Jornada nas Estrelas: TOS – Terceira Temporada

Jornada nas Estrelas: A Série Original

Continuamos sem muita cerimônias para falar do clássico dos clássicos; lembrando mais uma vez que a ordem de produção (S0XE0X) não é a mesma da ordem de exibição (que é a que é utilizada nos streamings atualmente).


S03E06: O Cérebro de Spock – Ah, o famigerado! Normalmente considerado o pior capítulo de toda TOS, ele faz jus à fama. A Enterprise é abordada por uma única invasora que foi capaz de deixar toda a tripulação desacordada e, enquanto isso, roubar o cérebro de Spock e fugir da nave.

Claro que o ponto “alto” é o Spock zumbi comandado por controle remoto, uma das coisas mais bizarras de toda Jornada nas Estrelas; mas isso é apenas um dos aspectos. O roteiro, escrito até por um veterano do seriado, é muito ruim, especialmente com os péssimos diálogos (a pergunta de Kirk sobre mulheres aos nativos é completamente aleatória; arbitrária para introduzir esse problema na estória) e a sequência final do paciente explicando como operar a si mesmo é mais um dos momentos mais toscos do gênero.

Há até alguns elementos interessantes bem lá no fundo, e o argumento geral, do rapto de Spock por aquele determinado motivo, é razoável assim como a dinâmica do “professor”. Nenhum deles é capaz de salvar essa bagunça, mas garante uma experiência até divertida.

Avaliação: 1.5 de 5.

Muito Ruim (1,5/5)


S03E04: O Incidente Enterprise – Kirk toma uma série de decisões controversas, invade a zona neutra e coloca a Enterprise dentro espaço romulano. Em instantes, os mais perigosos inimigos da Federação de então cercam nossos heróis.

Foi apenas a segunda (e última) aparição dessa civilização na Série Original, que coloca o episódio já numa posição de destaque. Além disso há muitos elementos interessantes, como uma capitão mulher na nave inimiga, os romulanos usando naves klingon, o cerco a nave, Spock galanteador, dentre outros. Cada instante do capítulo tem alguma coisa legal.

Infelizmente, por outro lado há vários problemas vindos exatamente dessas coisas legais, reconhecidos justamente pela roteirista, DC Fontana. Particularmente não acho que o romance entre o vulcano e a romulana foi um erro; muito pelo contrário, era um raro contato entre as duas raças e acho muito plausível que geraria alguma tensão sexual – todavia, há a questão de que havia um entendimento que os vulcanos só amariam durante.

Mas há sim alguns belos furos: 1) o fato das naves klingon com romulanos não é explicado – foi bateção de cabeça da direção de arte, que fez miniaturas klingon demais para a temporada, acabou o orçamento e precisavam usar. 2) O sistema de camuflagem que já existia sendo apresentado como inédito – há explicações em materiais internos de que anteriormente as naves não poderiam se movimentar camufladas 3) A infiltração de Kirk – Kirk correndo pela nave com uma bola gigante brilhante não ter sido notado. Ou pior, 4) a importante comandante sequer receber um nome.

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S03E03: Síndrome do Paraíso – A Enterprise tem a missão de tentar impedir a colisão de um asteroide com um planeta habitado; ao conhecer o local, eles descobrem que é habitado por indígenas como os norte-americanos. Mas inspecionando um misterioso obelisco, Kirk fica preso no planeta enquanto a Enterprise precisa interceptar o asteróide.

Há uma série de críticas do retrato feito dos indígenas neste episódio, e de fato é problemático. Kirk é recebido como um Deus branco pelos nobres selvagens indígenas, literalmente já que, também, rapidamente se descontrolam quando contrariados. Concordo e acho pertinente, na época era uma abordagem extremamente comum dos nativos americanos no entretenimento. E isso não o exime de crítica: há uma terrível prática de trekkers sobre TOS que não podermos apontar esse tipo de erro porque era um “produto da época”. Inclusive há um paradoxo importante dentro do próprio capítulo: os “preservadores” resgataram os indígenas dos Estados Unidos por acreditarem que eles estavam sob ameaça de extinção. No caso, só poderia ser a ameaça através do genocídio perpetrado exatamente pelos americanos – embora não esteja exatamente citado desta forma.

