“Estou puto da vida e não vou mais aguentar tudo isso!”

No clássico de 1976, a Rede de IntrigasNetwork no original, e Escândalo na TV em Portugal – uma reviravolta na mídia americana é disparada após a demissão do principal âncora de uma emissora, o veterano Howard Beale. Sabendo que estava apresentando suas últimas edições do jornal das oito da UBS, ele decide anunciar, ao vivo, que cometeria suicídio na próxima semana durante a apresentação do noticiário, também ao vivo.

Ao contrário do que todo mundo esperava, a declaração de Beale se transformou num fenômeno extremamente positivo para a nova direção da TV em que ele trabalha.

A emissora havia sido recém comprada por um conglomerado internacional de múltiplas fontes de negócios, e como todas as empresas nesse formato, a única linguagem de avaliar o desempenho nesses monstros corporativos é o lucro. Como explorado no livro Ladislau Dowbor, a Era do Capital Improdutivo, dada a multiplicidade de investidores, de áreas de atuação, de departamentos, empresas associadas, acionistas e outras divisões, esse formato de conglomerado só tem como avaliar se algo está dando certo ou errado através de números referentes aos lucros.

A Era do Capital Improdutivo

Um raio-x do Capitalismo Tardio. Demonstra com muitos dados e rigor como atualmente a economia gira em torno da especulação: drenando dinheiro da produção de mercadorias e travando o desenvolvimento da humanidade.

Não é o objetivo nosso discutir isso aqui, mas recomendo fortemente a leitura da obra de Dowbor, que nos mostra como esse formato faz com que a humanidade permaneça andando com o freio de mão puxado. Na realidade de A Rede de Intrigas, o novo conglomerado que administra a emissora UBS notou como o departamento de jornalismo era o mais defasado financeiramente da rede – o que é natural, já que noticiários não têm o mesmo espaço para anunciantes ou propagandas que podem ser incluídas de forma mais suave e efetiva em novelas, séries, filmes – e já planejava algum tipo de reestruturação para aumentar sua audiência e ganhar mais com os comerciais.

A crise nervosa do âncora forçado à aposentadoria serviu como uma luva para os novos diretores. Seus estouros e verborragias caem nas graças do público e seu antigo jornal é convertido no “Howard Beale Show”, um programa “jornalístico” – que, dentre várias atrações, conta com uma vidente que prevê as notícias do dia seguinte – no qual a grande atração é uma espécie de pregação religiosa (Beale é chamado de profeta) feita pelo protagonista, na qual ele denuncia os males do mundo contemporâneo e cria uma espécie de canto de guerra a ser repetido: “eu estou puto da vida, e não vou mais aguentar isso tudo!” (“I’m mad as hell, and i’m not going take this anymore!“)

Sem revelar muito dos detalhes do filme, o âncora acaba inflamando cada vez mais o público e à TV – que passa até a apoiar um grupo terrorista maíosta para transformar suas ações num reality show – até chegar um momento no qual suas denúncias se tornam inconvenientes para os donos da emissora. O que já era previsível acontece: eles decidem interromper a trajetória de Beale.

Uma das grandes morais deste filme – que é muito complexo, nem parece filme americano de Oscar, trabalhando questões de diferenças de geração, casamento, trabalho, críticas ao jornalismo e ao entretenimento – é o perigo de quando às críticas ao sistema partem justamente daqueles que se beneficiam com os problemas denunciados.


Quando os maus alimentam a crítica a si próprios

Lendo, recentemente, o clássico da geografia nacional Por uma Outra Globalização, de Milton Santos, um mal-estar tremendo me percorreu por toda a obra. Atualmente até parece ser um debate datado, muito circunscrito a virada do século, mas a maior parte das críticas que o autor faz à globalização são bastante familiares e produzem eco até hoje, mas não onde deveríamos encontrar.

Por uma outra Globalização

Longe de integrar a humanidade e cumprir sua promessa, a Globalização Perversa, como Milton Santos nomeia, revelou outros problemas e contradições gravíssimas.

