do controle, o que também é muito interessante. Entretanto, o capítulo decepcionou.

A primeira metade continua no crescendo de tensão, e até alguns momentos, como Archer encontrando um livro sobre os Romulanos, são bem engraçados. Entretanto, a resolução é extremamente confusa e anticlimática, apenas nessa re-assistida consegui entender minimamente o que houve quando um personagem salta de um holograma, mas mesmo assim ainda com muito esforço e uma grande dose de confusão. Faltou refino no roteiro em explicar melhor como aquilo foi possível e também diluir melhor a conclusão, que foi súbita.

Também a revelação do “Future Guy” que seria nesse episódio (e seria, acreditem, o próprio Archer), acabou cancelada e quebrou mais ainda o ritmo.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E02: Carbon Creek – T’Pol conta a história de sua bisavó, que supostamente caiu por acidente na Terra em 1957. Frequentemente comparado ao 11:59 de VOY, um episódio terrível, este aqui acaba entrando no panteão dos piores de Jornada nas Estrelas em mais um auto-plágio.

Não é tão ruim quanto aquele outro; enquanto o primeiro apostava em uma abordagem crítica (muito mal realizada), este aqui tentou se entregar à comédia, sendo mal sucedido também embora de forma menos marcante. Aliás, uma boa expressão para um capítulo tão esquecível.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S02E03: Campo Minado – Um grande e polêmico episódio: a Enteprise acaba tropeçando em um campo minado repleto de minas com capacidades de camuflagem. A polêmica se dá porque a espécie envolvida não deveria ter tecnologia de camuflagem antes de TOS. Uma polêmica muito injusta. Diferentemente das aparições dos Ferengi e dos Borg, aqui não foi fanservice nem tentativa de levantar a série; os romulanos precisavam ser abordados no seriado.

Da mesma forma, ENT tinha uma tarefa árdua: dada a época de produção de TOS uma coisa muito inverossímil se estabeleceu como canônica, o desconhecimento da aparência dos romulanos. A explicação original dizia que por conta da pouca tecnologia disponível, a guerra entre Terra e Romulus, ocorrida um século antes, acabou não contando com transmissões de vídeo, apenas via rádio. Tanto hoje em 2021 ou em 2002 essa previsão não faz mais sentido. E isso diz respeito também à camuflagem, algo muito distante em 1966 mas relativamente crível 40 anos depois.

Aqui, o seriado consegue estabelecer bem esse cânon: os rumulanos optavam por não se comunicar com imagens, por ser uma raça xenófoba. Da mesma forma a questão da camuflagem será abordada na quarta temporada. Enterprise conseguiu fazer a emenda, neste caso, sair melhor que o soneto em um capítulo muito legal (que foi o primeiro que assisti, ainda na TV durante a exibição original).

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S02E04: Ponto Morto – Apesar de não ser uma continuação direta, este aqui tem ligações claras com o anterior, quando o a NX01 esbarra numa mágica estação espacial capaz de consertar toda a nave – seriamente avariada após o campo minado – sem exigir nada em troca, aparentemente.

Não há muito o que ser dito; uma boa saída para reparar a nave em um capítulo corretinho, com um mistério, alguns conceitos clássicos de ficção científica e bem razoável nos aspectos técnicos.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E05: Uma noite na enfermaria – Quando Portos, o cachorrinho de Archer, acaba adoecendo após visitar um planeta, o capitão fica seriamente abalado e não consegue dar conta de uma crise diplomática ao mesmo tempo que acompanha o tratamento do beagle. Sem rodeios: este episódio é uma merda.

São dois grandes problemas, além do argumento fraco. O primeiro é o comportamento de Archer, completamente fora de personagem. Normalmente um capitão frio nas principais decisões, aqui ele está descontrolado. Apesar da justificável preocupação com o animal, ele simplesmente demonstra uma completa inabilidade em lidar com os problemas políticos que se vê deparado, acreditando que a outra parte que deveria pedir desculpas para ele em uma situação visivelmente acidental.