Dito isto, por outro lado, é um capítulo comovente tanto pela trajetória de Kirk (que lembra The Inner Light de TNG, ou melhor, ele lembra este aqui) como pelo núcleo que permanece na Enterprise. Os cenários são ótimos também, o Obelisco em especial é um dos props (objetos de cena) mais bonitos de toda a TOS.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E05: Ciranda do Poder – Mais crianças assassinas neste assustador episódio de Jornada nas Estrelas. Um grupo avançado contando com Kirk, McCoy e Spock encontra um assentamento de pesquisadores da Federação em que todos os membros estão mortos, exceto pelas crianças. Apesar delas estarem se comportando felizes e alegres, como se fossem imunes à carnificina ocorrida com os pais, são levadas à Enterprise para cuidados e exames.

Temos um sério candidato aos piores diálogos já escritos para a franquia. A conversa entre os três protagonistas, capitão, imediato e médico, no meio do capítulo é horrível, confusa, mal escrita e mesmo assim é a que a quem a maior responsabilidade de explicar o argumento do episódio; com uma discussão sobre “o mal” que cai de pára-quedas justamente através de Spock. E, de repente, tudo acaba descambando para a sobrenaturalidade e até o capitão descobre o nome do vilão sem ninguém contar pra ele.

Há um elemento realmente assustador, que é a ciranda que as crianças fazem, e causa um profundo mal estar vendo o episódio. Há esse mérito. Todo resto é péssimo a ponto de Roddeberry pedir para modularem cada vez mais a voz e a aparência do vilão, para ficarem menos compreensíveis dado o péssimo trabalho do ator (um advogado-celebridade da época). O argumento de fundo é extremamente mal delimitado, assim como o poder das crianças e as motivações delas as de Gorgan – e tudo pôde ser vencido, basicamente, a partir de chocalhões de Kirk e Spock um no outro.

Avaliação: 0.5 de 5.

Horrível (0,5/5)


S03E07: Não há beleza na verdade? – Está se tornando constante nesta temporada a necessidade de rebobinar certos trechos para ver se eu entendi direito; desta fez foi o que ocorreu ao ver o “duelo mental” do final do episódio. Aqui a Enterprise está transportando o embaixador Kollos, uma criatura amorfa cuja aparência é capaz de levar a loucura qualquer humano – exceto a Dra. Jones, sua acompanhante na viagem.

O argumento e conceitos envolvidos neste episódio são todos bastante interessantes, assim como a articulação de dois “triângulos amorosos” que acabam acontecendo por razões diferentes. Da mesma forma há alguns bons diálogos sobre a questão da estética e filosofia por trás disso; ainda que esperasse que isso pudesse ser trazido ao centro do episódio, e não ser algo apenas marginal.

No geral, é um episódio bastante ambicioso pelas questões levantadas mas parece que acaba nunca “chegando lá”; perdendo tempo com flertes da tripulação com a bela doutora. Sua beleza seria algo para contrabalancear à feiura do embaixador, mas, ao invés de criar alguma tensão ou subversão desse contraste, é usada para gerar nuances de romance. E peca especialmente pelo final, é que um pouco confuso na montagem feita das “lembranças” de cada um.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E01: O Último Duelo – A Enterprise está numa missão de fazer contato com um planeta específico, mas nas redondezas recebe um aviso para que se afaste. Nossos destemidos exploradores ainda assim seguem adiante e, quando colocam os pés no local, são sentenciados a morte de uma forma muito especial: revivendo um duelo de cowboys ocorrido no Arizona em 1881.

É um episódio muito querido pelos fãs americanos, e o motivo é fácil de entender; é uma história muito direcionada a eles; e, consequentemente, um dos capítulos mais provincianos de todo o seriado. Ainda que a história de Tombstone até tenha sido encenada várias vezes no cinema, para nós é muito pouco interessante saber que Kirk é descendente dos pioneiros do Oeste, ou como é que Spock conhece data, hora, local e número de tiros do Billy-qualquer-coisa com o xerife-não-sei-das-quantas devido ao seu “amplo” conhecimento da História da humanidade.

