Filhos da Esperança

Filhos da Esperança – P. D. James

Tradução: Aline Storto Pereira – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1992 – Minha edição: 2023 – 365 páginas


Na virada de 2020 para 2021, o argentino José Ricardo, de 25 anos, faleceu durante a festa de réveillon, e essa notícia abalou o mundo. O que transformou esse jovem e sua morte numa comoção planetária é sua idade: ele era o ser humano mais jovem do Planeta Terra, a última pessoa a nascer, no longínquo ano de 1995. Este é o cenário do livro de P. D. James, autora inglesa, e que se tornou famoso após o filme de 2006.

No livro, seguimos a visão dessa realidade feita pelo acadêmico inglês Theodore Faron, doutor em História pela universidade de Oxford. O professor universitário vive uma vida totalmente desolada, assim como os demais habitantes daquele triste mundo em que não existem mais crianças há décadas. Divorciado da sua esposa, com quem o casamento entrou em crise após a morte da sua filha em um acidente doméstico; ele trabalha ensinando classes cada vez menores de estudantes em um vida cada vez mais solitária.

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Discovery – 5ª Temporada – encerrando em alto nível

Jornada nas Estrelas: Discovery


Após 5 temporadas em 7 anos, a mais polêmica série de Jornada nas Estrelas chega ao final; Star Trek Discovery se encerrou em 2024. Seus erros e acertos são materiais para outro texto em seguida, entretanto, inegavelmente foi o seriado repleto de altos e baixos – mais baixos que altos, é verdade – mas este foi o berço do Modern Trek e, felizmente, foi concluída em alto nível.

Sem depender de um grande mistério ultra master blaster secreto mega urgente e ameaçador plus advanced, e sem mergulhar os personagens em turbilhões emocionais, chororô, DRs ou palestras coach, o foco deste ano foi pura e exclusivamente na aventura e na exploração – como Jornada nas Estrelas deve ser.

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Babylon 5 – 4ª Temporada – Lista de Episódios

Babylon 5


S04E01: The Hour of the Wolf – Uma semana se passou após os eventos da temporada anterior e o clima é desolador na estação, apesar das aparentes vitórias. Com Garibadi e Sheridan desaparecidos e um aparente recuo das Sombras, Ivanova se vê sozinha no comando de Babylon 5 e da Aliança, que está esvaziada. Desesperada, busca com Deleen tentar uma missão de resgate em Z’ha’dum.

Um começo devagar para a temporada, não só a liga dos não-alinhados ficou sem liderança, como o próprio seriado não soube muito bem lidar com esse arco que se inicia aqui sobre a ausência de Sheridan. Tanto o fato de não terem feito a missão de resgate até então, e fazerem ela agora como foi, é estranho – e a postura dos personagens desorientados também tem um efeito negativo de ressaca.

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Babylon 5 – 4ª Temporada – Na correria!

Babylon 5


Ao iniciar a série com o monólogo de Sinclair – o ano é dois mil duzentos e cinqüenta e oito, e o nome do lugar é Babylon 5 – Joseph Michael Straczynski tinha um plano: contar sua estória, e a estória da quinta e última estação desse programa, em 5 anos, de 2258 até 2262, ou de 1993 até 1998. Durante a exibição desta temporada, ele recebeu a triste notícia que teria menos tempo para concluir seus planos. A série fora cancelada pelo extinto canal PETN, Prime Time Entertainment Network, de propriedade conjunta da Warner Bros. e das indústrias Chris-Craft.

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Povos e Impérios

Povos e Impérios: uma história de migrações e conquistas da Grécia até a atualidade – Anthony Pagden

Tradução: Marta Miranda O’Shea – Editora: Objetiva

Ano de Lançamento: 2001 – Minha Edição: 2002 – 262 páginas


Pensar em história, de forma genérica, nos trás imediatamente imagens de pirâmides egípcias, colunas gregas, elmos romanos; lembramos de personalidades como Júlio César, Napoleão, Victória… mais que representarem civilizações antigas ou períodos cronológicos, essas lembranças remente a grandes Impérios, que conquistaram grandes extensões territoriais e um grande número de súditos.

Nesta obra, o historiador americano Anthony Pagden busca explorar as continuidades e diferenças de variados Impérios ao longo da história da humanidade. Com um objetivo tão pouco delimitado quanto este, inevitavelmente, seria necessário restringir a algumas dessas instituições. Seus principais objetos de estudo aqui são o Império Macedônico (alexandrino), o Romano, os Impérios Ibéricos (Portugal e Espanha), o Império Francês (napoleônico) e o Império Britânico (vitoriano), e as comparações entre eles.