O segundo é a questão da sexualidade. Em certo ponto, Phlox sugere que Archer está tenso porque precisa de uma boa foda. Partindo dessa premissa idiota, começa uma série de cenas de tensão sexual entre o capitão e T’Pol que escancara problemas recorrentes de protagonistas femininas em seriados SciFi. Da mesma forma, o velho clichês dos protagonistas do sexo oposto se apaixonando

Felizmente ambos os problemas são consertados (embora o destino de T’Pol ainda seria maltratado) no futuro, entretanto, não conseguem apagar a tragédia deste episódio – que pra ajudar, voltou a apresentar cenas de banho de gel.

Avaliação: 0.5 de 5.

Horrível (0,5/5)


S02E06: Saqueadores – Mais uma reimaginação de Os Sete Samurais, ou de Sete Homens e um Destino, a Enterprise encontra uma colônia de mineradores que é extorquida frequentemente por um grupo de bandidos.

O capítulo tem seus méritos e consegue adaptar bem uma história já tão conhecida para um ambiente de Ficção Científica. Mas justamente por ser tão conhecida, precisaria de um algo a mais que não veio.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E07: O sétimo – Finalmente um sopro de esperança após tanto capítulos fracos em seqüência. Revisitamos um parte sombria de passado de T’Pol; quando ela fez parte de uma polícia secreta vulcana, encarregada de perseguir agentes infiltrados em outros planetas, mas que se entregavam as emoções e recusavam viver novamente na sua terra natal.

Vencido absurdo da premissa que T’Pol era uma agente secreta, toda a trama e conceitos apresentados aqui foram fantásticos e exploram muito bem uma faceta obscura e bem interessante dos vulcanos. Entretanto, faltou um pouco mais de identificação com o antagonista, queria ter me sensibilizado mais com a causa dele. O roteiro focou mais em explorar os dilemas de T’Pol em tudo que aconteceu, gastando tempo de tela precioso (como nas conversas dela com Archer) que poderiam ser usados para diálogos mais calmos e mais aprofundados entre eles e Menos (o antagonista) e assim entendermos melhor suas motivações.

Achei que o episódio acabou ficando corrido nesse sentido, e vimos menos do que Menos merecia (ainda mais com um excelente ator convidado), mas sem dúvida um dos melhores capítulos da série.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S02E08: O comunicador – Até a terceira temporada, este foi meu episódio favorito de Enterprise. Explorando uma premissa que curiosamente nunca foi abordada antes: o que aconteceria se alguma equipe de exploração esquecesse algum equipamento em solo extraterrestre, em uma sociedade menos desenvolvida?

Aqui ENT leva isso ao limite usando um recurso que facilitou um pouco o trabalho dos roteiristas: aquela civilização já estava a beira de um conflito militar, logo, tudo poderia ser motivo de desestabilização política. Mas mesmo assim transcorreu de forma muito boa e até algumas subversões bem pensadas apareceram; como os próprios habitantes locais darem a resposta certa para o mistério sem querer.

Há uma pequena pisada de bola de continuidade por conta da nave suliban e sua capacidade de camuflagem, que serão esquecidas completamente, mas no geral esta é uma estória excelente. Mais uma cheia de dilemas e discussões para posteridade. O que seria menos impactante àquele planeta, dizer ou não a verdade?

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E09: Singularidade – Logo na primeira temporada de TNG, no segundo capítulo, tivemos um auto-plágio. Em “The Naked Hour“, a tripulação passa a exibir comportamentos estranhos e a nave fica maluca, assim como houve em “The Naked Time“, de TOS. Apesar de fracos, essas histórias serviam para revelar mais características dos personagens e que acabavam marcantes, como o relacionamento entre Data e Tasha.

Quando o novo auto-plágio vem em ENT o resultado é muito pior. Nenhuma nova característica dos personagens surge quando eles passam se apresentarem comportamentos obsessivos ao passar perto de um Buraco Negro – em um tecnoblablablá muito pouco convincente. O doutor gosta de ser mais médico ainda, o engenheiro fica mais vidrado em consertar as coisas e o oficial tático fica mais preocupado com a segurança.

