Jornada nas Estrelas: Academia da Frota – 1ª Temporada – só mais um besteirol americano?

Quando estreou a série sobre The Wticher, lá na virada de 2019 para 2020, eu assisti mas não me pegou. Coincidentemente, acabei assistindo dias depois Monty Phyton e o Cálice Sagrado, de 1975, uma das maiores comédias de todos os tempos. O mais impressionante, é que nesse acaso, foi possível perceber que o filme, realizado quase 50 anos antes, ironizava uma série de clichês e convenções de fantasias medievais que o seriado, baseado em um grande jogo, ainda era dependente meio século depois.

Após assistir Jornada nas Estrelas: Academia da Frota, vou repetir a mesma experiência e buscar assistir Não é mais um besteirol americano, filme de 2001, nem de longe tão genial quanto O Cálice Sagrado, mas que parodiava muito bem várias convenções de dramas adolescentes dos anos 80 e 90 – e foi boa parte do que me pegou na minha juventude. A experiência de assistir agora é porque este seriado é quase que exclusivamente dependente dos mesmos clichês daqueles longas da sessão da tarde, um quarto de século adiante.

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Segunda Fundação

Segunda Fundação – Isaac Asimov

Tradução: Marcelo Brabão – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1951 – Minha Edição: 2009 – 235 páginas


O Plano Seldon está por um fio; a promessa da Galáxia se reconstruir da barbárie após a queda do Império Galáctico em apenas um milênio já está desacreditada. O mutante Mulo conseguiu conquistar a primeira Fundação e seus domínios se estabilizaram; mas para continuar sua sana de subjugar mais sistemas ele precisa encontrar a misteriosa segunda Fundação, a única facção na Galáxia capaz de derrotá-lo.

Funcionando como a retaguarda da Psico-História, essa outra entidade é dedicada à psicologia e seus integrantes têm poderes telepáticos – por isso é a grande ameaça ao Mulo – e permanece totalmente secreta; por alguns instantes a heroína do volume anterior, Bayta, consegue impedir que o vilão descubra seu paradeiro. Entretanto, alguns anos depois, ele incumbe o capitão Han Pritcher dessa missão; ao lado do ambicioso político Bail Channis.

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Fundação e Império

Fundação e Império – Isaac Asimov

Tradução: Fabiano Fernandes – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1951 – Minha edição: 2009 – 244 páginas


A Fundação foi formada por Hari Sheldon, um psico-historiador, com a função de fazer com civilização humana sobrevivesse da menos traumática o possível ao período de anarquia desencadeada com o colapso do Império Galáctico – também previsto pelo cientista. Passado alguns séculos, consolidada nos confins da Galáxia, ela definitivamente se estabeleceu como uma potência regional; a ponto de chamar a atenção do que sobrou do Império – que muitos imaginavam sequer existir mais – que despachou um de seus melhores homens para enfrentá-la.

Com dois grandes vilões, no segundo volume da série, veremos a Fundação precisando se defender do jovem General Bel Riose, o último grande comandante militar imperial; e do misterioso Mulo, um senhor da guerra local – este, em especial, desafiará até mesmo os preceitos da Psico-História.

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Fundação

Fundação – Isaac Asimov

Tradução: Fábio Fernandes – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1951 – Minha Edição: 2009 – 239 páginas


Um debate muito acirrado dentro do campo da historiografia é sobre considerar ou não a História uma ciência. “Ciência” implicaria em uma série de pressupostos os quais o estudo do passado pode ou não atender. A favor dessa posição temos, por exemplo, o rigor metodológico – ser historiador hoje não é simplesmente narrar eventos; há todo um processo científico por trás que é compartilhado por pares – mas, contra, e muitas vezes decisivo, não há como realizar experimentos com o tema de estudo, uma vez que ele já não existe mais.

É nesse contexto, no século XIX, que outras ciências humanas começam a ser desenvolvidas para suprir a “falta de cientificidade” da História e da Filosofia, tais como a Sociologia, a Geopolítica, Antropologia, e a Psico-História.

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Os Anéis do Poder – 2ª Temporada – Melhorou em tudo

Adaptar obras da magnitude e fãbase como as de de Tolkien é sempre uma opção arriscada. Por um lado, é um material original muito denso e a tarefa de apresentar ao público mais amplo algo tão profundo não será fácil. É necessário mastigar muita coisa, alterar outras tantas, de modo a ficar palatável ao público contemporâneo e ao formato televisivo e, ainda, excluir sumariamente uma terceira fatia de elementos. Por sua vez, todas essas mudanças vão inflamar os fãs mais antigos.

A tarefa de Os Anéis do Poder ficou ainda mais difícil ao tentar adaptar literalmente os Contos Inacabados, apenas um esqueleto da estória que o autor pretendia contar. A boa notícia é que ela sobreviveu – com um caminhão de dinheiro da Amazon, é claro – a uma difícil primeira temporada e, agora, nos entregou uma versão totalmente aprimorada de si mesma.