Não é difícil perceber suas virtudes, por outro lado. Devido a restrições orçamentárias não foi possível fazer tomadas externas, obrigando a construção de um cenário de Faroeste. Mas ainda assim, incompleto. O que rendeu um cenário surrealista pra lá de interessante (melhor do que se fosse uma reconstrução completa). Da mesma forma, o “duelo final” do capítulo é bem marcante; ainda que a jornada em si não tenha sido igualmente intrigante. Se em Um Gosto de Armageddon, havia o cuidado de colocar um personagem que forçasse o contato com o planeta que não o queria, aqui Kirk e Spock simplesmente ignoram o pedido de “não perturbe” sem motivo (até comentam que ninguém fazia ideia de quem era e do que se passava por lá).

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E11: O Dia da Paz – Após responder um pedido de socorro de uma colônia, nossos heróis encontram um planeta deserto mas orbitado por uma nave Klingon severamente avariada. Os Klingon sobreviventes atacam a equipe de reconhecimento, e, em pouco tempo, a Enterprise é palco de uma estranha batalha até a morte entre eles e a Federação.

Fiquei com a impressão de um episódio mediano, mas essa não seria uma afirmação justa. Acredito que essa impressão tem a ver com os visuais mais singelos desta terceira temporada, como também uma fotografia mais escura, muitas sombras e pouca luz; para dar um ar mais sombrio ao capítulo, provavelmente, mas que atualmente dão mais a impressão de mal posicionamento da iluminação. Além das cenas finais, da discussão com uma luz, que são pobres demais até mesmo para os anos 60.

Entretanto, é um argumento bastante interessante com boas reviravoltas – a história do irmão de Chekov até eu caí – especialmente a possibilidade da natureza da colônia, que originou todo o problema, não ser a que se esperava. Destaque, ainda, para o cuidado das espadas corresponderem a caracterização dos personagens. O problema fica com a resolução súbita, típica desta temporada.

Avaliação: 4 de 5.

Muito Bom (4/5)


SE03E10: O Mundo Finito – E se A Síndrome do Paraíso fosse protagonizado por McCoy? Aqui, a Enterprise precisa corrigir a órbita de um gigantesco asteróide que ruma a um planeta habitado, mas ao examinar de perto, descobre que ele também abriga formas de vida.

E lá vamos nós outra vez, para a terceira temporada e os capítulos com boas ideais mal executadas.

O roteiro tem alguns problemas que acabam prejudicando decisivamente o episódio apesar de interessantes premissas da nave geracional. O mistério em torno da nave é descoberto em uma única fala de Spock quando ele reconhece uma característica daquela cultura. Esse diálogo cai de paraquedas, já eliminando de supetão boa parte da atração da estória; restando aos protagonistas apenas a tarefa da corrigir o curso. Objetivo que é conseguido tão somente com o Kirk falando e chacoalhando uma personagem várias vezes. O romance de McCoy, que é interessante, guarda pouca interferência na resolução do problema.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E09: Teia Tholiana – Este já era um capítulo famoso, mas sua continuação em Enterprise deu ainda mais fama. Em busca da Defiant, uma nave da Federação da mesma classe que a Enterprise, nossos heróis a encontram em condições misteriosas; toda tripulação morta e a própria embarcação desaparecendo.

Talvez o episódio com menos tempo de tela do Capitão Kirk do seriado, a tripulação precisa se virar sem seu líder devido a um contratempo com a Defiant, e graças a isso temos um grande duelo entre Spock e McCoy em vários diálogos (eu particularmente gosto mais do doutor que do imediato, mas achei que ele foi muito injusto aqui). Apesar de pouquíssimas informações, os Tholians se estabeleceram como uma das raças mais intrigantes do universo ficcional e, em especial, o destaque vai para os efeitos visuais e especiais – eu gosto muito da teia em si e dos trajes ambientais.

Desde a exibição foi um episódio favorito dos fãs e da crítica, e um dos mais marcantes. Todavia, me incomodou a convergência e a facilidade que tudo acabou se resolvendo ao final, não queria deixar de comentar.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S03E12: Os Herdeiros de Platão – O famoso capítulo por ter sido palco do primeiro beijo inter-racial (entre uma pessoa branca e outra negra) da história da TV americana, e infelizmente não há muito mais que isso por aqui. A Enterprise recebe um pedido de socorro de um planeta habitado por humanos que se reivindicam discípulos da filosofia de Platão e, por um acaso, tem poderes de telecinéticos.