Além disso, é ridículo quando um personagem é capaz de vencer os fenômenos físicos radioativos com um banho frio e um bom café forte.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S02E10: Ponto de Fuga – Apesar da trama do Teletransporte como algo não-confiável na época de Enterprise ser bem interessante, os capítulos que a abordam são muito fracos. Este aqui é uma bobajada do início ao fim, quando Hoshi passa a ter sintomas de “desaparecimento” após ser transportada para a nave em uma emergência.

Fui ingênuo em achar que o episódio apresentaria os dilemas éticos e psicológicos do teletransporte: na chegada você ser uma cópia de quem era na partida, por exemplo. Sem spoilers (mas seria uma benção aqui para você não perder seu tempo assistindo a isto), a natureza do capítulo não tem nada a ver nem com ética, nem com moral, e nem tecnologia.

Avaliação: 0.5 de 5.

Horrível (0,5/5)


S02E11: Carga preciosa – Uma viagem ao que de pior os anos 80 tinham para oferecer com um episódio centrado no clichê do casal tapas-e-beijos. É quase uma refilmagem do “clássico” da Sessão de Sábado, 7 dias e 7 noites, do Harrison Ford. Trip resgata uma princesa que estava sendo transportada contra sua vontade mas acaba caindo com ela em uma “ilha (planeta) deserta”.

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O argumento clichê poderia funcionar se fosse subvertido em algum ponto, o que não ocorre. Apesar de uma trama paralela engraçadinha dentro da NX01, foi se seguindo exatamente aquela cartilha surrada: assistimos a 40 minutos de um casal se tratando mal até se apaixonar. Parabéns aos envolvidos.

Avaliação: 1.5 de 5.

Muito Ruim (1,5/5)


S02E12: Passarela – Pela primeira vez na história de Jornada nas Estrelas vimos o interior de uma nacelle: a tripulação precisa se abrigar nelas enquanto a Enterprise vai atravessar uma tempestade neutrônica.

Não tem nenhum brilho, mas é um episódio bem correto – ainda mais após uma sequência de bombas que vimos anteriormente. O argumento caminha bem, e, a medida que os elementos vão sendo incluídos na trama, passam a ser articulados também de forma competente, cedendo até espaço para humor. Desembocando uma reviravolta simples mas interessante.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


S02E13: Amanhecer – Trip e um piloto alienígena acabam caindo em um lugar desolado e precisam cooperar de certa forma para sobreviver. Uma história já muito reciclada desde o clássico do SciFi, Inimigo Meu, de 1984 e que já teve suas inspirações por várias vezes em Jornada nas Estrelas, com dois episódios de TNG e um de VOY.

Apesar de ser mais um autoplágio e um argumento já muito desgastado, não é dos piores episódios, com alguns momentos de humor genuíno. Transita bem entre uma pegada mais pesada e outra mais leve, sendo possível criar empatia pelo antagonista – e até por Trip; este provavelmente o episódio em que ele se encaixou melhor como tipo ideal de redneck que os roteiristas sempre quiseram.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E14: Estigma – As implicações do Elo Mental forçado que T’Pol sofreu na temporada anterior são demonstradas neste excelente capítulo, quando descobrem uma doença neurológica na subcomandante. Aqui finalmente ENT tem mais uma oportunidade de brilhar.

Encomendado, realmente, como um episódio temático da distribuidora que desejava fazer uma campanha de apoio às vítimas da AIDS, ele conseguiu exceder ainda mais as alegorias possíveis. Fazendo referências anteriores, e à cultura vulcana, ainda foi capaz de abranger alegorias à transmissão do vírus. E também incluiu um importante dilema interno aos vulcanos, muito importante, através do grupo de médicos que tem contato com ela, que dá mais um passo na transformação daquela sociedade.

