O Assassinato de uma Nação

O Assassinato de uma nação: como os Estados Unidos e a OTAN destruíram a Iugoslávia – Michael Parenti

Tradução: Clóvis Marques – Editora: da Vinci

Ano de Lançamento: 2002 – Minha Edição: 2023 – 238 páginas


Apesar de ter sua origem na I Guerra Mundial, fundado originalmente como o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, a Iugoslávia ficou associada ao Socialismo, implantado no país após a expulsão dos nazistas pelos Partisans. Justamente por isso, seu desmembramento foi associado ao colapso desse regime; e a península balcânica foi palco de guerras, guerras civis, limpezas étnicas, bombardeios e todo o tipo de infortúnio que advém desse cenário.

Entretanto, longe desse estigma que marcou o final de sua história, a Iugoslávia foi um dos modelos mais bem sucedidos, estáveis e democráticos de Socialismo, com uma grande organização através da autogestão. Além disso, foi uma da principais lideranças das relações internacionais do século XX, ao encabeçar o movimento dos não-alinhados. Neste livro, o cientista político estadunidense Michael Parenti, busca demonstrar como essa catástrofe, de Socialismo Democrático para total carnificina, foi fabricada.

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A Revolução Palestina de 1936 a 1939

A Revolução Palestina de 1936 a 1939: antecedentes, detalhes e análise – Ghassan Kanafani

Tradução: Letícia Bergamini Souto – Editora: Expressão Popular

Ano de Lançamento: 1972 – Minha Edição: 2024 – 122 páginas


Um dos lemas iniciais do sionismo era “uma terra sem povo para um povo sem terra“, sendo essa terra, a Palestina, com a formulação se popularizando no início do século XX. Como a região não era um local sem habitantes, o uso dessa frase é polêmica é suscita debates até hoje; mas uma prova de como sim havia um povo com terra na região é a Revolta de 1936-39 dos árabes contra o domínio britânico do local.

Neste pequeno livro, o escritor palestino Ghassan Kanafani faz uma análise dos eventos ocorridos na Palestina a partir de abril de 1936. Quando as forças britânicas prenderam e mataram al Din al-Qassam – um importante revolucionário árabe contra a colonização franco-britânica do Levante – a população palestina irrompeu em uma onda de greves nas cidades e escaramuças contra tropas britânicas no interior, movimento que ficou conhecido como a Revolução Palestina.

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Os Despossuídos

Os Despossuídos – Ursula K. Le Guin

Tradução: Susana L. de Alexandria – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1974 – Minha Edição: (2ª) 2019 – 379 páginas


Após uma grande revolução de escala planetária, os Odonianos, um numeroso grupo anarquista de Urras, foi exilado em sua lua, Anarres. Ainda que habitável, esse local era uma colônia de mineração e muito pouco fértil, tanto em vida animal e vegetal; o cenário “perfeito” para a tentativa e estabelecer no poeirento planeta um mundo totalmente Anarquista.

Este é apenas o contexto de Os Despossuídos; cuja estória se movimenta quando Shevek, um importante físico de Anarres, decide desertar e mudar-se para um dos países de Urras. Apesar de um movimento voluntário e permitido por ambas as partes, seu gesto é repleto de tensão, pois sua pesquisa pode revolucionar o campo da exploração espacial.

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Star Trek: Strange New Worlds – 3ª Temporada – O Classic Trek desorientado

Quando Star Trek: Strange New Worlds chegou, fiquei muito feliz. Eu, e vários outros fãs, decretaram: o Classic Trek voltou! Veio a segunda temporada, e teve algumas coisa muito boas, mas foi um ano perigosamente medíocre, e, por isso, batizei a resenha como o Classic Trek em perigo. Infelizmente estava certo: a série escapou por muito pouco do cancelamento, mas foi renovada por apenas mais duas curtas temporadas (totalizando somente mais 16 capítulos) e nos entregou um exemplar bem fraco em 2025.