Assim como O Mundo Finito, o mistério da origem daquele planeta, é resolvido numa única fala, restando apenas aos protagonistas escaparem daquela situação. É uma opção narrativa, sem problemas. Entretanto, para dar peso e prolongar ao drama, somos obrigados a assistir longas cenas de “torturas” e sadismo a qual nossos heróis são submetidos – com cantorias e sapateado, por exemplo – que não são das mais cativantes, e bastante incômodas por uma série de razões, tornando-se um roteiro extremamente arrastado.

A resolução é até razoável e “científica”; entretanto o capítulo não se sustenta no que se refere à crítica ao platonismo ou a democracia grega, ou coisas assim, se é que isso é feito. Não faz muito sentido a questão de serem “Herdeiros de Platão” com a questão da telecinese ou a própria forma de organização social. O republicanismo de forma abstrata e levado a extremos é passíveis de muitas críticas – normalmente ligada “a extrema igualdade” que ignora as diferenças (riqueza, gênero, idade, etnia) entre os indivíduos dentro de uma mesma sociedade – e com certeza poderia ser palco de distopias, entretanto nenhuma condiz com a abordada aqui. Da mesma maneira; não faltam questionamentos como aquela civilização conseguia se sustentar.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)

Uma discussão atual sobre o republicanismo:

O ódio à democracia

A crise mundial das democracias representativas levou a um paradoxo: as pessoas acham que a democracia não é democrática suficiente, está viciada, portanto, elas depositam seus votos em quem fala contra a própria democracia.


S03E13: Num piscar de olhos – Mais um pedido de socorro enganoso na vida da Enterprise. Desta vez, ao responder a esse sinal, encontram um planeta com sua população desaparecida mas, ao retornarem a nave, eles levaram alguma coisa consigo que eventualmente rapta o capitão. Um grande destaque deste episódio é a direção; com algumas tomadas muito elegantes – por exemplo, quando capitão encontra Spock já caminhando no corredor e quando consegue deixar implícito que houve sexo entre dois personagens (hoje é um recurso muito comum, na época, foi genial) – mas, especialmente, por optar por enquadramentos diferentes para quando estamos sob um “regime cronológico” anômalo.

Com relação ao roteiro e diálogos, por outro lado, apenas decepções. Embora haja alguma coisa ali e aqui interessantes, premissa e argumento se sustentam muito pouco (é tudo muito pouco crível e bizarro mesmo para os padrões de uma ficção dos anos 60) e, como eu detesto, as coisas se resolvem quando se apaixonam por Kirk. Da mesma forma, o final termina como uma espécie de “gancho”, que não condiz nem com a postura da Frota nem com o tom do seriado.

Ainda assim, isso tudo é pouco. O grande problema é como o roteiro foi totalmente inábil na lida com os dois “tempos” diferentes: dada a velocidade que o grupo mais lento fica relação ao mais rápido (nos últimos 10 minutos, Scotty fica na mesma posição, podemos supor que 1 segundo seria o intervalo de tempo normal), deveria ter se passado dias ou mesmo semanas entre as ações de uma turma e a outra (numa continha rápida, o tempo do episódio seria o equivalente a mais de 20 dias usando essa proporção). Não é o caso; a impressão é apenas de que alguns personagens ficavam pontualmente paralisados.

Avaliação: 2 de 5.

Ruim (2/5) (porque a direção é muito boa mesmo, do contário seria para 1)


S03E08: Joia rara – A Enterprise vai resgatar, no último minuto, dois astrônomos que “ficaram para trás” para observar a explosão em supernova de um sistema solar. Mas, uma vez na estação de pesquisa, nossos três protagonista são feitos prisioneiros por bizarros aliens que também têm em cativeiro uma estranha mulher incapaz de falar.

É realmente invejável a capacidade que a equipe técnica teve em conseguir disfarçar a falta de orçamento nesta terceira temporada; aqui com um elegante cenário todo composto de cortinas pretas. Lindo.

Já o roteiro por outro lado, o tempo todo parece que faltaram algumas linhas de diálogo aqui e ali para deixar tudo um pouco mais conectado. Após assistir tudo, você consegue dar sentido no que aconteceu, mas durante o capítulo não é bem assim. Por exemplo, não sabíamos (e também não é mencionado mais que uma única vez) que haviam outros planetas habitados naquele sistema solar, algo fundamental para o argumento da estória.

