Novelas Policiárias

Novelas Policiárias: Uma Antologia – Fernando Pessoa

Ano de Lançamento: 1935? (1913-14?) – Minha Edição: 2019 – 197 páginas


Provavelmente a maior atração que uma história de detetive tem aos seus leitores é a resolução da charada por trás do crime ou do mistério o qual ele está investigando. Fernando Pessoa, dentro de sua vastíssima e diferenciada obra, também demonstrou um fascínio sobre o ato de desvendar as “charadas da vida real”, de modo muito pioneiro. Ele rascunhou e escreveu algumas histórias de detetives ao longo da sua vida, contando casos em que esteve envolvido o enigmático Dr. Abílio Quaresma. Algumas nunca publicadas até agora, as que estavam em estado mais ou menos coerentes, foram reunidas por estudiosos do autor neste pequeno volume.

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“Estou puto da vida e não vou mais aguentar tudo isso!”

No clássico de 1976, a Rede de IntrigasNetwork no original, e Escândalo na TV em Portugal – uma reviravolta na mídia americana é disparada após a demissão do principal âncora de uma emissora, o veterano Howard Beale. Sabendo que estava apresentando suas últimas edições do jornal das oito da UBS, ele decide anunciar, ao vivo, que cometeria suicídio na próxima semana durante a apresentação do noticiário, também ao vivo.

Ao contrário do que todo mundo esperava, a declaração de Beale se transformou num fenômeno extremamente positivo para a nova direção da TV em que ele trabalha.

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Fundação (1ª Temporada) – Um monumento à incompreensão de um clássico.

Na edição de 1966 dos Prêmios Hugo, o mais tradicional da literatura fantástica, foi oferecido uma categoria que nunca havia sido dada e jamais se repetiu novamente: Melhor Série de Todos os Tempos. Nos bastidores do meio editorial, os comentários eram de que se tratava um jogo de cartas marcadas, de uma honraria feita e encomendada para premiar O Senhor dos Anéis.

Para a surpresa de todos, o prêmio foi para a trilogia da Fundação, escrita originalmente entre 1942 e 1950 por Isaac Asimov, o escritor soviético, radicado dos EUA – e um dos que repetia os comentários maldosos sobre o jogo viciado naquele prêmio de 66. Embora não muito conhecida do público em geral, e ainda mais fora dos Estados Unidos, a série Fundação é talvez a mais influente da Ficção Científica – e aquela que botou Senhor dos Anéis no chinelo há 50 anos atrás.

Entretanto, muito do espanto que pode causar saber que essa obscura série dos anos 40 foi considerada melhor que a obra de Tolkien se deve ao fato que as adaptações da Saga do Anel foram, igualmente obras primas, e geraram filmes magistrais. Infelizmente, este não será um privilégio compartilhado por Fundação.

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Jango e Eu

Jango e Eu – Darcy Ribeiro

Ano de Lançamento: 2010 (1996) – Minha Edição: 2010 – 107 páginas


Provavelmente a frase mais célebre que Darcy ribeiro nos deixou é a qual ele afirma que seu maior alívio foi fazer parte dos vencidos da História nacional, ou quase isso. Ele relata várias de suas empreitadas na política brasileira – tais como reforma universitária, campanha pela alfabetização, proteção aos indígenas – e que, em todas, foi derrotado. E provavelmente o momento em que mais esteve próximo de fazer vencer suas bandeiras foi o período em que se tornou o político mais importante do país depois do presidente da República.

Entre junho de 1963 e abril de 1964, o antropólogo foi ministro da Casa Civil de João Goulart até os instantes final do governo derrubado pelo golpe militar. Já havia sido ministro da educação de Jango no ano anterior e acabou se tornando uma das pessoas mais importantes do país naquele início da década; membro de um seleto grupo que desejou, como nenhum outro, desenvolver e pensar o Brasil.

Nesta pequena etapa de suas memórias, ele relata, exatamente como o título adianta, sua relação com o presidente.

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As Contradições do Lulismo

As Contradições do Lulismo: a que ponto chegamos? – André Singer e Isabel Loureiro (org.)

Ano de Lançamento: 2016 – Minha Edição: 2016 – 282 páginas


Olhando de trás para frente, o cavalo de pau dado pelo Brasil a partir de 2016 não é tão difícil de enxergar, entretanto, no olho do furação, o golpe contra a presidente Dilma não deixou de ser surpreendente. Não que não faltassem contradições em nosso regime político, mas genuinamente não se esperava que o país voltasse a ver mais um golpe de estado após uma experiência relativamente positiva e tranquila de democracia burguesa.