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Holocaustos Coloniais

Holocaustos Coloniais: A criação do terceiro mundoMike Davis

Tradução: Alexandre Barbosa de Sousa – Editora: Veneta

Ano de Lançamento: 2001 – Minha Edição: 2022 – 433 páginas


O período entre o final da Guerra Franco-Prussiana, em 1870, e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, foi uma época de paz, desenvolvimento tecnológico e prosperidade na Europa; a belle époque. Mesmo dentro dos limites do velho continente, essa frase já não se sustenta, guerras civis em vários dos países ainda ocorriam, assim com a exploração dos trabalhadores crescia a galope. Entretanto, a relativa paz internacional e a consolidação das potências europeias foi decisiva para a história mundial; um pequeno punhado de países concentrados no Atlântico Norte dominou o Globo em sua totalidade.

A Relação entre o que hoje se chama de Norte e Sul Globais – antigamente, os primeiro e terceiro mundos – foi moldada por essa virada do século XIX para o século XX. Totalmente oposto à sorte europeia, o resto do planeta foi devastado durante essa pretensa Era de Ouro, marcada especialmente pela intercorrência de grandes períodos de secas e desastres climáticos.

Entretanto, apesar dessa causalidade natural envolvendo o clima, a interferência europeia foi o que mudou a balança para que esses fenômenos da natureza se traduzissem em milhões de mortes e em brutais explorações coloniais.

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Jornada nas Estrelas: A Nova Geração – 3ª Temporada – Lista de Episódios

Para uma avaliação geral da temporada, os melhores episódios, os piores episódios e a lista dos mais essenciais, clique no botão abaixo!


S03E01: Evolução – Wesley Crusher está trabalhando em um ambicioso projeto de ciências, mas tem seu trabalho interrompido para assumir o leme da Enterprise, que transporta um importante pesquisador. O dr. Stubbs utilizará a nave para lançar uma sonda durante uma explosão estelar que acontece uma vez em centenas de anos… bom, ele tentará, pois o computador central da Enterprise passa a apresentar graves falhas.

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Jornada nas Estrelas: A Nova Geração – 3ª Temporada – O século XXIV veio pra ficar!

Jornada nas Estrelas: A Nova Geração


O momento em que Jornada nas Estrelas se transformou em algo maior que que uma série perdida dos anos 60 – com seus filmes – e na maior expressão da Ficção Científica na TV, foi aqui. Depois de duas temporadas sofríveis, a Nova Geração conquistou sua identidade e seu espaço, consolidando-se e dando início a Era de Ouro de Star Trek, que gerou produções ininterruptas de 1989 até 2005.

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Realismo Capitalista

Realismo Capitalista: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo? – Mark Fisher

Tradução: Rodrigo Gonsalves, Jorge Adeodato e Maikel da Siveira – Editora Autonomia Literária.

Ano de Lançamento: 2009 – Minha Edição: 2023 – 207 páginas


O mundo do entretenimento de massa – em especial o americano – vive uma crise criativa que parece não ter fim: poucas coisas são inventadas atualmente. A maioria de filmes, seriados, jogos, se baseia em continuações, remakes, reboots, remasterizações, adaptações e derivados. Uma das principais muletas que se usa atualmente para dar um ar de “novidade” e “profundidade” ao resgatar personagens que estavam já há muito hibernando é transformá-los em pessoas frustradas, que não deram certo em seus sonhos originalmente concebidos em suas obras originais.

Luke Skywalker não conseguiu recriar a ordem Jedi e a Aliança Rebelde não conseguiu restabelecer definitivamente a República; Indiana Jones se tornou um professor que detesta seu trabalho; o Capitão Picard não é respeitado por ninguém da Frota Estelar e a Sete de Nove não se tornou uma oficial brilhante… isso só pra ficar no meu mundinho de Ficção. Esse contexto não é por acaso – e nem é por acaso que essas continuações trazem sentimentos contraditórios, odiadas e amadas em medidas parecidas.

A questão é que na virada do século, a humanidade perdeu a capacidade de imaginar um futuro melhor. Longe de parecer um pensamento ingênuo, isso é o que torna palatável uma deterioração cada vez maior da nossa qualidade de vida – aqui está a idéia deste jovem clássico da filosofia contemporânea.

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Arrastados

Arrastados: os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho, o maior desastre humanitário do Brasil – Daniela Arbex

Ano de Lançamento: 2022 – Minha Edição: 2022 – 325 páginas


Em 2022 visitei as cidades históricas de Minas Gerais; durante o dia que passei em Mariana, logo de cara me chamou a atenção que as placas de ruas tinham o logotipo da Samarco abaixo do logradouro. Havia pagado por um transporte que nos levaria de Ouro Preto para lá, e assim que desembarcamos o motorista, que era bem falante, comentou que não era para ter medo de nenhum tipo de desastre, a cidade era muito segura – semanas antes houve um período de chuvas muito forte, que levou a desabamentos de imóveis históricos e estradas interditadas – e a Samarco cuidava muito bem de todos. Aproveitando a brecha, perguntei se o local do rompimento da barragem em Mariana – ocorrido por lá em 2015 – era próximo de onde estávamos, e se ainda havia locais destruídos; a resposta foi novamente relativa à garantia de que a Samarco cuidara de tudo.