Que aliás é interessante, entretanto, claramente foi levado pela direção para uma analogia a Jesus Cristo. No primeiro contato, Joia está deitada numa cama em formato de cruz, depois todas as cenas de torturas, ainda não exatamente crucificados, lembram isso, e claro, o ponto central da heroína querer “morrer por nós”, coroado com uma alegoria à parábola da pérola do evangelho de Matheus. Não sou completamente avesso ao cristianismo ainda que não tenha religião, fui criado como católico e ainda respeito alguma ou outra tradição dessa doutrina, mas esse tipo de abordagem me passa a impressão de enredo moralista, o que eu odeio.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E02: Elaan de Troyius – Nossos heróis estão em uma difícil missão diplomática; levar uma bela noiva ao encontro de seu noivo, cada um de um planeta diferente, antigos inimigos, na esperança de que esse casamento consolide a paz no sistema. Entretanto, a pretendente não está tão feliz assim com o matrimônio.

O episódio é uma grande mistura de diversas linhas de enredo, sendo que nenhuma chega realmente “lá”, no sentido de concluir bem o problema levantado. A começar pelo título, que é uma clara paródia de Helena de Tróia, que, ao contrário do que poderíamos esperar, não é exatamente a inspiração do argumento principal – poderia ser, caso fossem mais longe, justamente, com uma das linhas narrativas: o romance entre Elaan e o capitão – passando pela questão das lágrimas apaixonantes, e, especialmente, a relação entre os Elasianos e os Klingon, que não é detalhada.

E, ainda, os três personagens importantes, todos um ficam pouco perdidos, desde o pessimista embaixador, que desiste de sua função, ao bravo chefe da guarda, que não tem suas ações explicadas e, justamente, a bela Dohlman, que não tem exatamente nenhuma característica exceto ser “do contra”. Com os mesmos elementos, poderíamos ter um grande capítulo caso o romance entre Kirk e Elaan fosse levado ao limite, manipulado pelos Klingon, para causar a guerra no sistema. Não foi o caso.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E16: O Castigo dos Deuses – Visitando uma colônia manicomial, Kirk e Spock acabam se tornando prisioneiros dos internos do lugar, que são liderados por um antigo e condecorado Capitão caído da Frota Estelar e esse antagonista, sabe-se lá Deus o porquê, tem a capacidade de mutação de aparência. Em todas as séries é difícil achar algo tão aleatório quanto isso aqui (assim como é aleatória a tal atmosfera tóxica, ainda que renda belos efeitos).

Infelizmente não para por aí o mau desenvolvimento do vilão, que é provavelmente o ponto mais baixo do episódio: o fato dele ter sido um antigo e heroico capitão não é mobilizado em momento algum, exceto em algumas falas de Kirk que estabelece que ele era importante. Poderia ser, no lugar, um vilão qualquer com mania de grandeza.

Para piorar, o episódio aposta em uma abordagem de ação e tensão ao invés de uma direção mais dramática ou psicológica, que seria mais adequada a temática e as restrições orçamentárias. No lugar de bons diálogos e dilemas morais, temos desde cenas de luta ao desenvolvimento de um grande explosivo (?). E tudo é coroado com um péssimo final “bonitinho”.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S03E15: A Última Batalha – Durante um missão de saúde pública a Enterprise ruma em ajuda a um planeta acometido por uma infecção bacteriana (?) em sua atmosfera; entretanto, acaba tropeçando em dois alienígenas, um fugitivo e um perseguidor em eterno conflito.

Meus principais problemas neste episódio são referentes a um aparente desprezo que Kirk demonstra pela causa de Lokai, e pelo conflito dos dois em geral, em alguns momentos. Como da mesma forma, ambas as partes são colocadas em pé de igualdade sendo que, claramente, os diálogos estabelecem como Belle é o opressor e Lokai o oprimido, vítima de uma espécie de limpeza étnica. Independente disso, esse desprezo por disputa e conflitos de terceiros, muito comum nos EUA, é sempre paternalista e moralista demais.