Infelizmente, o episódio é prejudicado por uma trama B cômica muito fraca, da relação de uma das esposas de Phlox com Trip. É tão destoante que, até escrever este post, nas minhas memórias tinha certeza que não estavam no mesmo capítulo, mesmo o assistindo mais de uma vez.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S02E15: Cessar-Fogo – Vulcano e Andoria estão em uma crise diplomática muito aguda, as duas civilizações ficam às vésperas de um conflito aberto após escaramuças em um planetóide insignificante, mas que é disputado por ambas.

É muito curioso como a habilidade de desenvolver argumentos políticos é grande na equipe de ENT e tão pouco utilizada. Mais uma vez o resultado é bom ao tratar da disputa entre esses dois povos com um argumento bem trabalhado. Há um pouco de previsibilidade aqui e ali, com a trama focando na sobrevivência da equipe após o acidente, mas o capítulo se mostra muito competente em mais uma etapa da aproximação entre as duas raças (e Shran rouba a cena novamente).

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S02E16: Futuro do presente – Passando da metade da temporada, finalmente temos um capítulo dedicado à Guerra Fria Temporal. A Enterprise encontra uma nave misteriosa que aparentemente veio do futuro e subitamente nossos heróis começam a ser perseguidos por conta dessa descoberta.

Com tensão do início ao fim, se mantém um belo ritmo desde a primeira cena; o episódio vai começando com um mistério sobre aquela nave e se desenvolvendo em ação. Nessa jornada explora bastante possibilidades de uma ficção científica mais clássica, com tecnologias desconhecidas e conceitos temporais.

Infelizmente acaba por revelar muito pouco sobre o tema central. Originalmente se previa que um viajante do futuro resgatasse aquela nave e conversasse um pouco com Archer, mas não aconteceu. A experiência é muito boa mesmo assim.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E17: Canamar – No dia em que seria libertado, um prisioneiro acaba envolvido numa tentativa de fuga de outros encarcerados durante o transporte, mas ele queria ver apenas sua filha. Este é Nicholas Cage em Con-Air: a Rota da Fuga. Esse blockbuster dos anos 90, na realidade, é bem divertido, já sua reimaginação aqui no universo de Jornada nas Estrelas nem tanto.

Trip e Archer são presos por engano e estão sendo levados para uma prisão conhecida, pelos outros tripulantes da nave, por ser muito brutal. Os dois tentam se salvar sozinhos enquanto o resto dos protagonistas tentam resolver isso pelos canais legais, mas uma rebelião explode dentro da nave. Nada demais por aqui, exceto por grandes maquiagens.

Mediano (2,5/5)

Avaliação: 2.5 de 5.

S02E18: A Travessia – Seres não-corpóreos, onde eles vivem, onde moram, o que fazem? Sexta no Globo Enterprise. É uma trama um pouco batida já em Jornada nas Estrelas, e parece que não aprendem. Stargate fez toda uma mitologia baseada nisso, mas aqui as coisas acabam sempre parecidas.

A Enterprise NX-01 é capturada por uma outra nave gigantesca habitada por esses seres, que acabam “possuindo” os corpos dos tripulantes e um impasse se abre. Há alguns méritos no argumento e no desenvolvimento do roteiro (e a reaparição da ponte provisória na nacelle é uma boa referência) que geram não exatamente uma reviravolta, mas um caminho um pouco mais diferente nas motivações dos antagonistas. Entretanto a sensação de trama reciclada não desaparece por faltar aquele algo além.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E19: Julgamento – Aqui temos o exemplo de uma espécie de autoplágio bem feito, quando somos revisitados à trama de Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida. Na realidade, apenas parte do argumento e cenários são os mesmos: Archer é feito prisioneiro dos Klingons e precisa enfrentar o peculiar sistema jurídico dele.