Assim como todos os processos análogos de nossa história, o golpe de 16 será discutido e compreendido por mais várias décadas. Mas um dos primeiros esforços de ajudar no entendimento desse evento foi este aqui, não por acaso liderado por André Singer, o pai do conceito de Lulismo, que quis tentar explicar seu colapso.

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O Jogador

O Jogador – Iain M. Banks

Tradução: Edmundo Barreiros – Editora Morro Branco

Ano de Lançamento: 1988 – Minha Edição: 2021 – 364 páginas


A Cultura é uma gigantesca e poderosa sociedade interplanetária. Estendendo-se por milhares de planetas, essa comunidade encarna o conceito de Fim da História. Tudo é permitido e conquistado, o que você quiser fazer ou ter, é garantido pela distribuição total dos recursos unificados através dela. A prosperidade é tamanha que até mesmo a noção de crime ou chantagem é algo difícil de seus membros entenderem.

O que restou então para os habitantes desses planetas “se fazerem homens”, isto é, enfrentar e superar dificuldades e contradições, são os jogos. Dentro da Cultura, o que gera maior reconhecimento e fama é ser um Jogador famoso.

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The Orville (3ª temporada)

Realizar o sonho de ter sua própria série de Jornada nas Estrelas continua para Seth McFarlene. Após uma tumultuada produção da terceira temporada, cortada pela pandemia, perdendo um episódio e sofrendo com a morte de dois atores coadjuvantes, The Orville consegue chegar e entregar seu melhor ano até agora – ainda que com sensível irregularidade.

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Por uma outra Globalização

Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal – Milton Santos

Ano de Lançamento: 2000 – Minha Edição: 32ª 2021 – 194 páginas


Quem foi a escola nos anos 90 e 2000 provavelmente gastou boa parte das aulas de geografia estudando o fenômeno da globalização. Com o final da Guerra Fria e a alta conectividade no mundo, gerada pela pulverização de fronteiras e vertiginoso crescimento das telecomunicações, a humanidade estava de frente com o seu maior desafio: conviver como uma só entidade.

Paulatinamente esse debate foi cessando e a impressão que fica é que a discussão já não é mais necessária, a globalização já é o nosso cotidiano. Discuti-la é equivalente a questionar se a água é molhada ou se o sol nasce a leste, um verdadeiro fenômeno da natureza. Nada mais perigoso.

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Os acertos e os 20 melhores episódios de Star Trek: Enterprise

Apesar de encerrar o ciclo de produções que vinha ininterrupto desde 1987 e enterrar o Classic Trek, Enterprise viveu também a altura de suas irmãs e nos entregou bons momentos. Algumas histórias contadas nela, por exemplo, hoje são tão consolidadas que causa até estranheza saber que elas ainda não existiam na TOS ou TNG; como o detalhamento da história de Surak e as reformas vulcanas, ou a fundação da Federação entre Andorianos, Vulcanos e Tellaritas.

Vamos conferir o que houve de melhor neste seriado!

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Os erros e os 20 piores episódios de Star Trek: Enterprise

Enterprise teve um começo muito complicado, que acabou enterrando a série mesmo após as duas últimas temporadas maravilhosas. Mudando muito sem mudar nada naqueles seus dois primeiros anos, a série simplesmente não sabia para onde ir. Estava-se levando ao limite do desgaste uma fórmula iniciada em 1987.

Infelizmente o que não faltou ao seriado foram pontos negativos, tais como os abaixo:

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Querido Lula

Querido Lula: Cartas a um presidente na prisão – Maud Chirio (org.)

Ano de Lançamento: 2022 – Minha edição: 2022 – 232 páginas


Há momentos que olhos treinados conseguem perceber que verdadeiramente se tornarão históricos instantaneamente; um dos mais recentes foi a vigília montada por manifestantes no entorno do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo do Campo, em 2018, para impedir a prisão do ex-presidente Lula – a qual eu tomei parte durante a tarde e noite de 6 de abril. Em conjunto com familiares, amigos e conselheiros, ele decidiu se entregar no dia seguinte.

