Jornada nas Estrelas: TOS – 3ª Temporada – Melhor, Pior, Essencial

Jornada nas Estrelas: A Série Original

Melhor Episódio

A Teia Tholiana – O trabalho de escolher um bons episódios aqui, infelizmente foi fácil, eram raros. Entre os melhores estão, certamente: O Incidente Enterprise, apenas a segunda e última aparição dos romulanos no seriado e contém uma trama muito interessante, entretanto, com notáveis problemas de roteiro, como esquecer de dar um nome à antagonista, uma das personagens mais relevantes que já apareceram no seriado.

Lá por volta da metade da temporada tivemos A Última Batalha, um episódio que a primeira vista não é tão chamativo, talvez pela simplicidade visual da maquiagem dos personagens ou dos efeitos especiais que apenas alteram as cores da imagem; mas que possui um final dos mais densos e inteligentes de todo o seriado. Infelizmente, acho que a postura de Kirk – nesse sentido, do seriado – deixa a desejar ao não perceber que não era exatamente um conflito em pé de igualdade entre os dois personagens (o que fica claro quando um apresenta poderes quase de um Q e o outro não).

De pobreza visual também sofre O Dia da Paz, que tem um argumento bastante sombrio e levou a direção optou por escurecer o episódio e as maquiagens, mas acabou dando um ar de imperfeição em tudo que nem remasterização ajudou a compensar – para ajudar, o final é uma cena de discussão contra uma lâmpada.

Nesse sentido, a Teia Tholiana é, dentre os destaques, o episódio mais redondinho e um dos raros exemplares da terceira temporada que recebeu continuações e legados no futuro (no caso, de uma obra prima em Enterprise). Curiosamente, mesmo tendo Kirk ausente de boa parte do capítulo, tudo se desenrolou muito bem e foi tenso até o final.

Em um degrau abaixo; Todos os Nossos Ontens não é exatamente um grande episódio mas tem uma das premissas mais interessantes sobre viagem no tempo que me recordo e vale a pena visitar.


Gostaria que fossem melhores: 1) Elaan de Troyius – apesar do título não guarda nenhuma referência à mitologia grega, algo que poderia ter sido feito com elementos do próprio roteiro. 2) Não há beleza na verdade? – poderia ter gastado menos tempo com flertes com a bela doutora e mais na contraposição entre sua beleza e a feiura do alienígena. 3) Os Guardiões das Nuvens – não foi nem ingênuo nem “realista” o suficiente, o roteiro original iria para esse segundo caminho e poderia ter um resultado muito melhor.

Pior Episódio

Ciranda do Poder – Quando a produção decide modular a voz a aparência do ator para ele ficar menos visível o possível, e assim esconder o quão ruim ele estava atuando, você sabe que estamos falando de algo pavoroso. É o que aconteceu com o vilão deste episódio (que, na realidade, era um advogado celebridade da época), em um dos piores roteiros já escritos para Star Trek. Diálogos péssimos, conceitos que caem do céu, personagens que descobrem as coisas em ninguém ter informado; horrível.

Infelizmente, os roteiros foi o que tivemos de pior neste último ano do seriado – mesmo com as restrições orçamentárias, em vários episódios a produção, a direção e a direção de arte tiraram leite de pedra na construção dos cenários e em formas de mascarar as dificuldades. Em Num piscar de Olhos, o roteiro estava mais perdido que cego em tiroteio para lidar com as diferentes velocidades do tempo, enquanto a direção fez um trabalho brilhante.

Coisa parecida com A Marca de Gideon, que criou ambientações muito interessantes mesmo pouco espaço, com o perdão do trocadilho – aquele corredor ao fundo era muito bom. Infelizmente tudo se torna uma grande bagunça, sendo prejudicado especialmente pelos diálogos. Em as Luzes de Zetar, temos também vários elementos interessantes e teria tudo para ser um episódio honesto, mas o resultado é um completo desastre, um monte de conceitos sem conversar uns com os outros.

Enquanto isso, os Herdeiros de Platão, apesar de ser palco do importante beijo entre Kirk e Uhura, é um tédio e desconfortável; uma reação parecida também com O Castigo dos Deuses; péssimos. Já, A Sobrevivente, é apenas chato, depositando a tensão em perseguições em câmera lenta. O Caminho para Éden, ao retratar a contracultura dos anos 60 como um grupo de desocupados e loucos, mostra uma face conservadora por parte de Jornada nas Estrelas que é rara de ver.

Nesse sentido, o Cérebro de Spock, muitas vezes tido como o pior episódio da série, as vezes parece injustiçado. É sim muito ruim, e, especialmente, muito mal escrito, mas não é tão repulsivo nem tedioso; consegue a façanha de ser ruim ao ponto de ser divertido.

Essenciais

Há uma porção de episódios ruins que não podem ser pulados aqui, normalmente porque são sempre citados em listas, conversas, vídeos, podcasts e você precisa saber do que se trata; O Cérebro de Spock é o mais famoso, embora não considere a experiência ruim, e Ciranda do Poder é realmente terrível. Enquanto isso, Os Herdeiros de Platão é tão ruim quanto, mas tem a fama devido ao beijo inter-racial, um momento importante para Jornada nas Estrelas e para a TV americana.

A sequência final também vale a pena ser assistida ainda que não tenha nenhuma obra prima. Os Guardiões das Nuvens tropeça um pouco mas lembra o que há de melhor em Classic Trek; e em Todos os Nossos Ontens há um conceito muito interessante. Por Trás da Cortina não é um primor, mas introduz personagens muito importantes para o lore de Ster Trek; e O Intruso é uma importante fonte de sua época. Do mesmo nível, vemos o Não Há Beleza na Verdade? e Síndrome do Paraíso.

Por fim há os essenciais mais fáceis, os melhores (raros) episódios da temporada; O Incidente Enterprise, onde vemos o Spock conquistador e uma trama de espionagem internacional; O Dia da Paz, retratando uma feroz batalha contra os Klingon pela Enterprise; A Teia Toliana e seus belos trajes ambientais; e A Última Batalha com seu final sombrio.

Fechando assim 12 dos 24 episódios da temporada se você quiser uma experiência mais rápida.

O Cérebro de SpockMuito RuimPiores / Essencial
O Incidente EnterpriseMuito BomMelhores / Essencial
Síndrome do ParaísoBomEssencial
Ciranda do PoderHorrívelPiores / Essencial
Não há beleza na verdade?Bom
O Último DueloBom
O Dia da PazMuito BomMelhores / Essencial
O Mundo FinitoMediano
A Teia TholianaExcelenteMelhores / Essencial
Os Herdeiros de PlatãoMuito RuimPiores / Essencial
Num Piscar de OlhosRuim
Joia RaraMediano
Elaan de TroyiusMediano
O Castigo dos DeusesMuito RuimPiores
A Última BatalhaExcelenteMelhores / Essencial
A Marca de GideonMuito RuimPiores
A SobreviventeMuito RuimPiores
As Luzes de ZetarRuimPiores
Réquiem para MatusalémMediano
O Caminho para ÉdenMuito RuimPiores
Os Guardiões das NuvensBomEssencial
Por trás da CortinaBomEssencial
Todos os nossos ontensBomMelhores / Essencial
O IntrusoBomEssencial

Jornada nas Estrelas: A Série Original


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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