Mesmo tendo muitas similaridades com a trama anterior, consegue ser suficiente único para valer a pena. Há uma boa dose de humor quando somos apresentados a diferentes versões sobre os ocorridos e também uma boa introdução de novos, e interessantes, elementos da história e cultura klingon. Entretanto, menos esforço é colocado tanto para explicar como o capitão chegou àquela situação e como ele saiu dela.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


S02E20: Horizon – Nós pedimos tanto para Enterprise se dedicar aos personagens secundários mas também quase sempre nos arrependemos. Brincadeiras a parte, neste episódio dedicado a Mayweather acompanhamos a visita dele a sua terra natal – o cargueiro da sua família, o Horizon.

Na minha memória, este capítulo dava continuidade de duas subtramas; os space-borns (humanos nascidos fora da terra) e a diferença entre os novos e os pioneiros da exploração espacial – dois elementos da construção do personagem de Travis. Ledo engano. Nem uma coisa nem outra. São só clichês, do início ao fim, sobre a família (ou grupo social) que não aceita quando um de seus membros sai de casa, com uma trama de fundo, sem nada de novo, sobre ataques piratas.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S02E21: A ruptura – Falta de ambição define o capítulo em que a Enterprise precisa resgatar três cientistas denobulanos presos em um planeta que sofreu um golpe de Estado. São duas tramas paralelas, ambas sem brilho. O resgate dos cientistas, geólogos, é trabalhado apenas em cenas de escalada de cavernas; não sabemos nada do planeta ou da turbulência política. E pra ajudar, mais um capítulo baseado em comicidade da dupla dinâmica do humor de baixa qualidade: Malcon e Trip.

A segunda estória, muito mais pretensiosa, faz importantes revelações sobre o passado de Denobula, o planeta de Phlox, que foi envolvido em uma violenta guerra há séculos atrás contra um vizinho. Essa trama começa muito bem quando o doutor se sente confortável com a solução mais fácil para o problema, entretanto, ela vai se desenvolvendo também na forma mais cômoda para os roteiristas.

Alguns elementos jamais apresentados sobre o personagem (e que não vão voltar nunca mais) começam a cair de paraquedas e vira um dramalhão – ao final tive um lapso de esperança quando, na mensagem do médico, parecia que, na realidade, as posições estavam trocadas, o que seria um desfecho inteligente e arrumaria muitas das pontas soltas. Infelizmente não foi o caso.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5)


S02E22: Congenitor – Extrapolar problemas contemporâneos em limites e conceitos fantásticos é sempre uma das grandes características da Ficção Científica, como não me canso de dizer. Este capítulo conseguiu fazer isso como poucas vezes em Jornada nas Estrelas. A Enterprise encontra uma nave de uma civilização muito mais avançada que a terrestre, e disposta a compartilhar muito de seu conhecimento. Apesar de bem receptiva, essa espécie guarda um esqueleto no armário.

Mais uma vez se mostrando competente em criar dilemas sem saída para os personagens, ENT coloca Archer numa posição complicada em relação às ações de Trip – que funciona muito bem como homem simples nesse capítulo, devo concordar. Há algumas conveniências de roteiro, especialmente a gigantesca capacidade de aprendizado daquele ser vivo, entretanto, o resultado é fenomenal e renderá ainda muitas discussões.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E23: Regeneração – Este episódio poderia ser a ilustração de um verbete de injustiça dos fãs. Pesquisadores árticos descobrem destroços da Esfera Borg destruída nos eventos de ST: Primeiro Contato, em 2063 e acabam acordando os piores inimigos que a humanidade já viu.

O episódio acabou sendo um fanservice que saiu pela culatra: ao trazerem os grandes antagonistas da série aqui em Enterprise, gerou uma ira contra violações de Canon e Linha do Tempo. Tudo muito injusto. Assim como em Campo Minado, no começo da temporada, o buraco canônico já estava estabelecido quando os borgs viajaram no tempo, ENT apenas pegou aquele gancho e explorou as possibilidades.

E, cá entre nós, perto do que foi a arco dos borg na primeira temporada da Picard, puro fanservice sem direção, é para todos que reclamaram fazerem fila pra pedir desculpas.