A questão dos poderes especiais demonstrados por Belle são uma saída fácil para criar tensão, mas, ao mesmo tempo, grande furo no roteiro. Lokai não tem esse poder? Se ele não tem, fica ainda mais claro quem é o opressor e quem é o oprimido nessa história.

Todas essas críticas são positivas, geradas pois se trata de um belo capítulo com um importante dilema e personagens relativamente tridimensionais; Lokai sempre tem o argumento mais certo e mais comovente para tudo, ao mesmo tempo que Belle se mostra “compreensivo” em certos momentos com a missão da Enterprise apenas para demonstrar mais poder. Uma tensa e interessante jornada que passa de forma bem fluida até chegar a um final maravilhoso, meu favorito da TOS.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S03E17: A Marca de Gideon – Na tentativa de estabelecer uma aliança com um povo pra lá de restritivo; a Federação é obrigada a deixar Kirk ser o único representante diplomático a negociar com misterioso planeta Gideon pessoalmente. Entretanto, ao se transportar, o capitão acaba em uma Enterprise vazia.

Após uma primeira metade muito tediosa, dedicada a mais um romance de Kirk, o episódio injeta alguns elementos interessantes do real argumento por trás de todas as ações envolvidas. O que infelizmente não se sustenta muito bem, seja por diálogos mal escritos – não dá para entender exatamente o que os “gideonianos” querem fazer, uma pandemia ou suicídios voluntários? – ou por furos de roteiro – como foi possível construir aquela instalação?

Por trás de tudo há uma mensagem muito forte, que até é acompanhada pela direção e direção de arte – há alguns momentos propositalmente bem desconfortáveis – mas nem tanto pelo roteiro e atuação. O amor entre o capitão e a jovem é mais inverossímil que o de costume, e toda a tragédia dá lugar a um final romântico e bonito que praticamente ignora o motivo pelo qual tudo ocorreu.

Avaliação: 1.5 de 5.

Muito Ruim (1,5/5)


S03E14: A Sobrevivente – A Enterprise esbarra em um planeta desgarrado que não constava nos mapas, e um rápido exame mostra que sua idade de alguns milhares de anos não seria o suficiente para aquele estado geológico. Uma investigação é necessária, mas ao descer à superfície, uma estranha mulher ataca a tripulação.

Temos um capítulo em que muito pouca coisa acontece; o resultado final fez com que a roteirista DC Fontana preferisse usar um pseudônimo devido a desfiguração do seu trabalho inicial. Há um aspecto interessante da nave ser deixada aos cuidados de Spock, assim o vemos no comando por quase todo o episódio, mas nada além disso. Na superfície os heróis não descobrem muita coisa até que tudo é revelado em uma única grande fala (e ainda deixa pontas soltas); o tempo enquanto isso é preenchido com cenas tediosas de perseguição em câmera lenta.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S03E18: As Luzes de Zetar – No caminho para Memory Alpha, o repositório de todo conhecimento e cultura de todas as espécies da Federação, a Enterprise é atacada por um fenômeno indecifrável, parecido com uma tempestade, capaz de matar em um curto tempo. Outro famigerado episódio que, com frequência, fica entre os piores da série, com um roteiro que facilmente pode entrar entre os piores de toda a franquia.

Não há nada repulsivo ou absurdo demais aqui, exceto o personagem de Scotty babando na pobre tenente, entretanto, o problema é que todos os principais conceitos, que são razoáveis, não estão, nem remotamente, conectados uns com os outros. O que tem a ver a Memory Alpha com as Luzes de Zetar e em que momento entra a questão da pressão atmosférica? Da mesma forma, mais uma vez, tudo é (mal) explicado em uma única fala – e que também não muda muito o curso de ação dos personagens.

Avaliação: 1 de 5.

Muito Ruim (1/5)


S03E20: Réquiem para Matusalém – A tripulação da Enterprise está sofrendo com uma grande epidemia a bordo; e o Capitão, acompanhado de McCoy e Spock, descem a um planeta rico em um recurso natural necessário para produção do remédio. Mas, uma vez lá, são abordados por um ser humano solitário, que mora em um castelo repleto das mais inestimáveis obras de arte da história da humanidade.