Algumas das questões que Santos – e vários outros estudiosos do tema – desperta pela Globalização foram uma hegemonização cultural; um enfraquecimento dos estados nacionais; o desemprego generalizado; uma primazia da pauta ambiental sobre as pautas humanas, e, até mesmo, o totalitarismo da informação; no qual a mídia e a ciência se alinham para estabelecer “verdades” inquestionáveis sobre o mundo e as organizações sociais, escondendo os reais interesses por trás dos dados.

Ao invés de observarmos questionamentos nesse sentido vindo de importantes jornalistas, acadêmicos, comunicadores, políticos e líderes populares da esquerda; a maioria dessas pautas hoje são praticamente monopólio da extrema direita. O debate sobre a Globalização é tratado pela mídia hegemônica, pelos líderes políticos e por vários dos ramos da ciência – com a exceção de um pequeno gueto composto por alguns historiadores, filósofos, geógrafos, sociólogos e antropólogos – como algo do passado, uma espécie de imaturidade da humanidade perante a integração global, uma inabilidade de lidar com as novas tecnologias.

Hoje estaria tudo superado, e é coisa de aprender os novos desafios, admirar a indústria 4.0, formar profissionais criativos e se acostumar com esse admirável mundo novo. Quaisquer críticas são comparadas à datilógrafos contra os computadores ou relegadas à Teoria da Conspiração. Entretanto, as contradições da Globalização são reais! E, com certeza, não é mera insanidade que faz com que as pessoas se preocupem e se seduzem às teorias da conspiração relacionadas ao tema, porque elas têm base real.

No caso brasileiro, por exemplo, a disseminação desse material por aqui foi canalizada através do que ficou conhecido como Olavismo; a disseminação das teorias tresloucadas do suposto intelectual e filósofo. Vários foram os esforços para tentar desvencilhar a população de acreditar nelas. E sim, de fato, não há uma única coisa que ele tenha dito em sua vida que não tenha sido uma completa idiotice, besteira e intencionalmente nociva ao povo.

Entretanto, o solo em que essas bizarras e perigosas teorias se criam é real e fértil. Por exemplo, em uma de suas falas mais famosas, ele diz que se opera no mundo a criação de uma religião biônica mundial para substituir o cristianismo em ataque. Ideia maluca e extremamente reacionária que é uma versão da teoria do Globalismo. Só que, por outro lado, realmente se opera em nível mundial uma homogeneização cultural fortíssima, disseminada através da criação dos oligopólios do entretenimento (Disney, Warner, Amazon) que paulatinamente realizam uma espécie de genocídio cultural global. Um rolo compressor de sucessos de publicidade e bilheteria que matam ou transformam em forma e conteúdo as produções locais.

A questão é que, ao invés de denunciar o que permite esse movimento acontecer – não haver, por exemplo, regulação da mídia no Brasil e em boa parte do terceiro mundo – o ódio é direcionado ao sintoma. O problema não é a Disney ser um conglomerado gigantesco – que, por exemplo, têm o monopólio das transmissões esportivas internacionais, sendo dona das marcas ESPN e Fox Sports – e apenas um de seus filmes ocupar mais de 80% das salas de cinema no país, mas sim a presença de um casal gay em um filme.

Esses eventos seriam, por sua vez, sintomas de um esforço coordenado de extinção do cristianismo, especialmente no Brasil. Ironicamente, a bancada evangélica no Brasil corresponde a 1/6 do parlamento e está sempre nos holofotes da mídia hegemônica – a mesma Record que ligada à Universal denuncia a cristofobia, veicula realities como A Fazenda que não são conhecidos por propagar valores cristãos. É um exemplo bobo, mas neste caso, a pessoa preocupada com os valores religiosos assiste a mesma emissora para ver a pregação cristã e o desrespeito a ela. A rede de TV ganha em ambos os casos – da mesma forma que os jornais policiais se retroalimentam ao denunciar crimes cada vez mais violentos exigindo que eles terminem.

Alguém alimentar uma crítica a um problema que o beneficia é, justamente, o estado supremo daquela mazela. O causador ganha com o problema e com a divulgação dele.

