Lutas de classes na Alemanha

Lutas de classes na Alemanha – Karl Marx e Friedrich Engels

Tradução: Nelio Schneider – Editora Boitempo

Ano de Lançamento: 2010 (1844, 1848 e 1850) – Minha Edição: 2010 – 93 páginas


Engels era fascinado pela Irlanda; sua obra mais famosa, A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, descrevia o cotidiano dos operários na região de Manchester na década de 1840, constituídos por um grande volume de imigrantes irlandeses, e atraiu seu fascínio pelo povo – ele casou-se com uma irlandesa, Mary Burns, inclusive. Marx, por sua vez, tinha grande interesse na França; em 18 de Brumário de Luís Bonaparte, ele diz que o país é o local onde as lutas de classes são mais tensas e mais levadas ao limite.

Ambos eram alemães, nascidos no Vale do Reno, mas produziram surpreendentemente pouco em análises sobre sua terra natal. Neste livro, um lançamento exclusivo do Brasil, a editora Boitempo reuniu três pequenos textos escritos pela dupla sobre eventos que se passavam em seu país – embora ele ainda não existisse como tal, maior parte das referências dos textos é sobre a Prússia – escritos entre o anos de 1844 e 1850.

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O Sol Desvelado

O Sol Desvelado – Isaac Asimov

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora Aleph

Ano de Lançamento: 1957 – Minha Edição: 2014 – 286 páginas


Alguns meses depois de desvendar o capicioso caso do assassinato do sideral em Nova Iorque, Elijah Baley ganhou uma reputação entre os governos da Terra e dos demais planetas humanos; assim, é destacado para investigar um novo crime, desta vez em outro mundo: Solaria. Sua presença foi requisitada, ironicamente, pelo governo daquele local – que despreza profundamente os terráqueos.

O plano de fundo é o mesmo: a humanidade está dividida em duas civilizações. Uma na Terra, de bilhões de habitantes, vivendo em complexos subterrâneos claustrofóbicos, sem mais contato com o “mundo lá fora” e aversa aos robôs; e outra, espalhada por 50 novos planetas colonizados nos últimos séculos, esparsamente e minimamente populados e totalmente dependentes da mão de obra robótica. O destino de Baley, Solaria, é talvez o mais hostil e averso à vida terrestre; habitado por apenas 20 mil pessoas, que vivem isoladas umas das outras em propriedades de milhares de km² e que consideram qualquer encontro físico entre dois indivíduos algo repugnante – eles convivem apenas através de hologramas.

Investigar a morte do mais importante “fetologista” do planeta é a missão de nosso protagonista, que, no local encontrar-se-á com Daneel Olivaw, seu parceiro robótico mas que, desta vez, se passará por humano, como um enviado de Aurora – a mais importante das colônias siderais – que precisa entender mais do que se passa por lá. Não há um homicídio no planeta em séculos, e a principal suspeita é sua esposa – os cônjuges são os únicos humanos que convivem fisicamente uns com os outros (e ainda assim em situações e datas pré-estabelecidas) no planeta.

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Quando os fatos mudam

Quando os fatos mudam: ensaios (1995-2010) – Tony Judt

Tradução: Cláudio Figueiredo – Editora Objetiva

Ano de Lançamento: 2015 – Minha Edição: 2016 – 440 páginas


Nós, nascidos no apagar das luzes do século XX, também conhecidos como Millenials, somos a última geração que entende o século passado – uma última geração que tem um pé em uma época analógica e outra no digital – uma posição privilegiada de saber que existiram, por exemplo, duas Alemanhas ou que não necessariamente tudo pode, ou deve, ser resolvido através do celular. Entretanto, para os que vieram antes de nós, a virada para o XXI foi um choque, especialmente para, dentre estes, os intelectuais que dedicaram sua vida para entender o seu próprio tempo.

Eric Hobsbawm, com Democracia, Globalização e Terrorismo, ou Marc Ferró com A Reviravolta da História, são alguns do esforços de historiadores do século XX para entender o que começou a se passar no mundo a partir da década de 1990. Esta aqui é a contribuição do britânico Tony Judt, notório estudioso do período pós-guerra, em uma seleção de artigos sobre a contemporaneidade, feita postumamente por sua esposa, Jennifer Homans.