Todo o argumento do episódio é muito intrigante; desde a natureza do tal personagem como do motivo que ele desenvolve para mantê-los no planeta, entretanto as coisas desandam em certos pontos. Claro que a desculpa para eles estarem ali é pouco importante, mas também denuncia de cara a falta de capricho ao ser algo completamente descolado do resto do episódio.

Os problemas todos têm a ver com o desenvolvimento do enredo; é sempre interessante ver os personagens improvisando, acho um ponto forte de roteiro, mas depois parece que perdem a mão do caminho de tudo. A característica absurda do personagem é aceita de imediato como plausível; depois ele se transforma de colecionador a gênio e por fim Kirk desenvolve o amor mais forte que ele já sentiu em toda a TOS, dependendo de uma ação externa para poder superar, em menos de 4 horas.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S03E21: O Caminho para Éden – Perseguindo um cruzador roubado, a Enterprise consegue prender os assaltantes: um grupo de hippies do espaço – mas como um dos integrantes é filho de um importante embaixador, nossos heróis se vem obrigados a ter uma tolerância alta com os prisioneiros. Bem lá no fundo temos algumas coisas interessantes (inclusive no enredo original, um dos integrantes seria a filha desgarrada de McCoy), mas isso aqui é um desastre.

Os minutos iniciais são capazes de te interessar – porque a premissa de um grupo de dissentes do paraíso da Federação e ameaçados por uma doença fatal fruto justamente desse paraíso é excelente – mas assim que os números musicais começam a paciência se esgota. Uma abordagem completamente equivocada do que seria o movimento da contracultura da época revela uma face conservadora inédita ao seriado: são jovens vagabundos liderados por um insano.

A única coisa que se salva é o interesse de Spock pelo grupo, bem inteligente. De resto, o que temos é o número mais alto de reuso de cenas anteriores de toda a TOS; um show ao vivo que sabe-se lá como é transmitido a nave toda; um planeta coberto de um ácido que as vezes queima e outras não; e uma questão sobre a existência real do Éden repleta de furos.

Avaliação: 1.5 de 5.

Muito Ruim (1,5/5)


S03E19: Os Guardiões das Nuvens – Novamente precisando de um recurso natural para combater uma praga (agora ataca a vida vegetal de um planeta qualquer), a Federação envia a Enterprise para buscar zenite em Ardana, planeta cuja capital é uma renomada metrópole nas nuvens. Entretanto, precisando receber o mineral da população que vive na superfície do planeta, isolada da cidade no céu, nossos heróis não são bem recebidos.

Com belas mulheres em trajes mínimos, o capítulo acaba fazendo com que toda a questão social daquele povo fosse resumida a uma coisa muito delimitada, e que seria inverossímil de não ter sido notada por uma civilização avançada mas que “não consegue acreditar em algo que não vê e não sente“. Ainda, um roteiro enfrentando sérios problemas de lógica interna numa questão que poderia ter sido resolvida apenas alterando os diálogos: a passagem do tempo.

O componente que, depois de séculos agindo naquela raça, fez com que surgissem praticamente duas espécies diferentes no mesmo planeta, acaba tendo que gerar um efeito notável nos personagens em apenas uma hora. Mas os visuais, as premissas e os conceitos da estória são razoáveis e ganham destaque numa sequência muito fraca de capítulos.

Este episódio tinha tudo para ter a alma de Jornada nas Estrelas, tal como O Demônio da Escuridão, por exemplo, da primeira temporada, mas acaba não sendo assim. O roteiro original tinha uma pegada mais “realista”, com os heróis tentando conseguir assistência médica a filha de um mineiro; mas o resultado final não ficou nem pesado e nem “ingênuo” o suficiente.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S03E22: Por trás da cortina – Junto com A Teia Tholiana e o Incidente Enterprise, provavelmente este é o episódio mais influente da terceira temporada. Ao explorar despretensiosamente um planeta inabitável, a Enterprise se vê confrontada com o ex-presidente americano Lincoln flutuando no espaço; em pouco tempo nossos heróis estão participando de uma batalha entre uma seleção de figuras históricas consideradas más e outras relembradas como boas.

Visualmente muito extravagante, com Lincoln sentado flutuando no espaço e um alienígena com aparência de cocô gigante, o capítulo se salva com dois elementos muito importantes: um argumento interessante e um esforço colossal de worldbuilding raro no final da série. Aqui são apresentados figuras extremamente importantes do mundo de Jornada nas Estrelas; Surak, Khaless e, em menor grau, Coronel Green.