Proto-Ancapismo

Voltando ao caso de Rede de Intrigas, e agora, aviso, revelando pontos decisivos do enredo do filme, a jornada de Beale vai de vento em popa até o momento em que ele denuncia o aporte financeiro saudita na emissora. Através da compra pelos estrangeiros do conglomerado dono da UBS, os petrodólares estarão entrando na TV e nos Estados Unidos; e ele vai até o final, explicando como esses dinheiro que é colocado pelos bilionários do petróleo nos EUA, na realidade, sai do país avolumado por dinheiro americano a mais na conta dos investidores originais, empobrecendo a sociedade.

No auge das crises ou choques do Petróleo (veja abaixo), o discurso inflama a plateia! Os malditos árabes que estão tirando nossa gasolina ainda querem ganhar mais dinheiro em cima da gente! Entretanto, os dirigentes e acionistas ficam extremamente preocupados de uma campanha assim os fazerem perder o investimento ao colocar a opinião pública contra a negociação com os sauditas.

Seus chefes imediatos querem tirá-lo do ar, mas os altos executivos têm um plano mais ousado. O presidente do conglomerado pessoalmente convida Beale para explicar a situação e, simplesmente, deixa tudo às claras. Ele explica seus objetivos e sua forma de enxergar o mundo, o que é chamado no filme de Cosmologia Corporativa – hoje talvez seja o que ficou conhecido na internet como anarco-capitalismo – e passa para ele uma importante missão; explicar esse funcionamento brutal do sistema capitalista em rede nacional.

O âncora prontamente aceita a missão e passa a utilizar seu programa para explicar a distopia (ou utopia para alguns internautas brasileiros) que o os dirigentes do conglomerado têm em mente: um mundo sem países, nações ou povos, apenas com empresas negociando umas com as outras, incluindo comprar e vender pessoas. O problema é que a partir daí seus índices de audiência despencam; as pessoas não se interessam mais pelo tom pessimista e depressivo que as falas do apresentador tomaram e a história de Beale, o profeta, termina.

Os choques do petróleo, entre 1973 e 1979, encerraram o que a historiografia chama de os Anos Dourados do capitalismo, de crescimento e distribuição de renda. Os países produtores de petróleo criaram a OPEP e passaram exigir controle no preço do combustível, antes um monopólio das “sete irmãs” (empresas petrolíferas dos EUA e Europa Ocidental) que buscavam beneficiar seus países de origem. A oferta diminuiu e o preço disparou em mais de 5 vezes em um ano, causando uma crise intensa em todo o mundo. Especialmente nos Estados Unidos. Onde, aliado ao escândalo de Watergate, que causou a queda de Richard Nixon em 1974, o impacto no país foi avassalador e criou uma noção generalizada de decadência da sociedade americana. As seguidas crises econômicas e o avanço da concentração de renda desde então indicam que o mundo nunca se recuperou dessa crise.

A crítica só interessa quando é oca.

O auge da carreira do personagem de Beale imediatamente leva a sua derrocada e coincide com um momento decisivo: ele passa a destrinchar – ou descontruir, na palavra da moda – os problemas que ele levanta. Quando ele levanta palavras de ordem, raivosas, mas completamente ocasestou bravo com quem? o que eu não aguento? – tanto público quanto direção iam a loucura. Do fim ao cabo, cada um daria a resposta que quisesse a esses questionamentos. Um negro poderia estar bravo com o racismo e não aguentaria mais isso; e um branco poderia estar bravo com a maior presença de negros na sociedade e não toleraria mais isso.

Na sua noite de maior glória; o apresentador apresenta exatamente com quem está puto e o que ele não irá mais tolerar. Está inconformado com os executivos árabes que estão comprando as empresas americanas, que enfraquecem os EUA como país e sociedade. A partir daí, o programa se torna inadmissível para a classe dominante, seja saudita ou americana, pois ele está desnudando os problemas levantados – assim, a crítica não interessa mais para a burguesia.

O golpe de mestre do filme é fazer algo que não deixa de ser explícito e ao mesmo tempo sutil. Beale não vai ser podado pelos donos do dinheiro, muito pelo contrário, ele será incentivado – e mais ainda, ele agora tem muito mais informações e armas para poder deixar ainda mais incisiva a crítica, pois os vilões, os donos do conglomerado, deram a ele a missão de explicar seus planos. A crítica se torna desinteressante para a população e novamente interessante para a burguesia.