As imagens daquele dia se tornaram icônicas e percorreram o mundo; e ele ficou na prisão por mais de um ano. O tempo passou, o que já se imaginava foi revelado através da Vaza Jato, a operação para prendê-lo era, no mínimo, frágil, e motivada por interesses políticos e pessoais de juízes e promotores.

Durante os 580 dias na prisão, o ex-presidente perdeu um de seus netos e um irmão, cujo direito de ir ao velório, assegurado a todos os presos no país, foi negado e a jornada se tornou cada vez mas comovente. Uma face nova dessa comoção foi revelada em maio deste ano, 2022, com a edição deste livro, composto por uma seleção das 25 mil cartas enviadas a Lula durante o período no cárcere.

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Sliders – Dimensões Paralelas (2ª Temporada)

Um gosto amargo ao final desta segunda temporada: viver na pele as armadilhas da nostalgia é sempre desagradável. Já em apenas seu segundo ano, o seriado já exibiu fortes sinais desgaste. Trocando os pés pelas mãos, a produção teve uma inabilidade muito grande em criar novas realidades alternativas, e, em especial, saber articular as tramas nesses novos contextos imaginários.

É impressionante ver como uma primeira temporada virtualmente sem um único episódio ruim, se transformar numa bagunça de altos e baixos como os apresentados aqui em capítulos onde é completamente impossível compreender suas regras internas. Não há, também, nenhuma grande sacada ou alegoria política/social/histórica/cultural, como a sociedade matriarcal ou a dominada pelos nerds, como vimos antes.

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Star Trek: Lower Decks (2ª temporada) – divertida, mas formulaica

Quando Lower Decks surgiu, foi uma grande inovação para a franquia. Pela primeira vez em quarenta anos, Jornada nas Estrelas se aventuraria novamente em séries animadas, mas de uma forma não-ortodoxa, em uma animação para adultos (um gênero, por sua vez, que está em alta nas últimas décadas sem muita inovação). De qualquer forma, era novidade para os trekkers.

A primeira temporada entregou algo totalmente novo, através de uma chuva torrencial de referências e um ritmo muito corrido. Problemas corrigidos, pelo menos em sua maior parte. Por outro lado, o formato narrativo não mudou e a experiência foi se tornando repetitiva ainda que divertida.

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Sociedade Paliativa

Sociedade Paliativa: a dor hoje – Byung-Chul Han

Tradução: Lucas Machado – Editora Vozes

Ano de lançamento: 2020 – Minha Edição: 2021 – 115 páginas


Ao entrar em qualquer igreja católica você encontrará, adornando toda a nave principal, imagens da Via Crucis, a jornada de Cristo em caminho a sua crucificação. Carregando muito significado para os católicos, representa a martirização de Jesus, a dor que ele sofreu pela humanidade. Durante quase dois milênios, para a sociedade ocidental a dor era algo central, considerada venerável e nobre.

A partir do que Hobsbawm chama de dupla revolução (a Revolução Francesa e a Revolução Industrial) esse ideal medieval de se entregar a dor começa a mudar de significado, mas ainda é central para a humanidade. A dor passa a ser disciplinada – há locais e momentos para sentir, sofrer ou aplicar a dor – e seu símbolo é heroico – o sujeito sente muito a dor, mas a supera e mantém seu caminho.

De acordo com o filósofo coreano radicado na Alemanha, Byung-Chul Han, na contemporaneidade nossa relação com a dor mudou completamente – agora a humanidade não quer nem mais ouvir falar em nenhum tipo de dor.

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Jornada nas Estrelas: Strange New Worlds (1ª Temporada) – O Classic Trek de volta

Quando Star Trek: Discovery estreou em 2017 um gosto amargo esteve na boca da maioria dos fãs, mesmo para quem gostou, que foi meu caso, para além dos nomes, o seriado guardava pouca semelhança com aqueles que vieram antes. Especialmente nos visuais, e na linguagem narrativa. O tempo passou, algumas coisa foram corrigidas e Discovery se aproximou mais em umas coisas e menos em outras.

Com a chegada do segundo seriado da era contemporânea, chamada de Kurtzman Trek, Picard, a amargura ficou, na realidade, azeda. Muito irregular, as coisas, apesar de contarem com alguns dos mesmos personagens de 30 anos atrás, estavam ainda mais diferentes, em especial na narrativa. Nos últimos anos, as temporadas foram transformadas (e é uma forma hegemônica no entretenimento de massa) em filmes gigantes de 10 ou mais horas repartidos em segmentos.

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