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Retrospectiva 2025

Neste ano, apesar de ter conseguido ler mais, o blog ficou menos movimentado. Ainda assim, mantivemos o mesmo ritmo de visitas, com 17,1 mil visualizações, em um número muito parecido com 2024, com um leve aumento de 10,200 visitantes. Desde o começo, estamos com um total de 54,3 mil leituras e 30,5 mil visitantes.

Um agradecimento a todos que deram uma passada por aqui em 2025 e um excelente 2026 para vocês!!

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Apontamentos sobre a teoria do autoritarismo

Apontamentos sobre a “Teoria do Autoritarismo” – Florestan Fernandes

Ano lançamento: 1979 – Minha Edição: 2019 – 165 páginas


Vencido o século XX, com a promessa de felicidade absoluta ao vivenciarmos o que seria o Fim da História, os regimes autoritários passaram se encarados como coisas do passado, totalmente superados – na retórica citada de Fukuyama ou na Samuel Huntington, eles eram anomalias causadas pela Guerra Fria. A promessa não durou muito em vários aspectos, mas nesse tema, já avançados dentro do Século XXI, percebemos que para cair em novos governos ditatoriais não precisamos de muito.

Como explicar esse novo cenário de recrudescimento das democracias burgueses mesmo sem um inimigo em comum e atentando contra esses regimes? A presença Chinesa, apesar da propaganda, não tem a menor correspondência com a União Soviética. Ela é uma concorrente comercial do grupo da OTAN, não política. Para responder este questionamento, temos aqui um clássico justamente daquele período de quando a maior parte do mundo era governado por ditaduras.

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Condição Artificial

Condição Artificial – Martha Whells

Tradução: Laura Pohl – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 2018 – Minha Edição: 2025 – 233 páginas


Livre de suas amarras computacionais, contratuais e morais, o nosso Muderbot decide finalmente tomar as rédeas da sua vida artificial e vai em busca de respostas sobre seu passado nebuloso no segundo livro da série Diários de um Robô Assassino. Desta vez, ele faz amizade com um transporte científico e cria uma parceria inusitada em sua nova aventura no planeta minerador no qual ele teria se voltado contra um grupo de trabalhadores.

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Lênin: uma introdução


Lênin: uma introdução – João Quartim de Moraes

Ano de Lançamento: 2024 – Minha Edição: 2024 – 139 páginas


Depois de figuras míticas ou religiosas, o russo Vladmir Ulianov, mais conhecido pelo pseudônimo Lênin, foi um dos seres humanos mais influentes, senão o mais influente, da História. Sua capacidade como intelectual e como político não encontram paralelo com mais ninguém, ao menos nos tempos contemporâneos; em sua curta vida de 53 anos, escreveu obras que continuam sendo discutidas até hoje e foi o líder da maior revolução no maior país que a Terra já viu.

Diante de um contexto como esse, nada mais necessário um livro de introdução a sua vida e obra, escrito pelo cientista político João Quartim de Moraes, professor da Unicamp.

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Parasite Eve


Parasite Eve – Hideaki Sena

Tradução: Ayumi Anraku – Editora: Darkside

Ano de lançamento: 1995 – Minha Edição: 2025 – 317 páginas


As mitocôndrias são responsáveis pela produção de energia dentro das células, descobertas em meados do século XIX. Entretanto, mais recentemente, também descobriu-se que elas possuem material genético próprio; o que deu força a teoria da simbiogênese, popularizada nos anos 60, na qual um dos principais motores da evolução seria que indivíduos em simbiose se transformariam em novas espécies. De acordo com essa proposta, as mitocôndrias, ou algo que as possuíam, há mais de um bilhão de anos no passado, se uniram a alguma forma de vida que deu origem à fauna e a flora terrestre.

Essa teoria faz com que elas sejam uma das coisas mais fascinantes no estudo da biologia – pelo menos é o que acha o escritor japonês Hideaki Sena. Neste livro, que foi sua estréia na profissão (originalmente ele é um cientista, doutor em farmacologia), o autor cria um drama e um monstro através de extrapolar o papel das mitocôndrias na evolução da vida no planeta.

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Diários de um robô assassino – 1ª temporada – Gen Z, TEA e robôs

Lançado em 2017, Alerta Vermelho, de Martha Wells, foi um fenômeno; arrebatando todos os prêmios de sua categoria – em especial, o Hugo e Nebulla. As vitórias de tão nobres cerimônias foram encaradas com certo ceticismo por parte do público por achar a obra curta e simplória demais; ela conta da estória de um robô de combate que consegue se rebelar do sistema, mas ele, mesmo assim, decide manter sua vida medíocre como segurança.