Com os amigos da Seção 31, fizemos um podcast debatendo justamente o personagem de Green, um dos grandes vilões humanos de Star Trek, ao ser um dos líderes da III Guerra Mundial, e você pode conferir aqui.

Eles não estão em plena forma: os heróis são bobinhos e os vilões muito sacanas, mas isso é condizente com os motivos da estória; a disputa em si também não é muito bem desenvolvida. Mas não faltam motivos para ele ser assistido e re-assistido se você tem desejo em se aprofundar no lore de Star Trek.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


S03E23: Todos os nossos ontens – Nossos heróis decidem explorar um planeta prestes a desaparecer com a explosão de seu sol. Na tentativa de encontrar qualquer último vestígio da civilização que o habitava, eles encontram uma imensa biblioteca com apenas um bibliotecário e algumas cópias de si mesmo.

É, com certeza, um dos argumentos mais inteligentes e intrigantes de toda ficção científica e um dos usos mais diferentes das mecânicas de viagem no tempo que me recordo. Ainda que, no caso, não seja muito mais que um pano de fundo já que o recurso não é exatamente muito explorado, os protagonistas entram nele e precisam sair dele, tão somente.

E aí o episódio escorrega um pouco; a lógica que coloca uma limitação de permanência em algum tempo faz sentido, mas ela acaba sendo aplicada de forma muito confusa entre Spock e McCoy, que também sofrem efeitos diferentes à “exposição” ao passado. Alguns outros conceitos ficam todos pela metade; a capacidade de se replicar de um personagem ou o tal tirano do passado do planeta deixam a impressão de histórias incompletas.

Ao final, a estória acaba focando justamente no elo mais fraco das possibilidades imagináveis para o argumento; os efeitos sentidos por Spock e seus desejos pessoais.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


S03E24: O Intruso – A despedida do seriado, conforme a tradição da época, foi um episódio bastante simples. A Enterprise vem em ajuda de um grupo de pesquisa arqueológica, uma de suas integrantes está muito doente. Essa cientista havia sido colega de Kirk na academia da Frota e usando um estranho equipamento encontrado durante a escavação, arma uma golpe para trocar de corpo com o capitão.

É um episódio que envelheceu mal, mas até por bons motivos em um certo sentido. Toda a trama parte do princípio que as mulheres não poderiam ser capitães de uma nave da Frota, e obrigou a Dra. Janice criar todo esse esquema para conquistar um comando. No quarto filme, A Volta para Casa, aparece a primeira capitão mulher comandando a Saratoga e partir daí isso deixou de ser tabu. Inclusive em retcons, temos a Capitão Hernandes da Columbia, em ENT, e a Capitão Georgiou em Discovery, fazendo com que a premissa deste episódio perca completamente o sentido.

Claro que é um argumento sexista, mas a série decidiu enfrentar isso e a compreensão de todos os personagens com o ocorrido indicam que é seu arco é entendido como um protesto ou uma rebelião da personagem – não com uma vingança ou inveja, como acaba sendo interpretado muitas vezes.

O roteiro tem uma opção elegante em não guardar muito mistério sobre o que houve nem para nós e nem para os demais personagens, que estranham o comportamento de Kirk desde o começo e recebem a informação do que houve na metade do episódio. Sendo, então, focado em que decisão os oficiais irão tomar diante de situação tão inverossímil. Também acredito que Shatner foi bem, sem se entregar ao atalho de apelar para trejeitos afeminados – o que ocorre apenas nos últimos minutos de projeção, quando a personagem está acuada.

Por outro lado, a contraparte segura as pontas mas não parece ser Kirk em momento algum – inclusive com um grave erro da direção de arte que mantém a personagem vestida com roupas claramente femininas. Até mesmo Kirk “se arruma” de forma feminina para participar dos eventos (poderiam ter colocado um uniforme ou um macacão como prisioneiro).

Entretanto, o principal problema é realmente o desfecho, que se não cai do céu literalmente porque eles estão no espaço, é muito perto disso.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom (3,5/5)


Jornada nas Estrelas: A Série Original – TOS

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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

2 comentários em “Jornada nas Estrelas: TOS – Terceira Temporada

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