Os problemas que o seriado não só continuaram como foram agravados ou apenas mudaram de direção: se a aparição dos personagens era estranha, ela melhorou, mas o desenvolvimento deles andou de lado; e tivemos mais tempo dedicado a gente de fora da Enterprise que aos protagonistas. Ao mesmo tempo a trama envolvendo os Gorn; sequer entendemos se ela foi resolvida ou não, e, então, passamos por uma série de capítulos usando de recursos surrados e repetitivos, com autoplágios e lugares-comuns; sem foco no próprio desenvolvimento seriado. Para termos noção, apenas um dos episódios envolveu realmente a exploração de um novo planeta.

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Viva la Revolución

Viva la Revolución: a Era das utopias na América Latina – Eric Hobsbawm (Organização: Leslie Bethell)

Tradução: Pedro Maia Soares – Editora: Companhia das Letras

Ano de Lançamento: 2016 – Minha Edição: 2017 – 545 páginas


A América Latina é “um continente feito para minar a verdades convencionais […] Ela nos obrigou a encontrar sentido no que a primeira vista parece implausível. Ela proporciona o que as especulações contrafactuais jamais poderiam fazer, ou seja, uma gama genuína de resultados alternativos para situações históricas.” (p. 500) São algumas das palavras de Hobsbawm para resumir seus estudos sobre nossa região, em sua autobiografia, parcialmente reproduzidas aqui.

Apesar de nunca se considerar um estudioso do continente – para quem frequentemente se depara com sua obra, ela só começou a figurar em seus principais livros em A Era dos Extremos – sempre foi um simpático assumido dos Latinos, e, especialmente dos brasileiros. Ao menos é que nos testemunha Leslie Bethell, seu amigo e organizador desta obra, e, ele sim, grande especialista em história da LATAM.

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Muito além do grid

Muito além do gridRenaldo Leme e Alfredo Bokel (org.)

Ano de Lançamento: 2024 – Minha Edição: 2024 – 429 páginas


Algumas pessoas são capazes de ter tanta relevância e exposição em seu trabalho que conseguem se tornar sinônimos da sua profissão, no caso da cobertura da Fórmula 1 no Brasil, Reginaldo Leme, jornalista que cobre a categoria na desde os anos 70, é um exemplo disso. Originalmente pelo jornal e rádio, nos anos 80 estabeleceu-se como principal comentarista do esporte na TV Aberta – e ocupa essa posição até hoje [2025].

Neste livro de memórias, o jornalista recompõe essa trajetória tão famosa e conhecida que se mistura com a história da Fórmula 1 no Brasil. O que não necessariamente é bom.

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Andor (2ª Temporada) – O clímax de Star Wars na TV

Quando terminei de assistir à primeira temporada de Andor, eu estava descreditado. Como poderia ter saído algo tão bom e tão assim da fábrica de enlatados de Disney? E fiquei desconfiado… um raio não cairia duas vezes no mesmo lugar – mas caiu. A segunda temporada de Andor conseguiu ser ainda melhor que a primeira.

Com um formato não tão comum, esta edição correu com o tempo e fez a passagem de tempo dos 5 anos até a Batalha de Yavin com saltos de três em três capítulos. O início e o final ficaram um pouco mais soltos – na verdade, conectados com a temporada anterior e depois com Rogue One – mas o centro desta edição foi o Massacre de Ghorman, um dos eventos centrais, desde o antigo Cânon, para a escalada de repressão do Império.

E esse miolo contando a tragédia naquele planeta, simplesmente, foi o ápice de tudo o que já foi produzido de Star Wars na TV. Depois de bombas como Boba Fett, Ashoka e A acólita – a ainda a queda de O Mandaloriano – é muito revigorante ver que ainda dá pra fazer algo bom com Guerra nas Estrelas. Aliás, bom, adulto e relevante; com uma trama complexa e diálogos simplesmente maravilhosos.

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R.U.R.