Mas precisamente nisso está o que conquistou os críticos e o demais leitores; é uma obra muito atual, na minha avaliação, pois pega exatamente as principais frustrações da geração Z com sua vida adulta. Isso colou tão bem que, em pouco tempo a série de livros, que já conta com 7 livros, recebeu sua adaptação televisiva em através do Apple TV, e soube manter a mesma essência dos livros.

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O Assassinato de uma Nação

O Assassinato de uma nação: como os Estados Unidos e a OTAN destruíram a Iugoslávia – Michael Parenti

Tradução: Clóvis Marques – Editora: da Vinci

Ano de Lançamento: 2002 – Minha Edição: 2023 – 238 páginas


Apesar de ter sua origem na I Guerra Mundial, fundado originalmente como o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, a Iugoslávia ficou associada ao Socialismo, implantado no país após a expulsão dos nazistas pelos Partisans. Justamente por isso, seu desmembramento foi associado ao colapso desse regime; e a península balcânica foi palco de guerras, guerras civis, limpezas étnicas, bombardeios e todo o tipo de infortúnio que advém desse cenário.

Entretanto, longe desse estigma que marcou o final de sua história, a Iugoslávia foi um dos modelos mais bem sucedidos, estáveis e democráticos de Socialismo, com uma grande organização através da autogestão. Além disso, foi uma da principais lideranças das relações internacionais do século XX, ao encabeçar o movimento dos não-alinhados. Neste livro, o cientista político estadunidense Michael Parenti, busca demonstrar como essa catástrofe, de Socialismo Democrático para total carnificina, foi fabricada.

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A Revolução Palestina de 1936 a 1939

A Revolução Palestina de 1936 a 1939: antecedentes, detalhes e análise – Ghassan Kanafani

Tradução: Letícia Bergamini Souto – Editora: Expressão Popular

Ano de Lançamento: 1972 – Minha Edição: 2024 – 122 páginas


Um dos lemas iniciais do sionismo era “uma terra sem povo para um povo sem terra“, sendo essa terra, a Palestina, com a formulação se popularizando no início do século XX. Como a região não era um local sem habitantes, o uso dessa frase é polêmica é suscita debates até hoje; mas uma prova de como sim havia um povo com terra na região é a Revolta de 1936-39 dos árabes contra o domínio britânico do local.

Neste pequeno livro, o escritor palestino Ghassan Kanafani faz uma análise dos eventos ocorridos na Palestina a partir de abril de 1936. Quando as forças britânicas prenderam e mataram al Din al-Qassam – um importante revolucionário árabe contra a colonização franco-britânica do Levante – a população palestina irrompeu em uma onda de greves nas cidades e escaramuças contra tropas britânicas no interior, movimento que ficou conhecido como a Revolução Palestina.

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Os Despossuídos

Os Despossuídos – Ursula K. Le Guin

Tradução: Susana L. de Alexandria – Editora: Aleph

Ano de Lançamento: 1974 – Minha Edição: (2ª) 2019 – 379 páginas


Após uma grande revolução de escala planetária, os Odonianos, um numeroso grupo anarquista de Urras, foi exilado em sua lua, Anarres. Ainda que habitável, esse local era uma colônia de mineração e muito pouco fértil, tanto em vida animal e vegetal; o cenário “perfeito” para a tentativa e estabelecer no poeirento planeta um mundo totalmente Anarquista.

Este é apenas o contexto de Os Despossuídos; cuja estória se movimenta quando Shevek, um importante físico de Anarres, decide desertar e mudar-se para um dos países de Urras. Apesar de um movimento voluntário e permitido por ambas as partes, seu gesto é repleto de tensão, pois sua pesquisa pode revolucionar o campo da exploração espacial.

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Star Trek: Strange New Worlds – 3ª Temporada – O Classic Trek desorientado

Quando Star Trek: Strange New Worlds chegou, fiquei muito feliz. Eu, e vários outros fãs, decretaram: o Classic Trek voltou! Veio a segunda temporada, e teve algumas coisa muito boas, mas foi um ano perigosamente medíocre, e, por isso, batizei a resenha como o Classic Trek em perigo. Infelizmente estava certo: a série escapou por muito pouco do cancelamento, mas foi renovada por apenas mais duas curtas temporadas (totalizando somente mais 16 capítulos) e nos entregou um exemplar bem fraco em 2025.

Os problemas que o seriado não só continuaram como foram agravados ou apenas mudaram de direção: se a aparição dos personagens era estranha, ela melhorou, mas o desenvolvimento deles andou de lado; e tivemos mais tempo dedicado a gente de fora da Enterprise que aos protagonistas. Ao mesmo tempo a trama envolvendo os Gorn; sequer entendemos se ela foi resolvida ou não, e, então, passamos por uma série de capítulos usando de recursos surrados e repetitivos, com autoplágios e lugares-comuns; sem foco no próprio desenvolvimento seriado. Para termos noção, apenas um dos episódios envolveu realmente a exploração de um novo planeta.

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