The Mandalorian – 2ª Temporada

The Mandalorian


A segunda temporada do seriado veio com tudo! Tivemos desde herói da trilogia original, a até as primeiras versões live action de personagens que só haviam aparecido em animações. O destaque, sem dúvida foram esses “convidados”, muito antecipados, mas ainda assim nos foi entregue mais oito episódios muito bons e uma grande e comovente história.

Por outro lado, The Mandalorian se encerrou com um desfecho importante para o principal componente, a relação entre os dois protagonistas; e, ao mesmo tempo, a Disney passou mais a se dedicar aos spinoffs deste seriado. Essa bela segunda temporada poderia ter sido o começo do fim?

Agradou: Conexões com o universo expandido, e ritmo mais constante de enredo.

Estabelecendo bem seus personagens principais em seu primeiro ano, The Mandalorian deu um passo adiante importante nesta temporada: mergulhou fundo no lore de Guerra nas Estrelas. As referências que eram pontuais se tornaram mais constantes e, de maior destaque, tivemos a abundância de personagens “históricos” aparecendo agora.

No geral, com a exceção de uma aparição específica de dois personagens que retornaram do mundo dos mortos a troco de nada, como falaremos abaixo, todas as inclusões foram muito bem feitas. Cada um desses convidados foi incluído de forma orgânica no enredo e contribuiu decisivamente para o caminhar da história.

E, nesse sentido, apesar um vai-e-vem ocasional, esta edição teve um ritmo muito mais fluído que a anterior no desenvolvimento do enredo geral; e a qualidade dos episódios foram todas muito altas. Isso a partir de explorar ainda mais convenções possíveis do gênero Western, como as inspirações que muitos desses filmes pegaram do cinema japonês, ou mesmo uma espécie de assalto ao trem pagador.

Não agradou: Marvelização, a série sendo usada para estabelecer spinoffs.

É uma contradição elogiar algo e criticar em seguida, eu admito. Mas me incomoda profundamente quando uma obra passa a ser utilizada dessa forma, e isso está se tornando uma verdadeira epidemia no entretenimento de massa americano graças ao sucesso da fórmula do MCU. Fica difícil para Guerra nas Estrelas escapar dessa doença sendo parte da mesma empresa.

Crossover sempre são legais, especialmente num universo tão rico de personagens, conceitos e localidades como o de Star Wars. As possibilidades de trazerem um eventual Jedi de um game, um caçador de recompensas de fundo de cena, são infinitas e com certeza agradarão aos fãs. Mas a qualidade sempre pede originalidade e “unicidade”; uma aparição como a do último episódio foi fantástica será marcante para sempre – inclusive porque o peso do personagem é ligado justamente as suas aparições nos filmes (no antigo G-Canon).

Entretanto, gera desconfianças quando temos elementos completamente externos (até o momento pelo menos) sendo atribuídos àquela obra, e apenas servindo para promover outra que sequer havia começado a ser produzida ainda. No caso, tal como a estranha menção de Thrawn ao final de um episódio para criar expectativa a uma eventual produção estrelada por Ashoka; é impossível não lembrar da bizarra aparição de Darth Maul em Solo, como o grande vilão por trás de tudo, mas numa espécie de apêndice do filme. Ridículo.

Um ponto baixo vem quando temos não apenas um, mas dois personagens retornando da morte ao mesmo tempo na mesma cena. Um do próprio seriado e outro externo – dois personagens muito legais, claro, mas dois mortos. Os dois perdem em peso ao renascerem dessa forma. Um deles, em particular, que havia se tornado popular justamente por seu ar implacável e misterioso, já havia sido “prejudicado” ao ter sua origem usada e abusada na trilogia prequel; agora até sua morte foi profanada.

Isso tudo feito não para enriquecer The Mandalorian, não – e nem enriquecer a empresa pelo trabalho em The Mandalorian. Mas sim apenas tão somente por um de capital especulativo ou um espécie de swap de entretenimento, para promover um possível spinoff no futuro – que já se mostrou muito menos brilhante que seu seriado original, aliás. E, pior ainda, desfigurou demais o personagem; de um calado que só falava frases curtas se transformou em alguém de fazer piadinhas, tirar o capacete o tempo todo…

Esperemos que isso não afete também esta obra prima que vem sendo The Mandalorian.

Episódios

S02E01: O Xerife – Por sua conta e risco, Mando precisa encontrar algum Jedi para entregar a criança. Sua primeira tentativa é encontrar outros mandalorianos que talvez possam lhe ajudar; e uma pista que ele recebeu é de um compatriota atuando em Tatooine; numa isolada vila. O que ele encontra em Mos Espa não é exatamente um conterrâneo.