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As Cavernas de Aço

As Cavernas de Aço – Isaac Asimov

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1953 – Minha Edição: 2013 (2 reimp) – 300 páginas


Daqui há alguns milhares de anos, a humanidade se espalhará pela galáxia próxima e colonizará cerca de 50 novos planetas, os chamados “mundos siderais“, entretanto, esses novas sociedades renegam seu passado. A Terra é considerada uma párea, uma relíquia do passado; superlotada, com mais de 8 bilhões de habitantes, a nossa civilização tornou-se extremamente estratificada e enterrada em megacomplexos urbanos as Cavernas de Aço – que se espalham por quilômetros e quilômetros de espaços apertados e totalmente fechados.

Além disso, os siderais renegam o nosso planeta por uma questão muito especial: o preconceito contra robôs. Nos mundos colonizados, com uma população humana bastante reduzida, na casa de poucos milhões, a maior parte das atividades braçais são realizadas pelas máquinas que se tornaram figuras comuns do cotidiano de lá. Já na Terra, os robôs são relegados à “área externa”, isto é, fora das cidades, nos trabalhos envolvendo a extração de recursos ou a agricultura, por exemplo.

Essa relação conflituosa entre essas duas civilizações humanas é colocada mais uma vez a prova quando, na Vila Sideral de Nova Iorque – bairro exclusivo para “imigrantes” vindo dos outros planetas – um importante roboticista estrangeiro é assassinado, e o principal suspeito é um terráqueo.

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Eu, robô

Eu, robô – Isaac Asimov

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1950 – Minha Edição: 2014 (3º rein) – 315 páginas


Uma das mais fundamentais obras do gênero da Ficção Científica, embora sua autora não soubesse disso, foi Frankenstein, ou o prometeu moderno, da britânica, Mary Shelley, lançado em 1818. Ela poderia ser considerada a primeira obra contemporânea do gênero ao contar a conhecida história da criação de uma vida artificial. As críticas da escritora à modernidade são profundas e conectadas ao contexto do século XIX; entretanto, dentro do gênero, as suas obras acabaram por criar um legado que ligava à ficção científica ao terror e ao medo da tecnologia – em especial de formas de vida artificiais.

O sucesso dos livros de H. G. Wells, na virada do século XIX para o XX, mantiveram uma associação entre ficção especulativa e resultados não muito positivos para a humanidade. Muita da inspiração de Isaac Asimov, o escritor soviético radicado nos Estados Unidos, era justamente contrapor este senso comum e mostrar a possibilidade de futuros em que a tecnologia permitisse uma vida genuinamente melhor aos seres humanos, em especial, o advento dos robôs.

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História Medieval

História Medieval – Marcelo Cândido da Silva

Ano de Lançamento: 2020 – Minha Edição: 2020 – 158 páginas


Pensar em Fantasia e Aventura, em vários formatos, de livros à vídeo games, quase que automaticamente nos leva ao cenário medieval; tendência, senão criada, fortalecida pela obra de Tolkien, em especial O Senhor dos Anéis, e pela série de RPGs de Mesa, Dungeons & Dragons (algumas vezes adaptado no Brasil como Caverna do Dragão) ao longo do século XX. Nos anos 90, na onda especialmente dos jogos de computadores (CRPGs), o significado de História Medieval quase que se fundiu aos gêneros citados acima em games, livros e filmes.

O curioso é que nem sempre a História Medieval foi sempre assim “tão querida”. Até o início do século passado, o espaço de tempo entre os anos de 476 até 1453 era conhecido como a Idade das Trevas; a época mais sombria e desoladora da humanidade. Apenas a partir do início do século XX ela começou a ser vista de forma mais “amigável”, especialmente a partir do trabalho de historiadores franceses, na escola dos Annales, nome da revista mais influente do campo no mundo.