R.U.R. (Os Robôs universais de Rossum) – Karel Capek

Tradução: Erick Fishuk – Editora: Aleph

Ano da Lançamento: 1920 – Minha Edição: 2024 – 253 páginas


A origem das palavras é o campo de estudo da etimologia, normalmente traçando suas raízes em idiomas como grego e latim, no caso do português, por exemplo. Recentemente, com o advento da tecnologias de mídia e informática, as palavras de origem inglesa fazem parte do nosso vocabulário – e por sua vez de seus ancestrais nas línguas germânicas e nórdicas. Uma dessas palavras seria “robô“, associado à trabalhadores mecânicos ou processos automatizados. O curioso é que, na realidade, sua origem é tcheca e remete a este livro.

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As Correntes do Espaço

As Correntes do Espaço – Isaac Asimov

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1952 – Minha Edição: 2022 – 297 páginas


Isaac Asimov estava doido por escrever ficção científica com base em analogias históricas no início da sua carreira – talvez explique por que gosto tanto dele. Com a trilogia da Fundação, a alegoria era sobre a queda do Império Romano; em Pedra no Céu, com a rebelião dos zelotes; em Poeira de Estrelas, relativo a invasão mongol da Europa; já por aqui, talvez a mais aguda delas, com a estória de Florina, um planeta duramente explorado pelo vizinho Sark. Ambos habitados por humanos, tais como nós, oriundos da Terra.

Um espaçoanalista – algo próximo de um astrônomo – está desaparecido. Isso imediatamente depois de ele ter avisado as autoridades locais de que Florina estava em uma ameaça iminente de total destruição, sem conseguir explicar exatamente sua natureza. Este planeta é o único local no universo conhecido em que a misteriosa substância chamada kyrt pode ser extraída. Trata-se de uma espécie de celulose, sendo usada para uma série de variedades, mas especialmente roupas, e se tornou uma das mercadorias mais valiosas da galáxia e rendem uma fortuna aos sarkitas.

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Poeira de Estrelas

Poeira de Estrelas – Isaac Asimov

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora Aleph

Ano de Lançamento: 1952 – Minha Edição: 2022 – 299 páginas


Depois dos contos da Fundação – transformados em uma trilogia mais adiante – que contavam o declínio da instituição que dominou toda a galáxia conhecida, Isaac Asimov deu continuidade à sua saga sobre o Império Galáctico após publicar Pedra no Céu, que contava a insatisfação da Terra de fazer parte dele. Entretanto, e aí sempre está a genialidade que separa os autores comuns dos imortais: ele não vai no óbvio. A série Império não fala sobre esse grande reino, e sim sobre sua formação.

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Novelas, espelho mágico da vida

Novelas, espelho mágico da vida: quando a realidade se confunde com o espetáculo – Soleni Biscouto Fressato

Ano de Lançamento: 2024 – Minha Edição: 2024 – 207 páginas


Há pouco mais de dez anos, antes da chegada dos streamings, a pergunta sobre “quais séries você assiste?” era algo de um nicho muito específico – de jovens adultos que navegavam em sites de procedência duvidosa baixando arquivos de Real Player. O grosso da população brasileira, de todas as idades, durante as últimas décadas, teve como principal entretenimento o consumo de telenovelas; em especial as da Rede Globo.

Concordando com essa afirmação, a socióloga Soleni Fressato decidiu mergulhar a fundo no papel que as novelas da Vênus platinada – com certeza desperto memórias antigas ao citar esse apelido – tiveram na sociedade brasileira; em especial articulando-se com os conceitos de Indústria Cultural e com a psicanálise.

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Duna: profecia (1ª Temporada): um bom, mas pretensioso, spin-off.