Com um tom pessimista ela volta a ser inócua, ainda que, paradoxalmente, se torne mais verdadeira. Não atinge reverberação imediata nos expectadores pois não tem um tom inflamatório, exige uma maior paciência e esforço para ser digerida, além de claro, passar uma mensagem sem esperança. Da mesma forma, sem encontrar audiência, as demais mídias – jornais, rádios, outras emissoras que tratavam Beale como estrela até então – não querem mais saber do apresentador, que cada vez mais está falando sozinho.

O grande nó na trajetória do apresentador ficcional também é um grande nó na trajetória de qualquer um que se aventure a denunciar os males da sociedade contemporânea, sejam políticos, intelectuais ou cidadãos conscientes. Enquanto a crítica é oca – isto é, ao não explicitar exatamente contra o que ela é direcionada – ela interessa tanto às classes dominantes (pois não as atinge) quanto a própria população (que preenche esse vazio como quer).

Quando a crítica é concreta, ela é desinteressante para as elites dirigentes (pois as atinge), mas também, e aí o grande problema, às classes populares em um duplo movimento: exclui interpretações possíveis que as pessoas podem ter dado em um primeiro momento e exigem mais tempo para serem digeridas e compreendidas.

Nese cenário, muitas vezes as críticas confrontam crenças e preferências pessoais de cada um, como, por exemplo, uma crítica à “cultura contemporânea”, de forma abstrata, pode ser entendida como uma crítica a homossexualidade ou a letras de músicas, por pessoas mais conservadoras. Mas, ao ser direcionada ao neoliberalismo, ao formato de propriedade da mídia, que gera programas e obras mais “enlatadas” perde o tom inflamatório, deprecia filmes ou séries que essas pessoas gostam, e ainda ganha um caráter classista que talvez exija menos preconceito contra negros ou mulheres.

Por uma série de questões que não há como eu abordar neste artigo/ensaio a esquerda (e a intelectualidade no geral) perdeu, fora do ambiente acadêmico, completamente a liderança nas críticas sociais. A postura da esquerda TINA (There is no alternative [ao capitalismo]) a partir dos anos 90 dominou todos os espaços públicos, exceto aquele gueto universitário das ciências humanas, no mundo todo. E o debate da Globalização é um exemplo central. Uma formulação como “a unificação do mercado mundial é um fato e devemos saber usar o melhor dele” se tornou uma verdade divina – embasada por dados inquestionáveis, a partir do que Milton Santos chamou de totalitarismo da informação – e a questão se tornou esse melhor a ser aproveitado.

Entretanto, o pior da Globalização continuou sendo uma realidade cada vez mais grave. Mas, completamente imersas nesse totalitarismo, as lideranças nos mais diversos ramos sociais, científicos, políticos, dentre outras, raramente conseguem formular discursos inflamatórios que batam de frente e questionem os fundamentos dos sistemas econômicos e políticos. Não é fácil, os anos 90 impuseram a nós uma fusão entre método científico e analítico, e o sistema mundial que permitiu, de fato, uma integração jamais vista de dados, tecnologias e profissionais. Exige-se um esforço e talento descomunais – e muitas vezes sacrifícios pessoais e profissionais gigantescos – para um intelectual ou liderança conseguir aliar rigor e discurso anti-sistema.

Por outro lado, livres das amarradas éticas e morais que o rigor intelectual e científico exige, ao mesmo tempo que financiadas, justamente, pelos causadores das mazelas e fiadores do sistema econômico e político, as críticas que partem da extrema direita são mais populares, mais simplórias, mais volumosas e geram muito mais eco na grande mídia. Claro que, como tanto repetimos, as críticas são sempre ocas, lutando contra moinhos de vento, religiões biônicas mundiais, reptilianos, um presidente americano infiltrado da KGB… não é uma crítica à Globalização e sim ao “Globalismo“.

Inflame, na direção certa, com ética intelectual e esperança.