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Os Mitos Japoneses

Os Mitos Japoneses: Um guia para os deuses, heróis e espíritos – Joshua Frydman

Tradução: Ceasar Souza – Editora Vozes

Ano de Lançamento: 2022 – Minha Edição: 2024 – 249 páginas


A partir dos anos 90, com animes e vídeo games, a cultura japonesa se tornou uma das mais consumida em todo o planeta. Todos que cresceram a partir dessa década tem uma intimidade mínima com o que se passa na terra do sol nascente. Não é preciso ser muito nerd para já ter ouvir falado em um Youkai, no Kami-Sama, no Emma-daioh, em “senin” ou “sampai”. Isso é resultado de uma capacidade muito peculiar de adaptação cultural naquele país, conforme nos demonstra esta obra do americano Joshua Frydman, professor de literatura japonesa em Oklahoma.

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Alerta Vermelho

Alerta Vermelho – Martha Wells

Tradução: Laura Pohl – Editora Aleph

Ano de Lançamento: 2017 – Minha Edição: 2024 – 213 Páginas


Normalmente as obras da ficção que trabalham com a hipótese de robôs “rebeldes”, aqueles que param de seguir as ordens dos humanos, caminham para duas temáticas: a utopia robótica, menos disseminada, na qual as máquinas nos governam e cuidam do bem estar da humanidade; e a distopia, mais popular, quando somos exterminados ou escravizados por elas. Em Alerta Vermelho, obra premiada com o Hugo e o Nebula, temos uma outra possibilidade: um robô rebelado que só quer viver uma vida medíocre.

Neste livro, acompanhamos a história do “Robôssassino” (Muderbot, no original), como ele próprio se nomeia: um androide que faz a segurança de uma equipe de cientistas que está trabalhando em um planeta desconhecido e isolado.

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Star Wars: The Acolyte – uma única boa ideia e intermináveis erros.

Uma aldeia perdida em um local esparsamente habitado, com uma forma de organização não tão comum praticando rituais e cotidianos pouco compreensíveis é encontrada por um grupo de genuinamente nobres exploradores e cientistas do centro da civilização. Diante da incompreensão destes representantes do mundo avançado das coisas que estão testemunhando, a sua única ação é tentar proteger os inocentes daqueles eventos.

Na realidade, não havia nada de errado com o que se passava. Foi a pura incompreensão dos exploradores e suas preconcepções de que eles estavam certos que levou a conclusão errada… e inevitavelmente, isso geraria uma tragédia; fizerem vítimas para salvar pessoas que não precisavam ser salvas. Este cenário deve ter se repetido inúmeras vezes na história da humanidade – e, até não muito tempo atrás, as ações dos “civilizadores” não seriam entendidas como problemáticas. Felizmente as coisas mudaram. E chegou a vez de Guerra nas Estrelas fazer uma alegoria a essas situações e fazer de A Acolita uma obra relevante do ponto de vista social e político.

Uma pena que o resultado foi uma merda.

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Luz dos Jedi

Luz dos Jedi (Star Wars: The High Republic) – Charles Soule

Tradução: Leonardo Alvares – Editora: Universo dos Livros

Ano de Lançamento: 2021 – Minha Edição: 2022 – 416 páginas


No início dos eventos de A Ameaça Fantasma temos precisamente o ponto de virada do auge dos Jedi para o seu declínio: acompanhar a história de como a Federação de Comércio apareceu e criou uma crise em planeta pouco relevante a ponto de derrubar o governo da República, usando os Jedi como peões, nos mostrou como dentro do regime e da ordem dos cavaleiros todos os motivos da sua queda já estavam lá: arrogância, prepotência, miopia… entretanto, como era antes disso? Na série de Livros sobre a Alta República vamos explorar o real auge dos Jedi, seres de luz, paz e justiça que ajudam o desenvolvimento da galáxia.

Neste primeiro livro acompanhamos a história do “grande desastre do hiperespaço“, ocorrido cerca de 200 anos antes do episódio I, quando bilhões de mortes são causadas por um fenômeno inexplicável: centenas de objetos não identificados começam a sair do hiperespaço em pontos aleatórios da galáxia, como se fossem cometas próximos à velocidade da luz. Em sua rota estão estações espaciais, luas e planetas cuja população não sobreviveria a esses impactos.