Apesar de ser uma das séries literárias mais consagradas da ficção científica, e até de emplacar em outras mídias, como vídeo games, Duna não conseguiu conquistar um público mais popular. A adaptação cinematográfica de 1984 tem seus fãs, com boas e ousadas ideias e visuais para a época, mas ficou longe de ser um sucesso. Uma minissérie, mais modesta, do canal Syfy fora ao ar no início dos anos 2000 e foi bem recebida pelos fãs, mas, naturalmente, não conseguiu de furar a bolha ao ser exibida na TV a Cabo estadunidense.

A cena mudou quando o badalado diretor canadense Denis Villeneuve entrou no barco; ele produziu e dirigiu Duna e Duna: Parte 2 em 2021 e 2024, que foram sucessos de crítica e público. A explosão de popularidade levou a produção, quem diria, de uma série em spin-off, contando a estória da fundação da irmandade Bene-Gesserit, milhares de anos antes do enredo dos filmes.

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Poder Camuflado

Poder Camuflado: Os militares e a política, do fim da ditadura à aliança com Bolsonaro – Fábio Victor

Ano de Lançamento: 2022 – Minha Edição: 2022 – 446 páginas


As conversas entre alguns dos principais artífices da queda da presidente Dilma, Romero Jucá e Sérgio Machado, certamente entram para os diálogos mais importantes da história nacional. Entretanto, um trecho em especial chamou menos a atenção do que deveria: o primeiro, então ministro do Planejamento de Temer, avisava: “Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir.” Na época, os comentaristas e intelectuais entendiam como uma fala protocolar; em nenhum país do mundo se dá um golpe estado sem anuência dos militares.

Seria um pensamento natural. Depois de várias décadas bastante apagadas, as Forças Armadas brasileiras estavam completamente à margem da política e da sociedade nacional. Entretanto, em um espaço de, aproximadamente, dois anos dessa conversa, o governo federal estava totalmente aparelhado e ocupado por um sem número de militares; em cifras maiores que as da ditadura. Entender como isso foi possível é a grande pergunta do jornalista Fábio Victor neste livro.

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Ímola 1994

Ímola 1994: a trajetória de um repórter até o acidente que chocou o mundo – Flávio Gomes

Ano de Lançamento: 2021 – Minha Edição (2a) : 2024 – 389 páginas


Poucos acontecimentos foram tão decisivos para a história do esporte, ou para alguma modalidade, quanto a morte de Ayrton Senna no Grande Prêmio de San Marino de 1994. Para além do aura de santificação adotada pela imprensa para o piloto, a sua morte não tem paralelo dentro da Fórmula 1; categoria mais importante dos esportes a motor no mundo. Sob diversas óticas, os acontecimentos no circuito de Ímola em 1994 funcionaram como um divisor de águas. Os carros estavam cada vez mais rápidos e mais tecnológicos, a partir das suspensões ativas e controles de tração, recursos os quais possibilitavam os pilotos serem cada vez menos cautelosos nas pistas.

Após as mortes daquele grande prêmio, outras perguntas passaram a ser feitas; se não nos carros e nos pilotos, os problemas estariam nos circuitos? Nos equipamentos de segurança? Nos procedimentos? Desde então, nunca mais foi registrada uma morte ocorrida durante uma corrida de Fórmula 1 – com exceção de Jules Bianchi, que faleceu 9 meses depois de seu acidente com um guincho, no GP do Japão em 2014.

Curiosamente, para o jornalista Flávio Gomes, um dos principais nomes da cobertura do esporte no Brasil, o primeiro de maio de 1994 também transformou sua carreira.

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Pedra no Céu

Pedra no Céu – Isaac Asimov

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1950 – Minha Edição: 2016 – 310 páginas


Na ficção científica futurista, normalmente encontramos duas projeções para o nosso planeta; ou a Terra é o centro de uma grande civilização humana, ou ela foi devastada (destruída ou não). Raras são as obras que simplesmente deslocam a atenção da humanidade para outro lugar, e nosso lar deixou de ter importância. A pedra no céu do título desde livro é, exatamente, o terceiro mundo do sistema solar; perdida no meio de uma gigantesca civilização que se estende por milhares de sistemas estelares.

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