Uma sutil diferença e uma relação que ajuda explicar o porquê do nome do fascismo alemão se chamar Nacional-Socialismo. Este é o maior e mais extremo exemplo do problema que gostaria de chamar a atenção aqui; o fascismo surgiu a partir das ruínas do Liberalismo clássico, que começou com a Dupla Revolução (econômica e política, veja abaixo) e destruiu boa parte do mundo com uma Dupla Tragédia: a I Guerra Mundial (política) a Grande Depressão de 1929 (econômica).

Usando as sementes da desconfiança sobre o Liberalismo plantadas pelo Socialismo nas décadas anteriores, a crítica oca dos nazistas à crise econômica – contra os judeus, que compunham expressiva parcela da burguesia alemã, mas não contra o fato de existir a burguesia que se enriquecia cada vez mais, por exemplo, com o colapso cambial ao ter reservas financeiras no exterior – encontrou grande eco mundo afora (a famosa capa da revista Time de homem do ano que Hitler ganhou). “Sucesso de crítica e público” por justamente inflamar a população, que via na palavra socialismo uma crítica aos regimes da época, mas direcionada a bodes expiatórios, explicando os problemas pelos motivos errados, e dedicada a preservar o sistema econômico e àqueles que ganharam com o problema. Não houve estatizações, ou democratização da administração das fábricas, bancos ou fazendas. Mas sim a criação de gigantescos oligopólios, como a Auto Union, que unificou as principais montadoras alemãs, preservando a retirada de lucros por parte dos acionistas e donos das empresas.

A Dupla Revolução é um conceito desenvolvido pelo historiador britânico Eric Hobsbawm em sua trilogia de livros sobre o século XIX, conhecida como “As Eras” (das Revoluções, do Capital e dos Impérios). Trata-se da convergência dos movimentos entre 1789 e 1848 que fundaram a contemporaneidade: a Revolução Industrial e as Revoluções Burguesas (notadamente a francesa). Transformaram o mundo ao abolir as relações feudais (servidão, propriedade aristocrática da terra, subsistência) e iniciaram a época de exploração do trabalho capitalista (salário, propriedade privada, produção de excedente) a partir dos desenvolvimentos tecnológicos, políticos e sociais.

Como já diria a mais surrada citação; “a história se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa“. Não se trata de coincidência o crescimento exponencial das denúncias do Globalismo e demais teorias da conspiração no mundo na década passada; após a crise de 2008/09 e às guerras que envolveram as potências ocidentais no Oriente Médio – e, no Brasil, após a crise política iniciada em 2013. Como também não seria por acaso o sucesso do ficcional profeta Beale em 1976, após o Choque do Petróleo e o escândalo de Watergate.

Ao final, ironicamente, este texto caiu em uma armadilha citada mais acima. Longo demais, difícil de ler, e, especialmente, restrito apenas à uma análise, a um pessimismo, no limite. Que talvez afaste os que se interessem por um lado, ou simplesmente seja descartado. Se você é alguém em busca de revolta e chegou até aqui; sempre fique um passo adiante do interlocutor ao ouvir uma crítica inflamada e simplória, que faça muito sentido imediato. Procure a compreender profundamente o emissor, de onde fala e para quem a mensagem está destinada – e, em especial, no que ele apresenta de raiz do problema; ela não pode ser confundida com os sintomas.

Não é possível acreditar que o problema do Brasil é trabalhador ter muito direito ou ganhar bem demais – justificativas para as mais vis reformas empreendias pelos governos Temer e Bolsonaro – do contrário, simplesmente, o país são seria tão pobre. Como não pode ser culpa dos imigrantes que recebem centavos por trabalho a razão de desemprego, nem dos funcionários públicos que recebem 2, 3 ou 4 salários-mínimos, ou das empresas estatais superavitárias, e muito menos dos idosos na previdência, o mau uso de verbas públicas.

Caso você queira denunciar e realizar a crítica real aos problemas sociais – coisas que qualquer um hoje em dia, para o bem e para o mal, pode fazer e atingir centenas de pessoas em suas redes – inflame, mas com direção, e indique tanto a raiz dos problemas quanto a forma de mudar. Não faça nem o que Beale e eu fizemos, respectivamente.


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Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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