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Arquivo X – 4ª Temporada (episódios)

Arquivo X


S04E01: Herrenvolk – Fugindo do caçador de recompensas, Mulder, acompanhado de Jeremiah Smith vão até uma remota localidade no Canadá, onde encontram uma estranha plantação de flores – e tem alguma coisa a ver com abelhas.

O enredo é competente em dar a sensação de que os agentes subiram de nível em sua investigação, que atravessaram mais uma camada do mistério. Entretanto, esse mistério leva praticamente a só mais dúvidas, como isso irrita – especialmente aqui, quando o roteiro cria desafios enfadonhos na jornada de Mulder para prolongá-la, como acabar a gasolina, sem nos dar muito em troca.

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Arquivo X – 4ª Temporada – Gore e Audiência

Arquivo X


Após a vitória de 35 a 21 do Green Bay Packers contra o New England Patriots em 26 de janeiro de 1997 no Super Bowl, a Fox, que recentemente havia adquirido os direitos de transmissão do futebol americano, finalmente conseguiu realizar uma antiga estratégia das redes americanas: exibir imediatamente após o evento esportivo mais importante dos Estados Unidos o episódio de algum programa que a emissora quisesse alavancar. Naquele ano, a exibição posterior foi de Leonard Betts, o 12º episódio da quarta temporada de Arquivo X, e com pouco mais de 29 milhões de espectadores no país se tornou o capítulo mais assistido do seriado

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Filhos da Esperança

Filhos da Esperança – P. D. James

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1992 – Minha edição: 2023 – 365 páginas


Na virada de 2020 para 2021, o argentino José Ricardo, de 25 anos, faleceu durante a festa de réveillon, e essa notícia abalou o mundo. O que transformou esse jovem e sua morte numa comoção planetária é sua idade: ele era o ser humano mais jovem do Planeta Terra, a última pessoa a nascer, no longínquo ano de 1995. Este é o cenário do livro de P. D. James, autora inglesa, e que se tornou famoso após o filme de 2006.

No livro, seguimos a visão dessa realidade feita pelo acadêmico inglês Theodore Faron, doutor em História pela universidade de Oxford. O professor universitário vive uma vida totalmente desolada, assim como os demais habitantes daquele triste mundo em que não existem mais crianças há décadas. Divorciado da sua esposa, com quem o casamento entrou em crise após a morte da sua filha em um acidente doméstico; ele trabalha ensinando classes cada vez menores de estudantes em um vida cada vez mais solitária.

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Discovery – 5ª Temporada – encerrando em alto nível

Jornada nas Estrelas: Discovery


Após 5 temporadas em 7 anos, a mais polêmica série de Jornada nas Estrelas chega ao final; Star Trek Discovery se encerrou em 2024. Seus erros e acertos são materiais para outro texto em seguida, entretanto, inegavelmente foi o seriado repleto de altos e baixos – mais baixos que altos, é verdade – mas este foi o berço do Modern Trek e, felizmente, foi concluída em alto nível.

Sem depender de um grande mistério ultra master blaster secreto mega urgente e ameaçador plus advanced, e sem mergulhar os personagens em turbilhões emocionais, chororô, DRs ou palestras coach, o foco deste ano foi pura e exclusivamente na aventura e na exploração – como Jornada nas Estrelas deve ser.

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Babylon 5 – 4ª Temporada – Lista de Episódios

Babylon 5


S04E01: The Hour of the Wolf – Uma semana se passou após os eventos da temporada anterior e o clima é desolador na estação, apesar das aparentes vitórias. Com Garibadi e Sheridan desaparecidos e um aparente recuo das Sombras, Ivanova se vê sozinha no comando de Babylon 5 e da Aliança, que está esvaziada. Desesperada, busca com Deleen tentar uma missão de resgate em Z’ha’dum.

Um começo devagar para a temporada, não só a liga dos não-alinhados ficou sem liderança, como o próprio seriado não soube muito bem lidar com esse arco que se inicia aqui sobre a ausência de Sheridan. Tanto o fato de não terem feito a missão de resgate até então, e fazerem ela agora como foi, é estranho – e a postura dos personagens desorientados também tem um efeito negativo de ressaca.

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