Tudo de forma muito cuidadosa, e com um final que criou um paradoxo muito interessante. E ainda, completa-se a injustiça, pois estamos falando de um episódio excelente: um roteiro muito bom, belos diálogos retratando a inexperiência daqueles personagens com os vilões e dilemas do enfrentamento; além de direção de arte excelente com os sets tanto da escavação quanto da nave assimilada, coroada com uma trilha sonora magnífica.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E24: Primeiro Vôo – Archer recebe a notícia que um velho colega de Frota Estelar morreu e passa a relembrar um momento da vida de ambos, durante vôos de testes anteriores ao lançamento da Enterprise NX-01. Um razoável episódio de flashback que se serve de várias convenções do gênero, como o bar onde os amigos se reúnem, personagens se encontrando a primeira vez, brigas entre oficiais muito viris, nada de novo.

O enredo é interessante, criamos empatia no sentimento de perda daquela figura, e o episódio faz uma boa rima entre desmentir os vulcanos no passado e desmenti-los naquele tempo presente. Entretanto, a dinâmica do personagem contando as coisas um para o outro, com pausas na narrativa e cortes sincronizados (para os intervalos comerciais) é muito manjada e tediosa.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E25: Recompensa – Da mesma forma que encerramos a temporada anterior, mais uma vez Archer acaba sofrendo conseqüências de seus atos. Ele é capturado por um caçador de recompensas, já que sua cabeça está a prêmio devido a fuga de Rura Penthe alguns capítulos anteriores.

A segunda temporada de ENT conseguiu a proeza de retirar uma das coisas mais interessantes da anterior, que era o desdobramento das ações dos personagens de alguns episódios em outros – especificamente Archer. Aqui, no último capítulo regular daquele ano, finalmente isso retorna e é satisfatório. Não temos nada de brilhante ou acima da média aqui. Pela primeira vez vemos um personagem Tellarita com destaque, mas a caracterização dele é pouco inspirada, ainda que a jornada dele com Archer se mantenha minimamente engajadora.

O grande problema é a trama B, completamente dispensável, relacionada, mais uma vez, a uma sexualização de T’Pol dentro da Câmara de Descontaminação, com gel e roupas íntimas. Há uma certa conexão com a mitologia de Jornada nas Estrelas – configurando um nítido e baixo fanservice – mas além do gosto duvidoso dessa abordagem, funcionou muito mal como alívio cômico. Apenas serviu para mostrar que com Trip no comando a tripulação não consegue resolver nada, já que quem soluciona tudo está fora da nave.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E26: A Expansão – Representa um salto, em vários sentidos, quando este capítulo dá início ao “super-arco” Xindi. A Terra é alvo de uma “máquina do juízo final”, que causa um dano gigantesco ao planeta, ocasionando milhões de mortes (apesar de ser necessária uma boa suspensão de crença para entender a geografia do ataque) – ao mesmo tempo, os Klingon ainda não desistiram de levar Archer à justiça.

Aqui vemos que a equipe de ENT sabia trabalhar e sabia mais ou menos a direção que queria tomar: em termos de narrativa, pegam o melhor da primeira temporada – que eram as conseqüências de um capítulo aparecendo em outro embora não sejam diretos – com o melhor da terceira – o superarco. E as duas situações conversam muito bem, pois marcam uma mudança de tom e visão da realidade dos personagens. Impacientes, não tem a menor consideração pelos perseguidores e pela primeira vez a NX-01 destrói uma outra nave.

Todo o capítulo é muito competente em criar uma sensação de drama e responsabilidade para a tripulação, o peso do mundo nas costas deles. Sabemos que muita coisa vai mudar na terceira temporada e não é bem como pintam aqui – e algumas direções narrativas , referente à vingança e terrorismo, serão transformadas também; entretanto é um dos capítulos mais competentes de toda a Jornada nas Estrelas em marcar a maior mudança narrativa de toda a franquia.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


Jornada nas Estrelas: Enterprise

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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