Eu me senti em uma história de Ficção Científica ou distopia, envolvido em alguma conspiração de silêncio; com os moradores repetindo frases prontas sobre os rompimentos de barragem, como se sofressem algum tipo de lavagem cerebral. Vi, ao vivo e a cores, como o poder político e econômico de uma grande empresa é capaz de apagar uma história. Nesse sentido, qualquer esforço de não deixar esquecer tragédias como a de Mariana, e, especialmente a de Brumadinho, poucos anos depois, é louvável – e este deveria ser o objetivo da obra de Daniela Arbex.

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Retrospectiva 2023

Por um maravilhoso motivo, o nascimento da minha linha filinha, Cecília, este ano o ritmo caiu drasticamente, com muito menos tempo para leitura, assistir e escrita. Mas ainda assim o sonho e o trabalho seguem vivos.

Um ótimo 2024 para todos!

1º Lugar: 154 Leituras (Resenha TV mais Lida)

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Pense em Phlebas

Pense em Phelbas – Iain M. Banks

Tradução: Edmundo Barreiros – Editora Morro Branco

Ano de Lançamento: 1987 – Minha Edição: 2023 - 575 páginas


Uma grande guerra interplanetária está em curso. De um lado, os Iridianos, uma espécie de aparência grotesca quase incompreensível e com uma forte orientação religiosa que leva a xenofobia, e, de outro, a Cultura, uma civilização predominantemente humana, mas multiétnica, que alcançou um estado de pós-história; sem escassez de recursos e capaz de permitir seus habitantes a viver do ócio.

Contrariando o que poderíamos esperar, nosso protagonista, um humanoide metamorfo, é um combatente convicto do lado dos iridianos.

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Imperialismo

Imperialismo: uma introdução econômica – Juliane Furno

Ano de Lançamento: 2023 – Minha Edição: 2023 – 207 páginas


No afã do final da Guerra Fria, os pensadores do início da década de 1990 se acharam no direito de reavaliar toda a História da humanidade; desde a CNN declarando a paz mundial em 1991, devido sua capacidade de conectar o planeta pela TV, até Francis Fukuyama alegando o fim do desenvolvimento da humanidade; o que não faltou foram delírios de que a hegemonia dos Estados Unidos e as novidades nas telecomunicações inaugurariam uma era totalmente inédita e diferente da nossa espécie.

Conforme analisamos detidamente na obra de Fukuyama, esse frisson todo não se tratou de nada mais que ideologia; uma propaganda patrocinada pelo lado vencedor daquele conflito, em especial a burguesia dos Estados Unidos – e esta afirmação abre perfeitamente o tema deste livro. Uma das ideias divulgadas naqueles tempos – e que ainda permanece em alta – é que o conceito do Imperialismo teria se tornado ultrapassado. O fato disso emanar dos EUA não é coincidência.

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A Peste

A peste – Albert Camus

Tradução: Valerie Rumjanek – Editora Record

Ano de Lançamento: 1947 – Minha Edição: (23ª) 2019 (kindle) – 308 páginas


Provavelmente o livro mais lido da pandemia de covid, esta obra do filósofo argelino Albert Camus voltou a cena. Ele foi capaz de fazer um retrato certeiro, do ponto de vista psicológico, social e político que ele concebeu de um evento como aquele, a partir da história ficcional de um doença avassaladora que atingira a cidade de Orã, no litoral da Argélia, nos anos 40.

Dr. Rieux era um médico que vivia uma tragédia pessoal: sua a esposa tem o agravamento de sua doença – não especificada, e não relacionada com a peste – e precisa partir para um sanatório no interior. Durante o drama, ele acaba sendo acionado por conhecidos para tratar de uma estranha febre acompanhada de tosse com sangue. Observando a rapidez que ela vitimava as pessoas e o número de doentes, ele tenta acionar as autoridades da cidade para realização de algum plano de contingência. Apesar dos indícios, nem todos acreditam na gravidade do ocorrido… uma história que conhecemos bem.

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Star Wars: Ahsoka (1ª temporada) – Uma não-história

Uma das coisas que mais me decepcionou nos tempos mais recentes das produções de Guerra nas Estrelas, foi o encontro entre Ahsoka e Luke, encaixado no péssimo O Livro de Boba Fett. – por sua vez, esse evento se passou em episódios de O Mandaloriano que estavam perdidos por lá, vale lembrar. Uma conversa entre os dois seria maravilhosa: histórias sobre Anakin e Padmé, conselhos e críticas sobre a antiga ordem Jedi… algo para ser marcante e emocionante. Mas, no final, não rolou nada. O encontro foi rápido e protocolar, porque o objetivo era fazer Grogu voltar logo para Mando e a dupla socorrer aquele seriado fraquíssimo.

Esse tom é o tom que se tornou hegemônico nas produções americanas após o sucesso da fórmula Marvel/Disney. Com raras exceções, a maioria dos filmes desse universo são todas obras que são incompletas por natureza, lançam-se tramas para serem tão somente para continuadas em outras num círculo vicioso; os filmes se tornaram as próprias cenas pós-créditos.

O mesmo aconteceu com Guerra nas Estrelas.

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