Contando com um grande ator convidado com experiência justamente em Faroeste moderno, o capítulo flui muito bem em roteiro e direção, com uma agradável aliança e bela batalha final. Ainda, balanceando bem um recurso repetido a exaustão aqui de fazer algo em troca de outro (sem contar com mais um novo vai-e-vem a Tatooine) com a relevância daquele objeto.

A pulga atrás da orelha, o meu nitpicking, fica na reposição dos mísseis da armadura pelo xerife. rs.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E02: A Passageira – Ainda atrás de companheiros mandalorianos para ajudar sua busca pelos Jedi, nosso protagonista recebe a informação de um possível colega em outro planeta mas precisa transportar uma passageira até essa localização em troca do contato. Mas não é só isso, o transporte precisa ser feito em velocidade subluz por uma razão muito especial.

O episódio contem algumas cenas de ação bem legais e coloca os personagens em um perigo constante, ele te prende até o final sem desânimo. Entretanto, contribui muito pouco no desenvolvimento geral do enredo apesar de uma história e personagem adicional bem carismática. Meu principal incômodo todavia é com o humor da Criança com as ovas, ficou num limiar de humor negro e mal gosto as custas da interessante Frog Lady.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E03: A Herdeira – Finalmente parece que uma pista recebida por Mando vai dar em alguma coisa; uma vez em um planeta de pescadores – habitado por Mon Cal e Quarren, interessante esse elemento, já que as duas espécies são também originárias do mesmo planeta – ele acaba sendo vitima de uma armadilha mas que rende o esperado contato.

É o primeiro episódio que passa a conectar o seriado aos mais profundos lores do Universo Expandido (ainda que a terminologia já não seja mais essa, fica como analogia) de Guerra nas Estrelas com o reaparecimento de uma personagem muito importante de outra mídia (e vinda de uma bela forma bem tridimensional). Ao mesmo tempo, injeta informações individuais do protagonista, como a informação sobre ele ser parte de uma espécie de seita dentro dos mandalorianos.

A trama individual do episódio também é bem interessante, inclusive a manutenção da “Frog Lady” como uma personagem recorrente. Entretanto, novamente me incomodou o vai-e-vem de roteiro, agora entre Mando e Bo-Katan, era necessários dois encontros idênticos em argumento, ela o salvando de uma armadilha, para eles finalmente entrelaçarem suas histórias?

Avaliação: 4.5 de 5.

Muito Bom (4,5/5)


S02E04: O Cerco – Estava pronto para ficar puto com o seriado após o capítulo rapidamente nos mostrar que ainda não veremos Ashoka; mas felizmente se tiraram com uma mão, nos deram com outro. De volta a Navarro para mais reparados a sua nave (com a desculpa que não consertaram direito no capítulo anterior), Mando se vê novamente entrelaçado com Cara Dune e Greef, que voltou a ser o magistrado da cidade; eles desejam atacar uma base imperial ainda ativa no planeta.

O episódio tem um bom ritmo com bastante ação, mas pesa um pouco no humor ao trazer um personagem muito marginal de volta apenas para se tornar um fraco alívio cômico; mas contém um ponto alto com as informações fornecidas sobre os objetivos dos imperiais com a criança. Por outro lado, ainda assim o começo é incômodo com o andar em círculos de retornar ao planeta; olhando após o final da temporada, esse enredo deveria ter sido posicionado depois de A Tragédia, já que Mando volta para Navarro mais uma vez, e essas descobertas deveriam ter sido fruto da busca pela nave de Gideon.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano (2,5/5)


S02E05: Os Jedi – Finalmente! Em um desolado vilarejo, temos Ashoka Tano enfrentando uma senhora feudal que leva a administração daquele local na mão de ferro; e Mando tenta encontrá-la no meio dessa disputa.

Apostando numa estética muito única, entre o Western e a cultura japonesa, temos uma das coisas mais inspiradas e sóbrias visualmente da TV (streaming) nos últimos tempos. O encontro, bastante antecipado, entre a criança e algum Jedi consegue o feito de não decepcionar, seja pelo roteiro rápido e direto, e, muito habilmente guardado pelos roteiristas, pelo encontro revelar o nome do protagonista.

O episódio fecha com uma grande sequência na batalha pelo vilarejo envolvendo os dois heróis e garante um ponto alto do seriado. Uma pena que Ashoka não participou mais da jornada. Por outro lado, apesar de gostar demais do personagem, olho com desconfiança a trama de um determinado almirante cair de pára-quedas por aqui. Nem seu criador estava sabendo, foi avisado por fãs.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E06: A Tragédia – Seguindo as pistas indicadas por Ashoka, Mando leva Grogu até um ponto onde ele tentará fazer contato com outros Jedi; mas é claro que os vilões não vão deixar isso acontecer sem dificuldades, Moff Gideon envia várias tropas para raptar a criança. Para protegê-la, nosso herói terá a ajuda de dois velhos conhecidos.

Aqui gostaria de dividir em dois pontos o comentário. 1) O episódio é interessante mas achei que ficou curto – em tempo e roteiro, há apenas um ato praticamente – em relação aos demais, parece que ficou faltando uma primeira parte; ainda que muito bastante intenso e competente no seu objetivo. E 2), desgostei bastante de uma ressurreição dupla que aprontaram para a continuação da série; ambos os personagens são interessantes e os atores ótimos, mas foi demais não só um mas dois retornos da morte.

Nesse sentido, essa sensação deste episódio ser curto é porque ele precisa ceder espaço para a reintrodução dos dois novos personagens. É a Marvelização em detrimento da qualidade ainda que seja divertido.

Avaliação: 3 de 5.

Bom (3/5)


S02E07: Aquele que acredita – Para tentar localizar a nave de Gideon, para onde pode ter sido levado Grogu, Mando vai atrás de um antigo imperial e usa seus contatos com Cara Dune para tirar um antigo rival da prisão. Ao final, todos tomarão parte numa missão de infiltração.

Há algumas coisas aqui que me incomodaram; incialmente a trama de O Cerco poderia ter sido encaixada aqui para evitar vai-e-vens na temporada e, o retorno de mais um personagem, este aqui bem menos interessante, sem muita razão – é o único ex-imperial que Mando conhece?

Mas, felizmente, quanto a este último aspecto fui completamente desmentido: o roteiro consegue dar uma boa profundidade e tridimensionalidade a Mayfeld. E tudo realizado em um belo episódio, com mais uma emulação do gênero Western, do “assalto ao trem pagador”, em sequências muito bem dirigidas (a compreensão de tudo que acontece em tela é perfeita) e bastante empolgante. Ainda com um toque dramático quando o protagonista se vê obrigado a fazer algo que jamais havia feito antes.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


S02E08: O Resgate – Com a localização de Moff Gideon e a captura do cientista responsável pelos experimentos com Grogu, Mando monta uma equipe para invadir a nave do vilão e resgatar seu pequeno amigo.

Não há como fazer rodeios; é o capítulo em que temos o retorno de Luke Skywalker – e ele está em plena forma, mais poderoso que nunca. Era o Luke que todos queríamos ter visto na horripilante trilogia sequel. Mas para além dessa aparição, o episódio é bem legal do começo ao fim; o plano dos heróis faz sentido, a equipe é bem formada, e o roteiro consegue estabelecer bem a ameaça dos Dark Troopers numa ótica menor para entendermos o desafio final – e também como referência do poder de Luke.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente (5/5)


Pior Episódio

O Cerco – A narrativa circular do seriado volta a aparecer aqui, quando uma pausa é feita na busca de Mando pelos Jedi para reparos na nave, mais uma vez em Navarro. Claramente isso poderia, deixando a justificativa dos consertos na Razor Crest para trás, já que ela seria destruída mesmo, ser encaixado no arco final, ao descobrirmos mais sobre os objetivos do que restou do Império com Grogu ao rastreá-lo (e ao cientista).

Ainda assim tem lugar um capítulo razoável, exceto pelo alívio cômico. Um personagem que não tem muita razão de estar lá exceto para tiradas previsíveis e pouco inspiradas que quebram o ritmo.

Da mesma forma (que favoreceria o posicionamento dessa história ao final da temporada) a cronologia do seriado fica confusa; quanto tempo se passou entre o final da temporada e o que houve aqui? As mudanças no planeta, que incluiu até a criação de um sistema básico de educação pública, me pareceram drásticas demais para, aparentemente, algumas semanas, se muito.

Melhor Episódio

Os Jedi – É difícil dar o braço a torcer que o retorno do meu personagem favorito de todos os tempos em O Resgate não é o melhor capítulo desta temporada. Ainda é maravilhoso e é meu predileto; mas neste aqui temos uma história e um visual mais genuíno e inédito, que é o plano de fundo perfeito para a primeira aparição de uma personagem tão querida em carne-e-osso.


The Mandalorian


Contra Amazon

Enquanto a Amazon expande cada vez mais seu modelo de negócio, baseado na impessoalidade, baixo preço e contato expresso, este escritor espanhol reúne textos seus para demonstrar como os livros são muito mais que mercadorias.

Publicado por Lucas Palma

Paulistano, desde que me lembro por gente fascinado pelas possibilidades do futuro, em games, filmes e seriados, herança paterna e materna. Para surpresa geral, ao final da juventude descobri fascínio também justamente pelo oposto, me graduando e mestrando em História, pela Universidade Federal de São Paulo. Sou autor de Palavras de Revolução e Guerra: Discursos da Imprensa Paulista em 1932.

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